Numerama #26: Hamilton se consagra em Spa como o “rei da recuperação” da F1

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Lewis Hamilton viveu um fim de semana para lá de atípico no GP da Bélgica de 2016. Depois de sofrer diversas punições por troca de motor, o inglês precisou partir do fundão do grid e fazer uma corrida de recuperação, o que o fez com sucesso ao terminar em terceiro.

Curiosamente, não é a primeira vez em que o tricampeão mundial larga da parte de trás do pelotão e ainda assim fecha entre os três primeiros. Com o resultado, ele se tornou o piloto com mais vezes no pódio partindo de 20º no grid para trás.

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O GP da Bélgica também consagrou ainda mais a precocidade na categoria. O jovem Esteban Ocon participou de seu primeiro GP, e Max Verstappen bateu mais um recorde de juventude que durava 55 anos. Nico Rosberg, por sua vez teve um fim de semana tranquilo e igualou dois campeões mundiais em número de vitórias.

Confira as principais estatísticas da corrida em Spa-Francorchamps em mais uma edição do Numerama! Caso você lembre de algum detalhe que deixamos passar, fique à vontade para mencionar nos comentários!

A F1 é dos garotos

Ocon é mais um jovem a estrear na F1 (Manor)
Ocon é mais um jovem a estrear na F1 (Manor)

O GP da Bélgica marcou a estreia de um novo piloto na F1: Esteban Ocon, que substituiu Rio Haryanto na equipe Manor. Trata-se do 755º competidor a largar oficialmente em um GP na categoria, sendo o 70º de nacionalidade francesa.

A estreia de Ocon consagrou a cada vez mais visível precocidade da F1. Pela primeira vez na história da categoria uma largada contou com dois pilotos com menos de 20 anos: o francês debutou aos 19 anos, 11 meses e 11 dias, e Max Verstappen largou na prova com 18 anos, 10 meses e 29 dias.

Verstappen e mais um recorde de precocidade

Verstappen largou em segundo em Spa (Getty Images)
Verstappen largou em segundo em Spa (Getty Images)

Por falar em Verstappen, o holandês obteve a segunda posição do grid de largada em Spa. Assim, ele se tornou o piloto mais jovem da história a iniciar uma corrida da primeira fila.

A marca não era quebrada havia quase 55 anos. No GP da Itália de 1961, Ricardo Rodriguez largou em segundo aos 19 anos, 6 meses e 27 dias. O pole position mais jovem da história foi Sebastian Vettel (21 anos, 2 meses e 11 dias), no GP da Itália de 2008. Ou seja, Verstappen ainda tem bastante tempo para colocar mais um recorde no bolso.

Button com 300 GPs? Mais ou menos

Button está prestes a atingir marca histórica (McLaren)
Button está prestes a atingir marca histórica (McLaren)

Durante o fim de semana em Spa, alguns veículos noticiaram que Jenson Button alcançou a marca de 300 GPs na F1. Porém, há controvérsias: o livro de estatísticas apresenta divergências que colocam um ponto de interrogação na marca.

O GP da Bélgica de 2016 foi a 300ª corrida na qual Button esteve oficialmente inscrito. Em três delas, no entanto, o inglês não participou da largada, que é o acontecimento que, de acordo com as estatísticas, formaliza a participação de um piloto em uma corrida.

A primeira vez foi no GP de Mônaco de 2003, quando Button sofreu um acidente durante os treinos e não foi liberado para competir. Já no GP dos Estados Unidos de 2005, o inglês pilotava um dos carros com pneus Michelin que abordaram a corrida ainda na volta de apresentação. Por fim, no Bahrein, em 2015, sofreu uma falha mecânica antes da prova.

Por este critério, Button somente atingirá seu 300º GP na etapa da Malásia, no dia 2 de outubro. Até hoje, apenas dois pilotos obtiveram tal feito: Rubens Barrichello, com 323, e Michael Schumacher, com 307.

Hamilton, o rei das corridas de recuperação

Hamilton, de 21º a terceiro (Mercedes)
Hamilton, de 21º a terceiro (Mercedes)

Depois de passar por diversas trocas no motor, Hamilton foi obrigado a largar da 21ª posição do grid, e, mesmo assim, terminou em terceiro. Foi a terceira vez em sua carreira em que o inglês partiu de 20º na grelha para baixo e ainda assim subiu no pódio.

As outras vezes em que isso aconteceu foi na Alemanha-2014 (20º no grid, terceiro na corrida) e na Hungria-2014 (21º no grid, terceiro na corrida). Nenhum outro piloto da história da F1 obteve três pódios em provas nestas condições – quem mais chegou perto disso foi John Watson, com um pódio de 21º do grid e outro de 22º.

O curioso é que foi a sexta vez na carreira em que Hamilton largou de 20º para trás. Ou seja, em metades das provas em que larga do “fundão”, o inglês consegue participar da cerimônia regada a champanhe.

Outras marcas de destaque para o tricampeão

O resultado representou a Hamilton seu 97º pódio na F1. Com isso, ele fica empatado com Fernando Alonso como o terceiro piloto com mais términos entre os três primeiros. À frente estão Michael Schumacher (155) e Alain Prost (106).

O piloto do Mercedes #44 também registrou a volta mais rápida da prova. Foi a sua 31ª na carreira, o que o deixa à frente de Nigel Mansell como o inglês de maior destaque neste quesito. Os recordistas absolutos são Schumacher (77), Kimi Raikkonen (43) e Prost (41).

Rosberg iguala marca de campeões finlandeses

Rosberg venceu sem sustos em Spa (Mercedes)
Rosberg venceu sem sustos em Spa (Mercedes)

Com um fim de semana tranquilo, Rosberg registrou a 20ª vitória de sua carreira na F1. Assim, ele fica empatado com os campeões finlandeses Mika Hakkinen e Kimi Raikkonen no livro de estatísticas., em 14º O outro campeão mundial nórdico, o seu pai, Keke Rosberg, tem apenas cinco vitórias.

Todos os 20 triunfos de Nico na F1 foram conquistados pela equipe Mercedes. Trata-se do décimo piloto da história que conquista duas dezenas de vitórias por uma mesma equipe. O recordista, de forma não surpreendente, é Schumacher e suas 72 vitórias pela Ferrari.

Massa põe um ponto final ao jejum

Felipe Massa vinha em fase complicada na temporada, com quatro corridas seguidas fora da zona de pontuação. Em Spa, o brasileiro terminou com o 10º lugar e anotou mais um pontinho no Mundial.

Porém, o resultado volta a evidenciar o momento delicado de Massa. Se nas primeiras cinco corridas de 2016 o brasileiro teve como piores resultados dois oitavos lugares, nas últimas oito etapas ele não foi além de três décimos.

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Bruno Ferreira

Sempre gostou de automobilismo e assiste às corridas desde que era criança. A paixão atingiu outro patamar quando viu – e ouviu – um carro de F1 ao vivo pela primeira vez. Depois disso, o gosto pelas corridas acabou se transformando em profissão. Iniciou sua trajetória como jornalista especializado em automobilismo em 2010, no mesmo ano em que se formou, quando publicou seu primeiro texto no site Tazio. De lá para cá, cobriu GPs de F1 no Brasil e no exterior, incluindo duas decisões de título (2011 e 2012), além de provas de categorias como Indy, WEC, WTCC e Stock Car.