Olho no futuro: conheça os principais campeões da base da F1 em 2018

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Assim como fizemos em 2017, o Projeto Motor aproveita o final de temporada do automobilismo internacional para destacar alguns jovens talentos que se sobressaíram nesta temporada com títulos importantes nas categorias de base que servem de caminho para a F1.

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Em 2018, nomes que já estão sendo frequentemente mencionados no paddock da F1 brilharam nas pistas de diversos campeonatos, dando mais uma mostra que piloto bom não deve faltar nos próximos anos para abastecer a F1.

Conheça quais foram os principais campeões da base em 2018 e já anote os nomes para o futuro da F1 (tem gente que até já se garantiu lá):

F2 – GEORGE RUSSELL
Nascimento: 15 de fevereiro de 1998 (Kings Lynn, Inglaterra)

Integrante do programa de jovens da Mercedes, George Russell teve mais uma temporada forte em 2018, o que lhe garantiu, inclusive, um contrato para a F1 na próxima temporada pela Williams.

George Russell venceu a F2 e correrá na F1 pela Williams em 2019

O inglês, campeão da F4 britânica em 2014 e da GP3 em 17, não decepcionou no novo degrau da base e conquistou com alguma folga o campeonato da F2, categoria de base mais próxima da F1. Seu triunfo ainda ganhou mais destaque por bater outra revelação inglesa, Lando Norris, que já vinha sendo bastante cogitado como possível grande estrela e que, mesmo com o vice-campeonato, também garantiu uma vaga na F1 em 2018 pela McLaren.

Assim como fez na GP3, Russell correu pela equipe ART GP. Ele conquistou sete vitórias durante o campeonato e somou 287 pontos, 68 a mais Norris. Em 24 provas, o inglês só não marcou pontos em seis.

Ele já tinha completado 916 quilômetros em testes em 2017 na F1 pela Mercedes, acumulou 1824 km em 2018, além de manter um relacionamento bastante estreito com a equipe da marca alemã, o que pode lhe conferir um bom suporte para uma temporada inicial na F1. Claro que agora ele espera que a Williams consiga construir um carro melhor do que da última temporada.

GP3 – ANTHOINE HUBERT
Nascimento: 22 de setembro de 1996 (Lyon, França)

Campeão da F4 francesa de 2013 e piloto do programa da Renault, Anthoine Hubert andava sem resultados de muito destaque nas últimas temporadas. Em 2017, ele foi quarto colocado na GP3, mas em seu segundo ano na categoria, ele conseguiu emplacar uma campanha bastante constante para sagrar-se campeão do último campeonato da história do certame.

O francês Anthoine Hubert é piloto do programa da Renault (Foto: GP3/Divulgação)

Em 18 provas, o francês conquistou apenas duas vitórias, metade das de Nikita Mazepin, uma a menos do que David Beckmann e empatado com outros três pilotos, o brasileiro Pedro Piquet entre eles. Por outro lado, ele subiu ao pódio em 11 corridas, três a mais que o segundo da estatística, Mazepin. Assim, mesmo que sem muito brilho, ele finalizou a temporada na frente.

Hubert agora luta por uma vaga na F2 em 2018 e ainda não tem nada garantido. Apesar de ter competido nas últimas duas temporadas pela ART, ele participa dos testes da F2 em Abu Dhabi pela MP Motorsport.

A GP3 deixa de existir em 2019 por conta da fusão com a F3 Europeia. A nova categoria irá se chamar apenas FIA F3 e segue fazendo parte da programação da F1 em boa parte dos GPs da temporada.

F3 Europeia – MICK SCHUMACHER
Nascimento: 22 de março de 1999 (Vufflens-le-Château, Suíça – corre com licença alemã)

O sobrenome Schumacher voltou a fazer sucesso na temporada de 2018 com o assombroso desempenho do filho do heptacampeão mundial na F3 Europeia.

Mick Schumacher tenta seguir os passos de seu pai Michael e tio Ralf para chegar à F1

Mick não começou bem a temporada e na 14ª prova, de um total de 30, ele era apenas o 10º da classificação geral com pouco mais da metade dos 146 pontos do líder, Dan Ticktum. Só que a partir da 15ª corrida, ele passou a fazer uma segunda metade incrível de campeonato, emplacando oito vitórias em 12 provas, sendo cinco em sequência. Desta forma, ele bateu ao final do ano Ticktum, piloto da Red Bull, com 365 pontos contra 308.

