O que os grandes campeões da F1 faziam com a idade de Max Verstappen?

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Qualquer indivíduo na sociedade ocidental não sabe muito bem o que fazer da vida com 18 anos. Menos Max Verstappen. No domingo (15), o neerlandês, 18 primaveras no currículo, venceu o GP da Espanha, tornando-se mais jovem ás na história da F1 a ocupar o posto de honra no pódio.

A assustadora proeza de Verstappen chocou o esporte. O recorde anterior, pertencente a Sebastian Vettel, era de 21 anos e 73 dias. Em Barcelona, no entanto, a marca foi simplesmente pulverizada – Max, a bordo do Red Bull RB12, venceu aos 18 anos e 227 dias.

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Não obstante, nos últimos anos, todos os recordistas de precocidade na F1 – Fernando Alonso, Lewis Hamilton e Vettel – acabaram se tornando campeões. Talvez este seja o destino de Verstappen. Mas o que estariam fazendo seus antecessores com 18 anos? No kart, nas categorias de base ou simplesmente alheios ao automobilismo?

O Projeto Motor resolveu fazer este exercício. Escolhemos dez campeões mundiais, dos anos 50 à atual década, e investigamos o que eles realizavam na idade em que Verstappen, o abissal talento da Red Bull, conquistou sua primeira vitória na F1. Confira abaixo.

 

MICHAEL SCHUMACHER (1994/95/2000/01/02/03/04)

Schumacher - 1988

Em 1987, o maior piloto da história dava seus últimos passos no kart europeu. Dois anos antes, Schumacher (no centro da foto acima) se juntara a Adolf Neubert, um revendedor da Eurokart. Com a fabricante alemã, ele venceu, aos 18 anos, o Alemão e o Europeu da modalidade. Só no ano seguinte que passou aos monopostos, correndo na F-Ford Alemã e na F-Konig. Na mesma época, abandonou a escola secundária e passou a trabalhar como mecânico.

 

JUAN MANUEL FANGIO (1951/54/55/56/57)

Fangio - 1950

Aos 18 anos, o ás dos Pampas sequer pensava em trabalhar profissionalmente com automobilismo. À época, Fangio, vítima de pleurisia (inflamação aguda na pleura), passou boa parte do tempo confinado a uma cama. Pouco antes do evento, porém, ele teve uma breve experiência como mecânico-assistente em uma concessionária da Studebaker. Mas a carreira no esporte a motor só começaria aos 23 anos, em 1934, pouco depois de encerrar o serviço militar.

 

AYRTON SENNA (1988/90/91)

Ayrton Senna - 1980

Como Schumacher, Ayrton Senna ainda dava seus passos no kart aos 18 anos. Em 1978, ele foi campeão sul-americano e brasileiro, além de participar pela primeira vez do Mundial. Em Le Mans, encerrou o campeonato na sexta posição. Três anos depois, começaria a carreira nos monopostos, mudando-se para a Inglaterra com o objetivo de disputar a F-Ford 1600.

 

ALAIN PROST (1985/86/89/93)

Prost - 1981

Em 1973, o Professor venceu com 18 anos o Francês e o Europeu Júnior de Kart, em seu primeiro ano na modalidade. Ainda na mesma temporada, impressionou ao terminar o Mundial da categoria sênior em 14º. Depois de repetir os títulos europeu e francês entre os juniores, Prost venceu o prestigiado prêmio “Volante Elf” em 1975 e se transferiu para os monopostos, disputando a F-Renault no ano seguinte. Ele já tinha 21 anos.

 

JIM CLARK (1963/65)

Clark - Monza, 1967

Filho único de um casal de fazendeiros, Clark, como Fangio, ainda não pensava em atuar no automobilismo profissional aos 18 anos. Em 1954, ele participava de desfiles de carro e disputava provas regionais de turismo pelo Ednam Young Farmers’ Club, uma pequena associação automobilística no sudeste da Escócia. À época, Clark tinha que esconder o hobby dos pais, que se opunham à ideia.

 

SEBASTIAN VETTEL (2010/11/12/13)

Vettel - 2004

Prodígio dos monopostos, Vettel já estava em seu terceiro ano na modalidade aos 18 anos. Em 2005, tutelado pela BMW, ele disputou a F3 Euroseries e terminou o campeonato em quinto lugar, com seis pódios no bolso. Além disso, fez seu primeiro teste na F1, pilotando um Williams FW27 como prêmio pelo título da F-BMW Alemã – à época a equipe de Grove tinha uma parceria com a fabricante de Munique. No mesmo ano, também participou do GP de Macau e terminou em terceiro.

 

JACKIE STEWART (1969/71/73)

Stewart - anos 60

Em 1957, o escocês se dedicava ao tiro ao alvo, um esporte cuja analogia com o automobilismo é a mesma do mandarim com as línguas latinas. Isso porque seu irmão mais velho Jimmy, também piloto, ficara gravemente ferido num acidente durante as 24 Horas de Le Mans. Por conta disso, a família desencorajou o tricampeão a seguir os passos do irmão. Não durou muito tempo: em 1961, já com 22 anos, Jackie não hesitou em se tornar piloto de testes para um amigo da família, Barry Filer, no Oulton Park. Na mesma época, abandonou o tiro ao alvo e passou a se dedicar ao esporte a motor.

