Quatro Rodas

Oito histórias para ficar de olho na retomada da F1 em 2019

0

As quatro semanas de pausa acabaram e a F1 está pronta para retomar suas atividades na temporada de 2019. Serão mais nove corridas pela frente até o começo de dezembro, sendo que há muita coisa que ainda está em aberto e deve ser vista com atenção.

Até o momento, a luta pelo título já está encaminhada em favor do hexacampeonato de Lewis Hamilton, que ostenta uma vantagem relativamente confortável para seu companheiro de Mercedes, Valtteri Bottas.

Fique ligado em nossas redes sociais: 
Twitter – @projetomotor
Facebook – Projeto Motor
Youtube – Projeto Motor
Instagram – @projetomotor

No entanto, há oito histórias que devem ser observadas e que serão importantes para o desdobramento da categoria, tanto em efeito imediato como de médio prazo.

Mudanças no grid, mercado de pilotos, desenvolvimento de motores, luta no pelotão intermediário e mais: confira os tópicos para ficar de olho na maratona final da F1 na temporada de 2019.

Sentiu que faltou algo? Deixe seu comentário no espaço abaixo e diga o que você quer observar nesta segunda fase de campeonato.

1 – Como Albon irá aproveitar a inesperada chance na Red Bull?

(Mark Thompson/Getty Images)

A principal novidade para a segunda parte da temporada da F1 certamente é a promoção, com efeito imediato, de Alexander Albon da Toro Rosso para a Red Bull, no lugar de Pierre Gasly. Além da mudança de piloto em uma das principais equipes da categoria – o que já seria uma grande notícia -, acompanhar o desempenho do tailandês será importante por conta da luta pela vaga em 2020.

A Red Bull passa a ter Gasly e Daniil Kvyat na Toro Rosso e Albon na Red Bull. Nenhum dos três está garantido para a próxima temporada. Max Verstappen, claro, é o único que certamente estará em um dos quatro carros dos touros vermelhos. Por isso, o que Albon fizer será um indicativo sobre se a equipe austríaca terá que recorrer a alguém que está fora da F1 hoje, ao mercado de pilotos (alguém fora de seu programa) ou se poderá contar com algum dos seus atuais ases.

2 – Como Gasly vai reagir ao rebaixamento?

Nesta questão toda da Red Bull, a reação de Gasly será importante para a continuidade do francês dentro da F1. Em 2016, substituído por Max Verstappen no time principal, Kvyat não se encontrou na Toro Rosso, abatido pelo rebaixamento. Precisou passar um ano fora do Mundial para finalmente ter uma nova chance.

Gasly não poderá acusar o golpe. Caso ainda tenha alguma pretensão na F1, ele precisará reagir rápido e ter bons resultados para, no mínimo, se manter na Toro Rosso em 2020.

3 – A guerra de desenvolvimento de motores

Nesta segunda fase da temporada, o desenvolvimento de motores continuará a toda. A Mercedes espera manter sua equipe à frente no Mundial, mas sabe que não pode parar de melhorar sua unidade de potência para não sofrer novos ataques em pistas de alta.

A Ferrari tem mostrado boa confiança na potência de seus propulsores, no entanto, sofreu com problemas de confiabilidade em corridas recentes. A Renault ainda quebra sua cabeça para conseguir melhorar a força dos motores sem novas quebras, que teimam em seguir na rotina da marca.

De qualquer maneira, a maior parte das atenções estará sobre a Honda. Com duas vitórias em 2019, a montadora japonesa admite não estar no nível de Ferrari e Mercedes, porém, vem evoluindo e já começa a incomodar, principalmente com seu encaixe no trabalho com a Red Bull. Será que os japoneses encontraram finalmente os parceiros ideais para um projeto de longo prazo na F1?

Essa segunda metade de 2019 será um bom indicador sobre o que esperar para a próxima temporada.

4 – A Ferrari vai ter sua chance de vencer pela primeira vez no ano?

A grande decepção da primeira parte do campeonato, a Ferrari busca uma ou algumas vitórias para a apagar a campanha abaixo do esperado em 2019 até aqui. O time que dominou a pré-temporada, passou perto da vitória em pelo menos três oportunidades, mas deixou o triunfo escapar pelas mãos. E pior, viu a Red Bull subir ao lugar mais alto do pódio por duas vezes.

Uma reação da Ferrari ainda em 2019, mais do que qualquer estatística, servirá também para apaziguar os ânimos em Maranello. A pressão na nova direção da equipe de F1, comandada pelo engenheiro Mattia Binotto, está subindo e pede por uma resposta rápida para o projeto seguir.

E além da equipe e dos carros, uma boa segunda parte de temporada passa pelos pilotos. Charles Leclerc está evoluindo, mas ainda demonstra a inconsistência de um jovem com menos de dois campeonatos nas costas. Será ele o responsável por acabar a seca de vitórias da Ferrari?

Do outro lado do box, no entanto, é onde está a grande panela de pressão. Com erros de pilotagem e muitos altos e baixos para um tetracampeão, Sebastian Vettel está na mira de muita gente. O desempenho do alemão no restante da época será visto de muito perto por todos: críticos e admiradores.

5 – A instável luta da Renault pelo crescimento na F1

A equipe francesa é outra que deixou a desejar na primeira fase da temporada. O objetivo para 2019 era dar um salto ainda maior na relação de forças, quem sabe encostando no top 3 e de desvencilhando ainda mais do pelotão intermediário – e a contratação do badalado Daniel Ricciardo simbolizou tais ambições.

