Numerama #25: Hamilton domina mês de julho e obtém feito inédito na história

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A temporada de 2016 da F1 chega às suas férias de agosto com Lewis Hamilton em estado de graça. O tricampeão mundial se recuperou de um início de campanha conturbado e, com nova vitória no GP da Alemanha, abre incríveis 19 pontos de vantagem para Nico Rosberg.

Em Hockenheim, o inglês levou para casa sua quarta vitória consecutiva e cravou o mês perfeito, algo que nenhum outro piloto havia conseguido na história da categoria. De quebra, Hamilton fica ainda mais perto de se tornar o segundo maior vencedor de todos os tempos no Mundial. Rosberg, em contrapartida, vive fase para esquecer, inclusive com menos pontos que Max Verstappen nas últimas quatro corridas.

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Já a Red Bull coroou sua ascensão em 2016 ao colocar seus dois pilotos no pódio e ultrapassar a Ferrari. Por fim, o GP da Alemanha teve saldo bastante ruim para os dois pilotos brasileiros, Felipe Massa e Felipe Nasr.

Vamos a mais um Numerama, com as principais estatísticas pós-GP da Alemanha de 2016. Caso você lembre de algo que deixamos passar, fique à vontade para mencionar nos comentários!

Hamilton em fase de glória

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Hamilton caminha a passadas largas para ser o segundo maior vencedor da F1 (Mercedes)

Quem diria que Hamilton chegaria às férias de agosto com 19 pontos de vantagem para Rosberg? Pois este cenário é consequência das apresentações de ambos os pilotos nas últimas etapas disputadas.

Hamilton venceu quatro provas consecutivas em sua arrancada. Foi a terceira vez que o piloto emenda esta sequência em sua carreira, todas elas em sua passagem pela Mercedes. Caso triunfe na Bélgica, o inglês igualaria sua melhor marca de vitórias seguidas. O recordista absoluto é Sebastian Vettel, que venceu nove consecutivas em 2013.

Inglês conquista feito inédito

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Hamilton “cravou” o mês de julho (Mercedes)

Além disso, a boa fase de Hamilton resultou em um feito inédito em toda a história da F1. Nunca um piloto havia vencido quatro provas em um mesmo mês – no caso, julho de 2016. A primeira vitória de Hamilton nesta sequência foi no GP da Áustria, em 3 de julho; depois, no GP da Inglaterra, no dia 10; em seguida, o tricampeão brilhou no GP da Hungria, no dia 24, e agora no GP da Alemanha, em 31 de julho.

Porém, é importante lembrar que apenas uma outra vez na história da F1 quatro provas foram realizadas em um mesmo mês. Foi em 2005, também em julho, com os GPs da França (vencido por Fernando Alonso), Inglaterra (Juan Pablo Montoya), Alemanha (Alonso) e Hungria (Kimi Raikkonen).

A vitória em Hockenheim foi a 49ª de Hamilton, o que o deixa apenas duas atrás de Alain Prost, o segundo maior vencedor da história da F1. Desta forma, no GP de Cingapura, o piloto do carro #44 poderá já estar atrás somente de Michael Schumacher nas estatísticas. Porém, igualar a marca do alemão não vai ser nada fácil. Schumi tem 91 vitórias, que é o número somado de triunfos de Hamilton e de Sebastian Vettel.

Queda livre do ex-líder Rosberg

Se Hamilton teve um julho perfeito, com 100 pontos conquistados em 100 possíveis, o mesmo não pode ser dito a respeito de Rosberg. O ex-líder do campeonato registrou 57 pontos nas últimas quatro corridas, com um segundo lugar, um terceiro e dois quartos.

Isso não só fica muito aquém de seu companheiro de equipe como também não é nem mesmo a segunda melhor sequência do grid. Do GP da Áustria para cá, Max Verstappen anotou 61 pontos; já Daniel Ricciardo ficou perto do alemão com 55.

