O dia em que Giancarlo Minardi pilotou pela primeira vez um de seus F1

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Não é preciso ser um fã tão aprofundado em F1 para conhecer as peripécias da Minardi, modesta escuderia italiana que, mesmo sem nunca ter tido estrutura para lutar por vitórias ou subido ao pódio uma vezinha sequer, sobreviveu a 21 anos de categoria. Tudo isso tendo, durante metade desse período, de forma perene o carro mais fraco do grid.

É justamente a resiliência de uma operação mantida quase que exclusivamente por paixão o que faz de si tão especial. Giancarlo Minardi, seu fundador, sabe disso, e vem promovendo desde 2015 o Historic Minardi Day (Dia Histórico da Minardi, na tradução do inglês). A edição de 2017, sem dúvidas, foi a mais legal até agora, e o Projeto Motor vai mostrar por quê.

1. Porque o criador pilotou uma cria sua pela primeira vez

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Diante de 5 mil pessoas que visitaram o autódromo de Ímola no fim de semana do evento, Giancarlo Minardi fez história. Com quase sete décadas de vida e 38 anos depois de fundar o time em Faenza, o construtor enfim resolveu pilotar uma de suas crias. O escolhido foi o modelo M192, equipado com o charmoso motor Lamborghini V12 e que protagozinou uma campanha complicada em 1992, com apenas um pontinho marcado.

“Acho que bati o recorde da pista. O de volta mais lenta”, brincou o espirituoso ex-dirigente quando saiu do carro. Detalhe: Giancarlo teve de dar suas voltinhas calçado com pneus lisos numa pista úmida. Palmas para sua coragem! O M192 em questão pertence ao colecionador holandês Fritz Van Eerd, que compareceu à celebração e foi o responsável por preparar o carro e também o elegante capacete usado por Giancarlo, nas cores originais da esquadra – preto (ou seria azul?), amarelo e branco.

Confira acima uma galeria de fotos de Minardi, o criador, a bordo da Minardi, a cria. Logo abaixo veja dois vídeos. O primeiro registra o momento em que Giancarlo sai dos boxes (e quase deixa a barata morrer):

O segundo mostra uma entrevista (em italiano) do construtor logo após a experiência:

2. Porque o culto à Minardi ainda é muito forte

Receber 5 mil pessoas num fim de semana de chuva apenas para lembrar de uma escuderia extinta há 12 anos é um feito notável. Mas não ficou só nisso. Outros clássicos da própria Minardi, como o M189 (1989), o M198 (98), o M02 (2000), o PS01 (2001) e o PS05 (2005) também apareceram. Veja na galeria abaixo.

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Pilotos que ajudaram a construir a história da esquadra também estiveram presentes: Pierluigi Martini (o “Sr. Minardi”), Alessandro Nannini, Emanuele Pirro, Luca Badoer, Roberto Moreno, Gastón Mazzacani, Andrea Montermini, Giovanni Lavaggi, Gabriele Tarquini, Nicola Larini e Riccardo Patrese jogaram uma partida de golfe em homenagem ao time na sexta-feira anterior. Alguns deles aproveitaram para aparecer em Ímola no fim de semana e Emanuele até deu uma voltinha com o M189.

Também havia uma loja oficial com souvenirs e até peças de motor à venda. Abaixo alguns depoimentos (em italiano):

3. Porque havia outros clássicos das pistas

O dia era da Minardi, mas também houve abertura para outros carros clássicos de F1, F2, F3, protótipos de resistência e até carros antigos de rua. Confira nesta outra galeria:

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Modesto Gonçalves

Começou a acompanhar automobilismo de forma assídua em 1994, curioso com a comoção gerada pela morte de Ayrton Senna. Naquela época, tomou a errada decisão de torcer por Damon Hill em vez de Michael Schumacher, por achar mais legal a combinação da pintura da Williams com o capacete do britânico. Até hoje tem que responder a indagações constrangedoras sobre a estranha preferência. Cursou jornalismo pensando em atuar especificamente com automóveis e corridas, e vem cumprindo o objetivo: formado em 2010, foi consultor do site especializado Tazio de meados de 2011 até o fim de 2013; desde maio de 2015 compõe o comitê editorial do Projeto Motor.