Este foi o primeiro título importante de Mick no automobilismo, mas o bastante para já começar a chamar a atenção da F1. Assim como na F3, ele segue na equipe Prema em 2019 para competir na F2, já batendo nas portas da F1 por uma vaga.

GP de Macau de F3 – DAN TICKTUM
Nascimento: 8 de junho de 1999 (Londres, Inglaterra)

Em uma prova que ficou marcada pelo grave acidente da alemã Sophia Flörsch, o inglês Dan Ticktum conquistou o bicampeonato da tradicional prova de Macau.

Largando da pole, ele liderou a prova inteira, sem dar muitas chances ao rivais, e garantiu mais uma vez a vitória nesta importante corrida. Vice-campeão da F3 europeia em 2018, Ticktum teve o gostinho de bater inclusive seu algoz, Mick Schumacher, que ficou em quinto.

Com uma carreira já cheia de polêmicas, Dan Ticktum já trilha caminho para estar em breve na F1 pela Red Bull

O piloto faz parte do programa de jovens da Red Bull e até chegou a ser cotado para uma vaga na Toro Rosso em 2019, porém, sem os pontos necessários na superlicença, terá que fazer mais uma temporada em categorias de base.

Precisando de apenas mais cinco pontos no ranking da FIA para tirar sua permissão, ele irá competir de forma regular na Super Formula japonesa na próxima temporada. No entanto, ele acredita que já somará os créditos exigidos para licença ao competir nos campeonatos da Toyota Racing Series neozelandesa e F3 asiática de inverno, que acontecem logo no começo do ano e que dão ao campeão sete pontos.

Muito deste perrengue ao que Ticktum passa agora é por sua suspensão de duas temporadas (uma delas em que ele apenas ficou sob observação) que ele sofreu em 2015 por ter ultrapassado 10 carros durante um safety car e batido propositalmente em um rival em prova da MSA Formula inglesa.

Agora, ele tenta se recuperar da fama de problemático com títulos e vitórias, e parece que já conquistou uma bela moral com o líder do programa da Red Bull, Helmut Marko.

Adac F4 – LIRIM ZENDELI
Nascimento: 18 de outubro de 1999 (Bochum, Alemanha)

Lirim Zendeli tenta se consolidar como a próxima reveção alemã do automobilismo

Um dos campeonatos de F4 mais fortes da Europa na atualidade, a competição alemã da modalidade teve como campeão em 2018 o local Lirim Zendeli. Essa era a terceira temporada do piloto no certame e ele vinha de um quarto lugar em 17.

Zendeli teve uma dura briga durante a temporada com o neozelandês Liam Lawson e o brasileiro Enzo Fittipaldi, ambos mais jovens e menos experientes do que ele. Sua consistência na segunda metade do campeonato e algumas vitórias importantes nas etapas finais lhe renderam a conquista.

O alemão agora conseguirá enfim dar um próximo passo em sua carreira e competirá em 2019 na nova FIA F3, que substitui a GP3 na próxima temporada, pela equipe Charouz.

F4 Italiana – ENZO FITTIPALDI
Nascimento: 18 de julho de 2001 (Miami, Estados Unidos – corre com licença brasileira)

Enzo Fittipaldi completou em 2018 sua segunda temporada no automobilismo e não pode reclamar dos resultados: além do bom terceiro lugar na F4 alemã, ele conquistou o título na F4 italiana, outra importante competição da modalidade na Europa.

Enzo Fittipaldi segue a forte tradição de sua família (Foto: Divulgação)

O brasileiro teve um bom pega durante o ano com o local Leonardo Lorandi e chegou atrás do rival à rodada tripla final em Mugello. Duas vitórias nas três provas, porém, lhe garantiram o campeonato.

Além de carregar o sobrenome Fittipaldi, Enzo também já ostenta as cores e símbolo da Ferrari por onde passa por ser integrante da academia de jovens da marca italiana. Por isso, ele tem sua carreira controlada pela equipe de Maranello e uma ligação com a boa equipe de categorias de base Prema.

