Numerama #29: Vitória de Ricciardo derruba marca da era híbrida da F1

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O GP da Malásia de 2016 certamente recompensou o fã que ficou acordado até tarde (ou que levantou mais cedo) para assistir à 16ª etapa da temporada da F1. Sepang viu uma prova cheia de alternativas, recheada de dramas e controvérsia, que viu Nico Rosberg ampliar sua liderança na tabela de olho no primeiro título mundial.

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O grande nome do domingo foi Daniel Ricciardo, que espantou o azar e venceu sua primeira em 2016. Seu triunfo representou a quebra de um tabu que durava desde o início da era híbrida da categoria, em 2014. Além disso, os problemas vividos por Lewis Hamilton (quebrou o motor enquanto liderava) e Rosberg (atingido por Sebastian Vettel na primeira curva) impediram a Mercedes de alcançar uma marca histórica.

A corrida também teve comemoração para Jenson Button, o novo “trezentão” da F1, e para a família Palmer, mais uma a colocar pai e filho na zona de pontuação na história da categoria. Vamos a mais uma edição do Numerama, com as principais estatísticas do GP da Malásia!

Hamilton, 100 vezes na frente

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Hamilton registrou sua 57ª pole na F1 (Mercedes)

A pole position conquistada no sábado representou a 100ª vez que Lewis Hamilton partiria da primeira fila do grid em um GP de F1. O único a obter a marca até então era Michael Schumacher, que largou entre os dois primeiros em 116 corridas em sua carreira.

O inglês agora possui em seu currículo 57 pole positions e 43 segundos lugares; em sua 100ª primeira fila, Schumacher tinha 61 vezes na posição de honra e 39 em segundo. E, por falar em uma centena, Hamilton buscaria no domingo obter o seu pódio de número 100. Infelizmente para o tricampeão, isso não aconteceu.

Voando baixo em Sepang

Volt mais rápida da história de Sepang foi registrada em 2005, por Alonso (Wikicommons)
Volt mais rápida da história de Sepang foi registrada em 2005, por Alonso (Wikicommons)

O tempo obtido por Hamilton no sábado, de 1min32s850, foi um dos mais velozes de toda a história do circuito malaio. O recorde absoluto da pista é de Fernando Alonso, que, no primeiro treino classificatório da etapa de 2005 (último ano dos V10 aspirados), registrou 1min32s582. Além do espanhol, outros três pilotos andaram mais rápido que Hamilton naquela sessão: Jarno Trulli, Giancarlo Fisichella e Kimi Raikkonen.

É importante lembrar que o asfalto de Sepang foi completamente refeito para a prova de 2016, o que proporcionou que os tempos caíssem significativamente em relação às marcas obtidas até o ano passado.

Mercedes desperdiça nova chance de fazer história

Hamilton sofreu quebra "doída" em Sepang (Mercedes)
Hamilton sofreu quebra “doída” em Sepang (Mercedes)

Os contratempos vividos por Hamilton e Rosberg em Sepang impediram a Mercedes de garantir, com cinco provas de antecipação, seu terceiro título de construtores consecutivo.

Além disso, a equipe alemã parou em dez vitórias seguidas e mais uma vez não conseguiu igualar o recorde absoluto, da McLaren, com 11 vitórias em sequência em 1988. Meses atrás, a Mercedes provavelmente igualaria a marca no GP da Espanha, mas tudo se perdeu com o acidente entre Hamilton e Rosberg na primeira volta.

Ano da Era Turbo com mais vencedores diferentes

Desde que os motores V6 turbo híbridos foram adotados, em 2014, esta é a temporada com mais vencedores diferentes. Daniel Ricciardo se tornou o quarto piloto a triunfar durante a temporada de 2016, juntando-se a Hamilton, Rosberg e a seu companheiro de equipe, Max Verstappen.

Em 2014, apenas Hamilton, Rosberg e Ricciardo venceram; o ano seguinte viu vitórias de Hamilton, Rosberg e Sebastian Vettel. Contudo, 2016 vem mantendo a marca de apenas duas equipes vencedoras no ano (Mercedes e Red Bull).

A primeira da Red Bull em três anos

Ricciardo e Verstappen anotaram 17ª dobradinha da Red Bull (Red Bull)
Ricciardo e Verstappen anotaram 17ª dobradinha da Red Bull (Red Bull)

A Red Bull conquistou em Sepang a sua primeira dobradinha desde o GP do Brasil de 2013, prova que encerrou a era V8 aspirada. De lá para cá, apenas a Mercedes havia selado os dois primeiros lugares do pódio.