Mas não foi nada disso que aconteceu. O modelo da Renault, o R.S.19, ainda sofre de inconsistência e em algumas pistas acaba relegado ao meio do bolo. Com a respeitável dupla ao volante formada por Ricciardo e Nico Hulkenberg, o time fica com poucas justificativas para explicar o rendimento.

O motor também é uma área que ainda exige melhoras, uma vez que a unidade de potência francesa ainda não apresenta o nível desejado tanto em termos de performance quanto de confiabilidade. Isso, no entanto, não explica toda a temporada difícil, uma vez que a McLaren, que é empurrada pelos propulsores da Renault, faz temporada mais forte.

A própria Renault explicou que detectou as fraquezas do carro, mas que só será possível resolvê-las de forma integral no novo modelo de 2020. Até lá, a panela de pressão ficará ainda mais intensa, então a segunda metade do ano será desafiadora pelos lados de Enstone e Viry-Chatillon.

6 – A Haas continuará batendo cabeça dentro e fora da pista?

Outra equipe que anda batendo cabeça durante 2019. Como já explicamos aqui no Projeto Motor, a Haas perdeu um pouco o bonde na concepção do novo modelo, o que representa um balde de água fria após a campanha forte realizada no ano passado.

Dentro da pista, o modelo VF-19 simplesmente não se encontrou com o uso dos novos pneus da Pirelli, o que vê constantemente uma queda bruta de rendimento do time da classificação para a corrida.

A tendência deixou a equipe encucada a ponto de tomar uma medida drástica: nas últimas provas, colocou Romain Grosjean para andar com o mesmo conjunto usado na abertura do campeonato, na Austrália, enquanto que Kevin Magnussen usava o modelo atualizado a efeito de comparação.

No entanto, isso não poderá ser repetido em efeito imediato. As próximas etapas serão disputadas em Spa-Francorchamps e Monza, duas pistas de alta velocidade, de modo que o carro até então usado por Grosjean não tem a configuração necessária para andar com o pacote de menor pressão aerodinâmica.

A Haas também sofre dificuldades com o imbróglio vivido por sua principal patrocinadora, a nebulosa Rich Energy, que lavou roupa suja em público e causou situações para lá de bizarras, inimagináveis para o nível de profissionalismo que se espera da F1 – veja mais detalhes aqui.

Em um pelotão intermediário cada vez mais acirrado, o desenvolvimento feito pela Haas no restante de 2019 será fundamental para que a equipe americana não saia dos trilhos para a temporada que vem.

7 – A briga de foice do pelotão intermediário: quem se sobressai?

É ali que se concentram as disputas mais intensas do grid. Além das já citadas Haas e Renault, que buscam uma necessária recuperação, há uma série de equipes que vão fazer de tudo para dar um salto de qualidade e terminar a campanha em alta.

A McLaren, por exemplo, tem como principal objetivo manter a tendência positiva que apresentou na primeira fase do ano. A equipe inglesa passou por uma reestruturação interna importante com a chegada de Andreas Seidl (novo chefe), e os resultados são visíveis – Carlos Sainz e Lando Norris colocaram o time no topo do pelotão intermediário.

O trabalho feito em Woking no restante de 2019 será importante para continuar com o bom momento, especialmente porque James Key, novo diretor técnico, já trabalha nos conceitos do modelo de 2020.

A Alfa Romeo é outra que busca um momento de crescimento, especialmente após a forte primeira metade de temporada de Kimi Raikkonen. O time sofreu um desfalque importante com a saída de Simone Resta, diretor técnico do time que foi convocado a retornar à Ferrari. Já Racing Point e Toro Rossso também enfrentam desafios diferentes, cada um à sua maneira, e se mobilizam para não perder terreno na acirrada luta do meio do pelotão.

8 – Olho no mercado para a temporada de 2020

Não tem como ser diferente: fim de agosto, começo de setembro, e os bastidores da F1 ficam em polvorosa nas movimentações de mercado visando à temporada seguinte. Em 2019 não foi diferente – curiosamente, um anúncio que não representa mudanças desencadeou um efeito dominó que pode ter consequências mais extensas.

Valtteri Bottas foi confirmado em mais uma temporada ao lado de Lewis Hamilton na Mercedes, o que faz com que os dois pilotos das Flechas de Prata tenham contratos de durações idênticas.

Sem terreno na Mercedes, Esteban Ocon precisou buscar uma alternativa, e não demorou muito até que ele fosse anunciado ao lado de Daniel Ricciardo na Renault para a temporada seguinte.

Isso, obviamente, deixa Nico Hulkenberg temporariamente sem vaga. Só que o alemão, que ainda goza de certo prestígio no paddock, esclareceu que não se vê pronto para deixar a F1, o que indica que ele tentará encontrar alguma oportunidade nas vagas que ainda estão disponíveis.

Algumas opções parecem mais óbvias em um primeiro momento. Uma delas é a Haas, que não esconde seu incômodo com o excesso de oscilações por parte de Romain Grosjean. Gunther Steiner, chefe do time americano, disse publicamente que Hulkenberg é um piloto que compõe sua lista de opções para 2020.

Porém, o mercado ainda está em aberto. Alfa Romeo, Racing Point, Williams e até Red Bull ainda possuem posições vagas para 2020. Essa movimentação de bastidores certamente irá ganhar seus holofotes nos próximos meses.


 Comunicar Erro

Projeto Motor