Em 2019, apesar de ainda não ter feito um anúncio oficial, ele deve voltar a competir pela Prema agora na nova F3 regional da FIA, que irá entrar no lugar da atual F3 Europeia.

F4 francesa – CAIO COLLET
Nascimento: 3 de abril de 2002 (São Paulo, Brasil)

Outro brasileiro que brilhou em 2018 foi Caio Collet. Revelação com ótimos resultados no kart internacional, o paulista realizou sua primeira temporada no automobilismo e já levou o título da F4 francesa.

Logo em sua primeira temporada no automobilismo, Collet já levou o título da F4 francesa (Foto: Divulgação)

E não foi de qualquer jeito: o paulista venceu sete provas em um total de 21 e sacramentou a conquista antes mesmo da rodada tripla final, em Paul Ricard. Ele terminou o campeonato com 303,5 pontos, 66,5 à frente de seu adversário mais próximo, o belga Ugo De Wilde.

Collet ainda não anunciou seu programa para 2019, porém, já assinou contrato com a empresa de gerenciamento de carreiras de Nicolas Todt, nome importante nas negociações de pilotos nos últimos anos. A tendência é que ele participe da nova F3 regional da FIA, que irá entrar no lugar da atual F3 Europeia.

Euroformula Opel – FELIPE DRUGOVICH
Nascimento: 23 de maio de 2000 (Maringá, Brasil)

O terceiro título brasileiro da temporada veio com Felipe Drugovich, paranaense que também foi muito cedo para o exterior e que realizou sua terceira estação no automobilismo europeu. Piloto com destaque no kart, Drugovich vinha de um terceiro lugar na F4 alemã em 2017 e em escolheu o caminho da Euroformula para 2018.

Felipe Drugovich destruiu a concorrência na Eurofomrula Open

O campeonato é basicamente a antiga F3 espanhola, que resolveu se expandir com provas em outros países. Mesmo não sendo considerado dos mais fortes do continente, mantém certo nível de relevância.

Drugovich teve um desempenho dominador, com 14 vitórias em 16 provas. Nas duas únicas corridas em que não venceu, ele chegou em segundo. Uma campanha realmente impressionante e que serviu, junto com seu bom 2017, para colocar seu nome no mercado para voos maiores no caminho da F1.

O programa para 2019 ainda não está oficializado, mas tudo indica que ele deve conseguir uma vaga para a FIA F3. Nos testes pós-temporada da GP3, categoria que dará lugar a nova F3, ele andou pela sempre importante equipe ART GP.

F-Renault 2.0 Eurocup – MAXIMILIAN FEWTRELL
Nascimento: 29 de julho de 1999 (Birmingham, Inglaterra)

Max Fewtrell: a próxima revelação inglesa para o automobilismo?

Em sua terceira temporada no automobilismo, Fewtrell conquistou o segundo título. Depois da F4 britânica em 2016, agora ele levou a F-Renault europeia após uma boa briga com o dinamarquês Christian Lundgaard.

Aos 19 anos de idade, já era de se esperar que Fewtrell estivesse começando a aparecer em categorias mais importantes. Em 2019, assim como diversos outros pilotos que estão vindo de campeonatos nacionais ou regionais, o foco do inglês está em conseguir uma vaga na nova FIA F3. Ele testou pela ART GP na sessão pós-temporada da GP3 em Abu Dhabi.

 

A F1 de 2019 já começou! | Debate Motor #145

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Lucas Santochi

Mais um fanático da gangue que criou vínculo com automobilismo desde a infância. Acampou diversas vezes nas calçadas ao redor de Interlagos para assistir aos GPs e nunca esqueceu a primeira vez que, ainda do lado de fora do autódromo, ouviu o barulho de F1 acelerando pela reta. Jornalista formado em 2004, passou por redações na época da TV Band e Abril, teve experiência na área de assessoria de comunicação esportiva até chegar ao site especializado em esporte a motor Tazio, em 2010. Passou pelas funções de redator, repórter (cobrindo diversas corridas no Brasil e exterior de F1, Indy, WEC, Stock Car, entre outras) e subeditor até o final de 2013, quando o veículo encerrou suas atividades. Trabalhou ainda como redator do UOL Esporte em 2014 até que decidiu se juntar com os outros três membros do Projeto Motor para investir na iniciativa.