Trata-se da 17ª dobradinha da equipe austríaca, a primeira sem contar com a dupla Sebastian Vettel-Mark Webber. Esta também foi a terceira vez que a Red Bull faz 1-2 em Sepang; a última delas, em 2013, foi marcada pelo polêmico episódio do “Multi 21”.

Ricciardo, mais uma largando de trás

Ricciardo nunca venceu partindo do top 3 do grid  (Red Bull)
Ricciardo nunca venceu partindo do top 3 do grid (Red Bull)

Esta foi a quarta vitória de Daniel Ricciardo na F1. Curiosamente, em todas as suas conquistas até o momento ele não partiu das posições de destaque no grid. Em sua primeira vitória, no GP do Canadá de 2014, o australiano largou em sexto; nos GPs da Hungria e Bélgica do mesmo ano, partiu, respectivamente, de quarto e quinto. Agora em Sepang, iniciou a prova em quarto.

Aliás, as duas vitórias mais recentes de Ricciardo tiveram uma curiosidade em comum: foram os dois últimos pódios nos últimos seis anos que não contaram com nenhum campeão mundial.

Button, o novo “trezentão” da F1

Button celebrou marca importante em Sepang (McLaren)
Button celebrou marca importante em Sepang (McLaren)

Jenson Button tornou-se oficialmente o terceiro piloto a alcançar 300 largadas na F1. Além do campeão de 2009, apenas Michael Schumacher e Rubens Barrichello haviam atingido tal marca.

Estreante no GP da Austrália de 2000, Button chegou a 100 largadas na F1 na China, em 2005, prova na qual terminou em oitavo. O GP 200 aconteceu na Hungria, em 2011, com direito a vitória no molhado. Em Sepang, fechou no nono lugar. O inglês encerrará a temporada de 2016 com 305 provas no currículo antes de tirar um ano sabático.

Palmer, mais um filho de piloto a pontuar na categoria

Jolyon e Jonathan, mais uma dupla de pai e filho com pontos na F1 (Renault)
Jolyon e Jonathan, mais uma dupla de pai e filho com pontos na F1 (Renault)

Jolyon Palmer completou o GP da Malásia de 2016 na 10ª posição, o que resultou em seu primeiro ponto na categoria. O inglês se tornou o 333º competidor de toda a história a terminar ao menos um GP na zona de pontuação.

A família Palmer também se tornou a 10ª a ter pai e filho com pontos na F1. O pai de Jolyon, Jonathan Palmer, anotou 14 tentos entre 1987 e 1989. Além deles, os pais e filhos que pontuaram são Wilson e Christian Fittipaldi, Graham e Damon Hill, Mario e Michael Andretti, Gilles e Jacques Villeneuve, Keke e Nico Rosberg, Satoru e Kazuki Nakajima, Nelson e Nelsinho Piquet, Jan e Kevin Magnussen e Jos e Max Verstappen.

Assista ao DEBATE MOTOR #47: A agitação no mercado de pilotos da F1 para 2017

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Bruno Ferreira

Sempre gostou de automobilismo e assiste às corridas desde que era criança. A paixão atingiu outro patamar quando viu – e ouviu – um carro de F1 ao vivo pela primeira vez. Depois disso, o gosto pelas corridas acabou se transformando em profissão. Iniciou sua trajetória como jornalista especializado em automobilismo em 2010, no mesmo ano em que se formou, quando publicou seu primeiro texto no site Tazio. De lá para cá, cobriu GPs de F1 no Brasil e no exterior, incluindo duas decisões de título (2011 e 2012), além de provas de categorias como Indy, WEC, WTCC e Stock Car.

  • Dox

    Gosto dessas curiosidades estatístico-históricas.
    Mas quando envlve pontuação, aí me descabelo.
    É que o sistema mudou várias vezes, e hoje até o 10º colocado marca seu pontinho, alem do 1º conseguir 25, quando já foi apenas 8.
    Mas não sou só eu, e aí descobri um Zé não sei de onde, que fez um site-planilha onde a gente escolhe o critério a ser adotado para comparar os pilotos de F1.
    http://formula1.markwessel.com
    No caso de pai/filho não sei se mudaria alguma coisa usando a pontuação atual em todas as temporadas, mas com certeza mudaria se usássemos as que contemplam até o 6º colocado, que abrangeu a maioria das temporadas.