 

LEWIS HAMILTON (2008/14/15)

Hamilton - anos 90

Com 18 anos, Hamilton foi campeão da F-Renault Inglesa pela Manor. Foi seu primeiro título expressivo nas categorias de base, com 10 vitórias, 11 poles e 13 pódios conquistados em 15 etapas. Já naquela época, aliás, o britânico passou a despertar o interesse das equipes na F1. Há inclusive rumores de que, no ano seguinte, receberia um convite para correr pela Williams – uma manobra vetada pela BMW, indisposta a custear a carreira do inglês.

 

NELSON PIQUET (1981/83/87)

Piquet - anos 80

Piquet ainda estava nos Estados Unidos aos 18 anos, completando o high school – o ensino médio dos ianques – e dedicando-se ao tênis. Demorou apenas um ano, porém, para o candango retornar ao Brasil e ao kart e, ainda em 1971, conquistar o título brasileiro na modalidade.

 

NIKI LAUDA (1975/77/84)

Lauda - 1971

O austríaco nutria um interesse obsessivo por automóveis desde a pré-adolescência. Mas a oposição da família ao automobilismo preveniu Lauda de pensar numa carreira profissional durante seus tempos de puberdade. Assim, aos 18 anos, ele ainda matutava como entrar na “cena” sem a aquiescência dos pais. Conseguiu no ano seguinte, quando disputou uma subida de montanha com um Mini e terminou em segundo. A mudança para os monopostos veio apenas em 1969, na F-Vee.

 

Assista à edição #27 do DEBATE MOTOR: Os circuitos são um problema da F1 atual?

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Lucas Berredo

Natural de Belém do Pará, tem uma relação de longa data com o automobilismo, uma vez que, diz sua família, torcia por Ayrton Senna quando sequer sabia ler e escrever. Já adolescente, perdeu o pachequismo e passou a se interessar pelo estudo histórico do esporte a motor, desenvolvendo um estranho passatempo de compilar matérias e dados estatísticos. Jornalista desde os 18 anos, passou por Diário do Pará e Amazônia Jornal/O Liberal, cobrindo primariamente as áreas cultural e esportiva como repórter e subeditor. Aos 22, mudou-se para São Paulo, trabalhando finalmente com automobilismo no site Tazio, onde ficou de 2011 até o fim de 2013. Em paralelo ao jornalismo, teve uma rápida passagem pelo mercado editorial. Também é músico.

  • Claudio Antonio Cesario Dasilv

    Não sei mas acho que estão exagerando com esta vitória de Max não estão não.?Só espero que não apedrejem o menino quando as Mercedes voltarem a pista e a ida na F1 voltar ao normal .

    • castilho17

      O espetaculo foi a vitoria e sim, so veio pq as mercedes se enroscaram e cairam fora.. mas vc duvida que com as mercedes ali ele não brigaria pelo podio??

      • Claudio Antonio Cesario Dasilv

        Acho que se a Mercedes estivessem na pista haveria uma outra estrategia , pode até ser que ele conseguisse um pódio, mas teria mais dificuldades pois seu companheiro de equipe e as Ferrari viriam com mais agressividade .

  • Gustavo Segamarchi

    Matéria muito legal. Realmente, muito interessante vermos o começo da fase adulta dos grandes campeões da F1.

    Nelsão ainda estava na boa e, provavelmente pegando algumas menininhas lá nos EUA, KKKK.

    Uma coisa que me deixa triste, é vermos as fotos do Schummy sorrindo e sabermos que ele hoje está em uma cama e vegetando.

    Coitado do Schummy :-(

    Que Deus o proteja.

    • castilho17

      pelo que imagino do estado dele (felizmente a familia preserva os detalhes e a privacidade), acho que é pior que a morte em si.. é muito triste estar em uma condição física tão limitada..

      • Gustavo Segamarchi

        Eu sou contra a família ficar escondendo o estado de saúde dele. Isso já virou infantilidade, e não mais privacidade.

        A Família sabe que os fãs querem notícias sobre o Schummy, e se ele morrer, de nada vai adiantar a família ter escondido tudo como esconde.

        Acho que um apoio moral mais direto dos fãs seria muito importante para o Schummy e família.

        • castilho17

          faz sentido, mas acho melhor assim, fechado, do que se fosse um “reallity show” macabro..

          alguns boletins médicos eventuais seriam bons para cortarem as especulações dos tabloides e teorias absurdas que surgem as vezes..

          • Gustavo Segamarchi

            Isso, mandou bem.

            Alguns boletins médicos para desmentir as mentiras de tablóides.

          • castilho17

            o carinho dos fãs ele sempre terá..

  • Alexander, NotTheKing

    Pena que o Max não tem carisma algum, herdou do pai a arrogância, espero que mude um pouco.

    • castilho17

      nada muito diferente de um holandês médio..
      vamos ver se quebra a timidez com o tempo e o sucesso..