Numerama #6: Ferrari quebra série histórica de poles do motor Mercedes em Cingapura

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Quando se trata de hierarquia de forças, o GP de Cingapura, disputado na manhã do último domingo (20), foi o mais atípico da temporada.

À la 2013, Sebastian Vettel, da Ferrari, liderou o páreo de ponta a ponta e as Mercedes, as habituais guias no pelotão da frente, sequer chegaram ao pódio – Nico Rosberg cruzou em quarto e Lewis Hamilton, com uma falha na unidade força, abandonou na 33ª volta.

Mas não foi apenas o irrisório desempenho da marca de Stuttgart como construtora que chamou a atenção. Pela primeira vez desde que os motores V6 turbocomprimidos foram adotados, no início de 2014, um propulsor alemão ficou fora da pole position.

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No total, foram 31 poles consecutivas para o motor Mercedes desde o GP da Austrália de 2014 até o GP da Itália, disputado no último dia 6 – um recorde na história do esporte. Nem o Ferrari na era Schumacher e o Renault na era Mansell/Prost impuseram uma hegemonia tão duradoura.

Alonso foi o último a conquistar uma pole pela Ferrari, em 2012 (Divulgação)
Alonso foi o último a conquistar uma pole pela Ferrari, em 2012 (Divulgação)

Fora a queda deste recorde histórico, a qualificação em Marina Bay também significou um retorno triunfal de Maranello ao posto de honra do grid. Desde julho de 2012, no GP da Alemanha, um carro da Ferrari não se posicionava no colchete mais avançado do asfalto.

Naquela ocasião, como no último domingo, a vitória ficou com os italianos, só que com Fernando Alonso a bordo da F2012.

Hamilton perde chance de igualar recorde de poles consecutivas de Senna

Embora a maioria de suas marcas tenha sido batida por Michael Schumacher no início dos anos 2000, Ayrton Senna ainda detém alguns recordes bastante significativos na F1. Um deles é o de poles positions em sequência: entre o GP da Espanha de 1988 e o GP dos EUA de 1989, somente o paulistano largou na frente. Ao todo, foram oito páreos consecutivos liderando o grid.

Caso anotasse a marca mais competitiva em Marina Bay no último fim de semana, Lewis Hamilton teria igualado a marca do ídolo sul-americano. Mas o britânico foi – bizarramente, ao menos para os parâmetros de 2015 – 1s4 mais lento que a Ferrari na tomada de tempos, o que, mais uma vez, manteve intacto o recorde para Senna.

Senna ainda é o recordista de poles consecutivas na F1 (Divulgação)
Senna ainda é o recordista de poles consecutivas na F1 (Divulgação)

E quando falamos “mais uma vez”, é porque, ao menos nos últimos 25 anos, três pilotos estiveram na iminência de quebrar a marca do brasileiro e falharam. Primeiro, Alain Prost, com a Williams, obteve sete poles seguidas entre os GPs de África do Sul e Canadá em 1993 e fraquejou. Posteriormente, Schumacher, entre Itália-2000 e Brasil-2001, também parecia próximo de alcançar o rival, mas também malogrou.

E, no último páreo, foi a vez de Hamilton, que desde a etapa de Mônaco largava no posto de honra do grid e não pôde manter a tendência.

Por outro lado, ao conquistar sua 42ª vitória na carreira em Cingapura, Sebastian Vettel se tornou o terceiro maior vencedor da história da F1. Com o triunfo, o germânico ultrapassou justamente Senna na lista de vitoriosos e agora está a nove de igualar Prost.

Em porcentagem, os números do alemão também chamam a atenção: das corridas que disputou na F1 desde 2007, Vettel venceu 27,6%, perdendo no quesito apenas para Juan Manuel Fangio (47,1%), Alberto Ascari (40,6%), Jim Clark (34,7%) – três volantes que correram nos anos 50 e 60 – e Schumacher (29,6%). No atual grid, seu rival mais próximo é Hamilton, com 24,8% de vitórias/corridas disputadas.

Assista à análise do GP de Cingapura de 2015 na edição #9 do Debate Motor:

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Lucas Berredo

Natural de Belém do Pará, tem uma relação de longa data com o automobilismo, uma vez que, diz sua família, torcia por Ayrton Senna quando sequer sabia ler e escrever. Já adolescente, perdeu o pachequismo e passou a se interessar pelo estudo histórico do esporte a motor, desenvolvendo um estranho passatempo de compilar matérias e dados estatísticos. Jornalista desde os 18 anos, passou por Diário do Pará e Amazônia Jornal/O Liberal, cobrindo primariamente as áreas cultural e esportiva como repórter e subeditor. Aos 22, mudou-se para São Paulo, trabalhando finalmente com automobilismo no site Tazio, onde ficou de 2011 até o fim de 2013. Em paralelo ao jornalismo, teve uma rápida passagem pelo mercado editorial. Também é músico.