Onze patrocínios das pistas tão lendários quanto o de Ganassi e Target

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A notícia de que a Target – segunda maior rede de lojas de varejo dos Estados Unidos, atrás apenas da Walmart – vai deixar de patrocinar a Ganassi ao fim da temporada 2016 deixou todos os fãs do automobilismo (duvido que haja exceções) perplexos. Afinal, a marca apoia a escuderia de Chip Ganassi desde sua fundação, em 1990. Ambas se tornaram praticamente indissociáveis entre quem acompanha corridas, e não foram poucas as pessoas no Brasil que afirmaram só saber o que faz a tal Target (que não opera por aqui) por causa do automobilismo.

Em 26 anos de trabalho em conjunto, a equipe se notabilizou pelo uso da pintura vermelha com letras e símbolos brancos, além de uma marcante faixa dourada que, nos tempos de Jimmy Vasser, Alessandro Zanardi e Juan Pablo Montoya, cruzava a linha de cintura do chassi do bico até os casulos laterais. Esta última solução estética deixou de ser usada em 2002, na migração da CART para a antiga IRL, mas voltou a fazer parte do livery em 2016, numa espécie de nostalgia que, sutilmente, já prenunciava a chegada do fim.

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Nesse período foram conquistadas quatro 500 Milhas – Montoya (2000), Dixon (2008) e Franchitti (2010 e 2012) – e 11 títulos espalhados por CART, IRL e IndyCar – Vasser (1996), Zanardi (1997 e 1998), Montoya (1999), Dixon (2003, 2008, 2013 e 2015) e Franchitti (2010, 2011 e 2012). Por tudo que fizeram juntas, Target e Ganassi se separam nas pistas para entrar num seleto grupo de patrocínios marcantes (e já extintos) do automobilismo.

O Projeto Motor, que já havia selecionado as 10 pinturas patrocinadas mais marcantes da F1, aponta agora mais 11, só que de outras categorias, que fizeram tanto sucesso quanto e estarão para sempre guardadas na memória dos entusiastas. Vale reforçar que a lista abaixo possui ordem alfabética e não tem poder de ranking. Confira.

555 SUBARU (WRC) – 1993 a 2003

555 Subaru

Marca de cigarros do conglomerado BAT (British American Tobacco), a 555 levou sua chamativa combinação auriceleste para os Impreza 4×4 usados pela Subaru no Mundial de Rali. Os títulos de Richard Burns (2001) e Peter Solberg (2003) ajudaram a valorizar a parceria, mas foi Colin McRae, com a conquista de 1995 e seu estilo único de pilotar, quem a tornou imortal.

CASTROL TOYOTA (WRC) – 1993 a 1999

Castrol Toyota

A companhia britânica de lubrificantes se associou à gigante automotiva nipônica em 1993, numa época em que o Celica GT-Four já era um dos carros mais respeitados do universo fora-de-estrada. Por exemplo, com este modelo Carlos Sainz se sagrara campeão do Mundial de Rali na campanha anterior. A pintura branca com detalhes em verde e vermelho seguiu no certame até 99, tendo cacifado ainda as estações de 93 (Juha Kankkunen) e 94 (Didier Auriol).

DUPONT HENDRICK #24 (NASCAR) – 1992 a 2015

Dupont Chevrolet

Jeff Gordon foi alçado à condição de protagonista da Nascar ainda na primeira metade dos anos 1990, quando já brigava por vitórias com gente do calibre de Dale Earnhardt e Terry Labonte a bordo do chamativo #24 arco-íris da Hendrick. O livery era cortesia da DuPont, multinacional especializada em soluções químicas para pigmentos e tintas. Gordon foi apoiado pela companhia de 92 até sua aposentadoria, no ano passado, tendo sido tetracampeão em 95, 97, 98 e 2001.

GOODWRENCH RICHARD CHILDRESS (NASCAR) – 1988 a 2007

Goodwrench Chevrolet

Desde o início dos anos 80 a Goodwrench, rede de oficinas que virou prestadora oficial de serviços de revisão da GM nos EUA, colocava seus decalques de forma esporádica nos stock conduzidos por Dale Earnhardt. A partir de 88, porém, a empresa decidiu virar patrocinadora principal do #3 da Richard Childress, mantendo-se no posto até a morte do heptacampeão, em 2001. Mesmo sem a presença do ícone, a parceria continuou através do #29 de Kevin Harvick até 2007.

GULF JW AUTOMOTIVE (LE MANS) – 1966 a 1975

Gulf Ford

John Wyer era um  engenheiro inglês que respirava corridas. Em 1964, estabeleceu em parceria com a Ford a JW Automotive Engineering, iniciando participações em provas de resistência. Dois anos mais tarde veio o aporte financeiro da petrolífera americana Gulf, dando origem ao quase orgasmático esquema azul claro com faixas laranja. As grandes conquistas vieram nas 24 Horas de Le Mans, em 68 (Pedro Rodríguez/Lucien Bianchi) e 69 (Jacky Ickx/Jackie Oliver), com o Ford GT40, e 75 (Ickx/Derek Bell), com o Mirage GR8, um protótipo que usava motor Cosworth DFV da F1.

