Oito inovações da F1 que deixaram os carros com visual bizarro

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O grande assunto dos testes da F1 da última quinta-feira (3) foi o experimento feito pela Ferrari com um protótipo “halo”, com o objetivo de aumentar a proteção à cabeça dos pilotos.

Kimi Raikkonen deu algumas voltas com a peça de fibra de carbono em Barcelona justamente para testar se a sua instalação atrapalha a visibilidade de dentro do cockpit. O campeão mundial de 2007 se mostrou contente com o resultado e declarou que o novo aparato não causou maiores transtornos.

De qualquer maneira, o “halo” desde já provoca grande divergência de opiniões. Além das possíveis falhas de segurança, visibilidade e ergonomia da peça, o aspecto visual não fica dos mais agradáveis.

Ferrari Halo

Mas saiba que a F1 está repleta de casos de inovações técnicas que causaram grande ruptura nos padrões estéticos dos carros. A maioria deles foram implementados a fim de melhorar o desempenho dos monopostos, é verdade, mas também tiveram certa rejeição popular unicamente pelo aspecto visual.

Separamos alguns exemplos, mas sabemos que a lista é longa – então, se você lembrar de mais algum, não esqueça de mencionar nos comentários!

TYRRELL 025 (1997)

Tyrrell 1997 

A Tyrrell passou todo o ano de 1997 lutando contra a falta de competitividade do modelo 025. A partir da corrida da Argentina, o carro de Harvey Postlethwaite passou a contar com uma estranha novidade com o objetivo de aumentar a pressão aerodinâmica do carro, o que era eficaz sobretudo nas pistas de baixa. A ideia, chamada de “asa X” ou “candelabro”, foi copiada por Ferrari, Jordan, Prost e Sauber, mas acabou banida em 1998 por ser considerada perigosa para os pilotos.

MATRA MS10 E OUTROS (1969)

Matra Stewart 1969

No fim dos anos 1960, as equipes de F1 começavam a fazer experimentos mais ousados a fim de melhorar a eficiência aerodinâmica dos carros. No GP da África do Sul de 1969, por exemplo, modelos de várias equipes diferentes contavam com duas asas, uma com perfil bastante alto na parte traseira e a outra na altura das rodas da frente. Um deles foi o Matra MS10, que venceu a prova com Jackie Stewart. O aparato da frente, que inclusive rendeu ao McLaren M7C o apelido de “carro guilhotina”, foi banido por também ser considerado perigoso.

ARROWS A22 E JORDAN EJ11 (2001)

Jordan 2001 Monaco

Quem diria que o conceito de uma asa dianteira mais alta voltaria a ser utilizado na F1 moderna, mais de 30 anos depois de seu uso original. A Arrows implementou a ideia nos treinos para o GP de Mônaco de 2001, na tentativa de dar mais aderência aos carros de Jos Verstappen e Enrique Bernoldi (imagem de destaque do post). A Jordan teve ideia semelhante na mesma prova, embora com aplicação diferente. Porém, adivinhe: ambos os conceitos também foram proibidos pela direção de prova por motivos de segurança.

WILLIAMS FW19 (1997)

Williams 1997 

Este item é cercado de mistério, já que a Williams fez de tudo para manter seu experimento em segredo. Em testes realizados em Monza, pouco antes do GP da Alemanha, na então velocíssima pista de Hockenheim, a equipe inglesa experimentou uma asa com perfil muito baixo. O objetivo era evitar ao máximo o arrasto nas retas, mas ainda assim permitindo o mínimo de sustentação aerodinâmica nas curvas. O resultado do teste é um mistério, e a Williams não usou a peça nas corridas.

ENSIGN N179 (1979)

Ensign n179

Para refrigerar seu carro de forma mais eficiente, a Ensign aplicou no modelo N179 um inusitado conceito de entradas de ar situadas na parte da frente do carro, mais especificamente no bico. A questão é que o produto final ficou bastante estranho, já que o carro parecia contar com uma escada em sua dianteira. A solução foi brevemente utilizada, pois pouco depois já contava com um bico mais tradicional

EIFELLAND TYPE 21 (1972)

Eifelland Type 21 

Mesmo tendo participado de somente oito etapas na F1, a equipe alemã Eifelland deixou sua marca com uma solução no mínimo curiosa. Seu carro, o T21, baseado no projeto do March 721, contava com um único espelho retrovisor, central, preso a uma haste que situava-se logo à frente do piloto. No entanto, o modelo apresentou muitas deficiências, não obteve resultados e a equipe se despediu da F1 ao fim de 1972.

BMW F1.06 (2006)

BMW 2006 França 

O primeiro carro da BMW na F1 não só tinha os “chifres” à la McLaren como também chegou a contar com duas hastes em seu bico, perto da suspensão dianteira. O objetivo era puramente aerodinâmico, já que o time esperava que a novidade melhorasse o fluxo de ar pelo carro. O conceito foi usado somente em uma prova, no GP da França, e foi banido pela FIA logo em seguida – a alegação era de que as hastes poderiam atrapalhar a visão dos pilotos.

MARCH 711 (1971)

March 711

Este modelo é figura constante em listas de “carros mais estranhos da história da F1”. O visual do March 711 é comparado a uma prancha de surfe ou tábua de passar roupa – porém, para seguir os costumes ingleses, o apelido que pegou foi “bandeja de chá”. O lado bom é que as lamentações ficavam só no aspecto estético, já que o 711 foi competitivo o suficiente para dar a Ronnie Peterson o vice-campeonato mundial de 1971.

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Bruno Ferreira

Sempre gostou de automobilismo e assiste às corridas desde que era criança. A paixão atingiu outro patamar quando viu – e ouviu – um carro de F1 ao vivo pela primeira vez. Depois disso, o gosto pelas corridas acabou se transformando em profissão. Iniciou sua trajetória como jornalista especializado em automobilismo em 2010, no mesmo ano em que se formou, quando publicou seu primeiro texto no site Tazio. De lá para cá, cobriu GPs de F1 no Brasil e no exterior, incluindo duas decisões de título (2011 e 2012), além de provas de categorias como Indy, WEC, WTCC e Stock Car.