Red Bull em dose dupla no pódio

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Red Bull colocou seus dois pilotos no pódio (Red Bull)

Pela primeira vez os novos companheiros de equipe Daniel Ricciardo e Max Verstappen sobem juntos ao pódio. A Red Bull não colocava seus dois pilotos na cerimônia oficial há 19 etapas, desde o GP da Hungria de 2015 – na ocasião, Daniil Kvyat foi segundo, logo à frente de Ricciardo.

Em 11 anos e meio na F1, a Red Bull já obteve pódios duplos em 35 oportunidades. Somente a dupla Sebastian Vettel/Mark Webber foi responsável por 31, entre 2009 e 2013.

A melhor Red Bull desde 2014

O resultado no GP da Alemanha coroou a ótima fase da Red Bull e explicitou a queda da Ferrari. Agora, o time austríaco ultrapassou os italianos e está na segunda posição no Mundial de Construtores, 14 pontos à frente.

É a melhor posição da Red Bull entre as equipes desde o encerramento do campeonato de 2014, quando Sebastian Vettel e Daniel Ricciardo levaram a escuderia ao vice. Entre 2015 e todas as etapas de 2016, a Red Bull esteve atrás da Ferrari.

Ricciardo entra para o grupo dos 100 GPs

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Ricciardo estreou na F1 em meados de 2011 (Red Bull)

Mais do que o segundo lugar, Daniel Ricciardo teve um motivo especial para comemorar em Hockenheim. O australiano fez sua 100ª largada na F1, tornando-se o 67º piloto a obter tal feito.

O curioso é que Ricciardo alcançou seu GP de número 100 apenas em sua sexta temporada na categoria. O primeiro a atingir a marca, seu compatriota Jack Brabham, o fez em seu 12º campeonato na F1. Reflexo dos calendários inchados da F1 moderna.

Abandonos brasileiros

Os dois únicos pilotos que não viram a bandeira quadriculada na Alemanha foram justamente os brasileiros. Felipe Massa recolheu na garagem após levar um toque na primeira volta, e Felipe Nasr estacionou ao sofrer problemas de potência em seu carro.

Foi a primeira vez que os dois pilotos abandonaram juntos em uma mesma prova. Em sua carreira na F1, de 2015 para cá, Nasr abandonou por quatro vezes (Japão e México, 2015, e Mônaco e Alemanha, 2016); neste mesmo período, Massa se retirou em cinco (Cingapura e Estados Unidos, 2015, e Canadá, Áustria e Alemanha, 2016).

Os dosis únicos abandonos foram de Nasr e Massa. É a primeira vz em que os dois únicos brasileiros da f1 abandonam na mesma prova.

Em fase complicada, Massa vive jejum incômodo

Massa
Massa teve fim de semana para esquecer (LAT Photographic)

Felipe Massa passa por momento importante para a continuidade de sua carreira na F1. Por isso, sua má fase na pista não poderia vir em pior ocasião. O brasileiro terminou entre os dez primeiros colocados nas seis primeiras corridas de 2016, mas, nas seis etapas seguintes, marcou apenas um ponto.

Massa não pontua há quatro corridas seguidas, o que não acontecia desde o início de 2009, quando passou as etapas iniciais do campeonato em branco. Em uma das corridas daquela sequência, o brasileiro foi nono colocado – só os oito primeiros pontuavam na época.

Contabilizando apenas términos entre os dez primeiros colocados, é a pior sequência de Massa desde os tempos de Sauber. Em suas últimas três participações em 2002 e a primeira em 2004 (ele passou 2003 afastado da F1), Massa acumulou quatro abandonos seguidos.

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Bruno Ferreira

Sempre gostou de automobilismo e assiste às corridas desde que era criança. A paixão atingiu outro patamar quando viu – e ouviu – um carro de F1 ao vivo pela primeira vez. Depois disso, o gosto pelas corridas acabou se transformando em profissão. Iniciou sua trajetória como jornalista especializado em automobilismo em 2010, no mesmo ano em que se formou, quando publicou seu primeiro texto no site Tazio. De lá para cá, cobriu GPs de F1 no Brasil e no exterior, incluindo duas decisões de título (2011 e 2012), além de provas de categorias como Indy, WEC, WTCC e Stock Car.