LUCKY STRIKE SUZUKI (MOTOGP) – 1990 a 1997

Lucky Strike Suzuki

Outra marca de cigarros pertencente à BAT, a Lucky Strike entrou no lugar da Pepsi como patrocinadora máster da Suzuki no Mundial de Motovelocidade. Kevin Schwantz, grande estrela da escuderia, usou a combinação branca, vermelha e preta nas seis temporadas finais de sua carreira, sendo vice-campeão em 1990 e, enfim, campeão das 500 cc em 93.

MARLBORO DUCATI (MOTOGP) – 2003 a 2010

2007 MotoGP, Round 1, Qatar

Quando a Ducati ingressou na classe principal da MotoGP, em 2003, logo contou com o apoio da Marlboro,  tabageira mais famosa do mundo (e que faz parte da Phillip Morris). A união entre EUA e Itália não chegou a ser tão frutífera quanto a da F1 (a quem não entendeu, estamos falando da Ferrari na era Michael Schumacher), mas rendeu o único campeonato obtido pela Ducati até hoje na categoria: o de 2007, pelas mãos do rebelde veloz Casey Stoner.

MARLBORO PENSKE (INDY) – 1989 a 2009

Marlboro Penske

Por falar em Marlboro, em 1990 a companhia resolveu acompanhar Emerson Fittipaldi e migrou da Patrick para a Penske, colocando seus adesivos nos PC-19 do brasileiro e de Danny Sullivan. Começava ali uma convivência que duraria até 2009, rendendo quatro títulos somando CART e IRL – Al Unser Jr. (1994), Gil de Ferran (2001 e 2001) e Sam Hornish Jr. (2006) – e sete 500 Milhas – Mears (91), Fittipaldi (93), Unser Jr. (94), Hélio Castroneves (2001, 2002 e 2009) e De Ferran (2003).

MARTINI RACING (LE MANS E WRC) – 1968 a 1986

Martini Porsche

Mais do que ser uma apoiadora, a gigante italiana de bebidas Martini & Rossi bancou uma operação própria entre os anos 60 e 80, que fixou tentáculos nas provas de resistência, F1 (patrocinando a Brabham) e Grupo B (com a Lancia). Os maiores expoente dessa história, certamente, foram os Porsche utilizados nas três vitórias em Le Mans. O 917 serviu a Helmut Marko e Gijs van Lennep em 71; o 936 faturou a prova em 76 (Jacky Ickx/Van Lennep) e 77 (Ickx/Hurley Haywood/Jürgen Barth).

REPSOL HONDA (MOTOGP) – 1995 até hoje

Repsol Honda

Divisão da Honda para o Mundial de Motovelocidade, a HRC fechou com a petrolífera espanhola Repsol para a temporada 1995. Sábia decisão, a dos ibéricos. Mick Doohan vivia o auge e faturou quatro canecos consecutivos até 98 ostentando a insígnia laranja, branca e vermelha. Alex Crivillè (99), Valentino Rossi (2002 e 2003), Nick Hayden (2006), Casey Stoner (2011) e Marc Márquez (2014 e 2015) deram sequência ao legado, que continua sendo escrito sem prazo para terminar.

TOTAL CITROËN (WRC) – 2002 até hoje

Total Citroën

Outro grupo do ramo petroleiro a ter acertado em sua decisão de apoiar um projeto automobilístico foi a francesa Total: começou a investir no time oficial da Citroën para o WRC em 2002, e viu o mito Sèbastien Loeb se transformar em eneacampeão de maneira consecutiva entre 2004 e 2013. O logotipo segue até hoje nos DS 3 da fabricante conterrânea, embora o conjunto esteja sendo sobrepujado pelo da Volkswagen desde que Loeb decidiu deixar o campeonato.

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Modesto Gonçalves

Começou a acompanhar automobilismo de forma assídua em 1994, curioso com a comoção gerada pela morte de Ayrton Senna. Naquela época, tomou a errada decisão de torcer por Damon Hill em vez de Michael Schumacher, por achar mais legal a combinação da pintura da Williams com o capacete do britânico. Até hoje tem que responder a indagações constrangedoras sobre a estranha preferência. Cursou jornalismo pensando em atuar especificamente com automóveis e corridas, e vem cumprindo o objetivo: formado em 2010, foi consultor do site especializado Tazio de meados de 2011 até o fim de 2013; desde maio de 2015 compõe o comitê editorial do Projeto Motor.