Numerama #22: Hamilton vence em 22ª pista diferente e fica a uma de recorde

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O GP da Áustria fez jus ao nível de empolgação que a temporada de 2016 vem propondo ao seu público até o momento. A corrida no Red Bull Ring teve uma briga alucinante – e mais uma vez polêmica – entre Lewis Hamilton e Nico Rosberg, com alternativas estratégicas e batalhas ao longo de todo o pelotão.

No fim, bom para o piloto do carro #44, que levou a melhor na última volta e obteve uma marca histórica para a Grã-Bretanha, além de enriquecer ainda mais seu já consagrado currículo com um triunfo em um novo circuito.

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Porém, se os fãs alemães ficaram chateados com a perda da vitória de Rosberg nos metros derradeiros, pelo menos viram um compatriota entrar para o grupo de pilotos que já pontuaram na categoria. Além disso, a Williams novamente impressionou e manteve sua invencibilidade nos pitstops em 2016.

Chega de papo furado: vamos às principais estatísticas do GP da Áustria de 2016 com a edição #22 do Numerama! E, claro, se você lembrar de algum outro dado que deixamos passar, fique à vontade para mencioná-los nos comentários abaixo!

Voltas lançadas: se piscar, perdeu

hamilton 1

No segundo segmento do treino classificatório, Hamilton anotou o tempo de 1min06s228, o que, com a chuva que atingiu a pista no Q3, se mostrou a marca mais rápida de todo o fim de semana.

Trata-se do tempo mais baixo em uma sessão oficial na F1 desde a qualificação para o GP da França de 1990. Na ocasião, na versão curta do traçado em Paul Ricard, Nigel Mansell registrou 1min04s402 para fazer a pole position.

A marca de Hamilton em Spielberg foi possível não só devido à evolução dos carros e aos pneus ultramacios, mas também graças ao novo asfalto mais aderente do circuito.

McLaren-Honda retorna às cabeças do grid

Última vez de McLaren-Honda nas primeiras filas havia sido em 1992
Última vez de McLaren-Honda nas primeiras filas havia sido em 1992

Vivendo momento decisivo para a continuidade de sua carreira na F1, Jenson Button foi um dos grandes destaques do treino classificatório de sábado. O campeão de 2009 não só colocou o limitado MP4-31 no Q3 como surpreendeu nas condições mistas do asfalto para obter o quarto melhor tempo – que se converteu em terceiro com a punição aplicada a Rosberg.

Foi a primeira vez de Button no Q3 desde o GP de Abu Dhabi de 2014, quando ainda corria com o motor Mercedes. Além disso, a parceria McLaren-Honda voltou a ocupar um lugar nas duas primeiras filas do grid, o que não acontecia desde o GP da Austrália de 1992, quando Ayrton Senna largou em segundo e Gerhard Berger em quarto.

Mantendo a ponta, até que enfim!

No sábado, Hamilton conquistou sua quinta pole position em 2016, mas pela primeira vez realmente soube tirar proveito da posição de honra do grid. Isso porque o inglês completou a volta de abertura da prova na primeira posição, algo que vinha falhando em fazer.

Para ser mais preciso, Hamilton não fechava na ponta a volta 1 de uma corrida desde o GP dos Estados Unidos de 2015, etapa que marcou seu tricampeonato. De lá para cá, o piloto sempre era atingido por algum contratempo e via a liderança ficar longe nos metros iniciais dos GPs.

Prova tem mudança de líder na última volta

Hamilton precisou ralar para deixar Rosberg para trás na última volta e vencer a prova. Foi a 27ª vez na história da F1 em que um piloto assume a liderança no giro derradeiro da corrida para conquistar a vitória.

Button venceu de maneira dramática no Canadá, 2011
Button venceu de maneira dramática no Canadá, 2011

Isso não acontecia desde o GP do Canadá de 2011, quando Sebastian Vettel errou no molhado e abriu caminho para um triunfo histórico de Button. Foi a primeira vez que Hamilton obtém a ponta na última passagem – Juan Manuel Fangio, Bruce McLaren e Michael Schumacher, com duas cada, são os recordistas.

Uma das vezes em que isso aconteceu com Schumacher também foi no GP da Áustria, no mesmo circuito, mas em condições totalmente diferentes. Em 2002, o alemão venceu em Spielberg quando Rubens Barrichello, obedecendo ordens de equipe, abriu passagem nos metros finais.

Spielberg, mais uma para o currículo de Hamilton

Foi a primeira vez que Hamilton venceu o GP da Áustria. Agora, o inglês já triunfou em 22 circuitos diferentes, igualando a marca de Alain Prost e ficando a uma do recorde absoluto de Schumacher, que obteve vitórias em 23 autódromos diferentes.

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Das pistas atuais da F1, Hamilton ainda não venceu somente em Baku, México e Interlagos. O tricampeão correu somente uma vez nas duas primeiras, mas, no Brasil, foram nove largadas e apenas dois segundos lugares como melhores resultados.

Marca histórica para a Grã-Bretanha na F1

Enquanto a Grã-Bretanha vive momento conturbado na política, na F1 sua situação é um mar de rosas. A vitória de Hamilton representou o 250º triunfo britânico na categoria, sendo 46 delas pelas mãos do competidor da Mercedes.

A Alemanha é o segundo país com mais vitórias na história da F1, com 161, enquanto que o Brasil é o terceiro, com 101. Vale lembrar que os números da Grã-Bretanha englobam pilotos ingleses, escoceses, norte-irlandeses e galeses.

Wehrlein entra no clube dos pontuadores

Wehrlein

Com um décimo lugar suado na Áustria, Pascal Wehrlein obteve o primeiro ponto de sua carreira na F1. O alemão é o 332º piloto da história da categoria a anotar pelo menos um tento em sua trajetória.

Foi também o primeiro ponto da equipe na F1 sob a inscrição de Manor Racing. Se considerarmos a trajetória do time com seus outros nomes, desde 2010 (então Virgin), foi apenas a segunda vez entre os dez primeiros. A outra foi no GP de Mônaco de 2014, quando Jules Bianchi levou a Marussia ao nono posto.

Williams segue invicta nos pitstops

Se a Mercedes segue imbatível dentro da pista, nos pitstops é a Williams que manda. O time inglês registrou o melhor tempo de troca de pneus na Áustria, com o trabalho no carro de Felipe Massa em 2s16. A Williams foi a equipe mais veloz nos pitstops em todas as nove etapas realizadas em 2016, sendo que, no ano passado, ela não foi a melhor em uma única prova sequer.

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Bruno Ferreira

Sempre gostou de automobilismo e assiste às corridas desde que era criança. A paixão atingiu outro patamar quando viu – e ouviu – um carro de F1 ao vivo pela primeira vez. Depois disso, o gosto pelas corridas acabou se transformando em profissão. Iniciou sua trajetória como jornalista especializado em automobilismo em 2010, no mesmo ano em que se formou, quando publicou seu primeiro texto no site Tazio. De lá para cá, cobriu GPs de F1 no Brasil e no exterior, incluindo duas decisões de título (2011 e 2012), além de provas de categorias como Indy, WEC, WTCC e Stock Car.

  • Douglas Pacheco

    Por favor, Red Bull Ring e não Spielberg, não façam como a globo.

    • Oras, mas no primeiro parágrafo está Red Bull Ring. Em momento algum omitimos ou omitiremos o nome do circuito. Abraços

      • Douglas Pacheco

        Foi falha minha então. Achoq quando li Spielberg ficou na minha cabeça.

        Ato falho, desculpem-me.