O que a F1 e a Nascar podem aprender uma com a outra

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Com a proximidade do GP do EUA, o pessoal do Projeto Motor me pediu para escrever sobre o que a F1 e a Nascar poderiam aprender com a outra para evoluírem. Mas antes de entrar neste assunto, queria voltar no tempo e falar da coragem da categoria de fórmula ao encarar o certame americano em seu próprio território.

Quando foi anunciada a data da primeira corrida no pomposo circuito de Austin, a data me chamou a atenção. Era no dia da final da Sprint Cup em 2012. Enquanto Lewis Hamilton levantava o troféu de vencedor, Brad Keselowski escrevia seu nome na história da Nascar ao vencer seu primeiro título.

Já em 2014 a audácia foi ainda maior. A corrida foi marcada no mesmo dia da etapa do Texas. Para quem não conhece a geografia estadunidense, o COTA (Circuito of the Americas) fica a 355 quilômetros de distância do Texas Speedway. Isso mesmo, duas corridas no MESMO estado.

Circuito das Américas, em Austin, recebe o GP dos EUA
Circuito das Américas, em Austin, recebe o GP dos EUA

Esse ano, por uma questão de calendário, o embate de datas será com a corrida de Talladega, a sexta do Chase.

Voltando ao tema original, sou um grande fã da Nascar e minha dificuldade era pensar no que a categoria poderia aprender com a F1. Não que eu considere as corridas com carros coloridos em oval a coisa mais perfeita do mundo, mas acho que hoje tem mais atrativos.

Mesmo assim, sempre existe algo a melhorar e, para mim, a Nascar deveria se internacionalizar mais. A F1 é uma categoria global. Para saber isso, é fácil. Pergunte a um amigo seu que diz gostar de corridas se ele conhece o Pastor Maldonado. A resposta deverá ser sim. Agora pergunte se ele conhece o Carl Edwards. Talvez ele pense que é algum bar de jazz.

Nesse quesito, a F1 dá um banho na Nascar e toma uma lavada de outras ligas americanas. Aliás, o molde de internacionalizar a marca “Nascar” deveria seguir os da NBA, NFL ou MLB. Um intercâmbio com os torcedores, levar a marca para outros países com ações pontuais, mas constantes. Acho desnecessária uma etapa de campeonato aqui no Brasil ou na China, mas um carro andando em uma avenida seria algo legal de ver.

Já o campeonato organizado pela FIA, a meu ver, tem muito a aprender com a Stock Car americana. Não pense você que eu aumentaria o número de voltas, faria corridas em ovais ou usaria um macaco de borracharia para trocar os pneus. Mas são ações simples que dariam um ar mais simples à principal categoria de esporte a motor do mundo.

ACESSO AOS PILOTOS

Deveria haver um real acesso aos pilotos e aos carros. Não como é feito hoje, uma visitação “fake” na frente dos pits. O fã precisa encontrar seus ídolos, tirar uma foto, ver os carros de perto. Em uma etapa da Nascar, você pode adquirir um passe especial e circular quase livremente pelas garagens. Fui à uma etapa com essa credencial e vi todos os carros de perto, falei com pilotos e quase fui atropelado pelo Montoya. Ok, isso também achei um exagero.

Nascar faz de suas corridas uma verdadeira festa
Nascar faz de suas corridas uma verdadeira festa

TRANSMISSÕES DE TV

As transmissões da Nascar são muito bonitas. Várias câmeras em todos os ângulos. Raramente um acidente passa em branco pelas vistas de quem está em casa.

A F1, por exemplo, ainda não tem câmeras “on board” em Full HD (está em estudo para 2016) e o acidente do Jules Bianchi só foi visto graças a um torcedor que filmou com o celular.

MÍDIAS SOCIAIS

A F1 descobriu o Twitter faz pouco tempo. Diferentemente do Bernie, eu acho importante ter jovens assistindo e a “molecada” está ligada nas mídias sociais. Conectividade é tudo.

MENOS FRESCURA NAS CORRIDAS

Prova da Nascar em Daytona
Prova da Nascar em Daytona

Fulano pensou em ultrapassar Cicrano e é punido. Alonso trocou o motor novamente e perdeu 258 posições no grid. Regras são regras, mas a F1 está fresca de mais. Não quero uma corrida de bate-bate, todavia nem todos os toques devem ser punidos com alguma coisa.

A agressividade dos pilotos em ultrapassar deve ser estimulada de maneira natural, não com artifícios como asa móvel. Sobre os toques, deixo o exemplo da novata Fórmula E, que não puniu nenhum piloto por bater em outro piloto na sua primeira temporada e teve corridas muito divertidas para o público. Punições devem ocorrer. Mimimi não!

VOLTAR ÀS ORIGENS

O mundo mudou, mercados mudaram, mas a essência deve permanecer. F1 fora de pistas importantes na Europa é inaceitável. Voltar à origem é importante e a melhor ação da Nascar nesse ano foi o retorno da corrida de Darlington à sua data original no feriado do dia do trabalho. Diversas equipes fizeram esquemas de pintura relembrando pilotos e carros vencedores do passado.

COMEMORAÇÕES

Existe algo melhor do que vencer uma corrida? Para a F1, deve existir. O piloto não pode dar um zerinho, saudar seus torcedores ou até mesmo pegar a bandeira do seu país. Já na Nascar, o cara ganha a prova, faz toda sua festa e tem o espaço dele para dar sua entrevista e exibir os patrocinadores. (Bernie says: Money rules)

Jamais tiraria o pódio. O melhor modelo deste estilo vem da MotoGP, em que os pilotos também fazem comemorações mais diversas e também participam da premiação ao estilo mais tradicional, com os três primeiros recebendo os troféus e ouvindo o hino.

Essas são minhas “propostas” de intercâmbio entre F1 e Nascar. Caso você considere um absurdo tudo o que eu falei, está convidado para assistir à uma corrida da Nascar no Fox Sports.

Pode até ser no outro domingo, já que nesse as corridas serão praticamente no mesmo horário.

Abraço!

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Thiago Alves

Acompanha automobilismo desde os três anos de idade, já que seu pai o acordava para ver as corridas de F1. Foi pegando gosto pela coisa e tentou ser um piloto de autorama sem sucesso. Fez uma nova investida em corridas vídeo game e teve resultados razoáveis quando começou a jogar Nascar. Desde então, segue a categoria americana e resolveu escrever sobre ela. Em seguida passou a comentar as longas corridas em ovais e de outras categorias também. Passou por Bandsports, Terra TV, Canal Speed e desde 2012 está no Fox Sports, canal em que também comenta os jogos da MLB.