Quatro Rodas

Os 10 maiores marcos da Red Bull em 250 GPs na F1

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No GP de Mônaco de 2018, a Red Bull comemorou um feito adicional à vitória dominante no principado: ela chegou a 250 GPs na F1.

A empreitada de Dietrich Mateschitz, Christian Horner, Helmut Marko e companhia teve início em 2005, de maneira aparentemente despretensiosa, ainda no pelotão intermediário.

Porém, o time que se destacava inicialmente apenas pelo marketing descolado mostrou que tinha bala na agulha para brigar com os gigantes. Com investimentos certeiros, planejamento e muita competência, a equipe conseguiu crescer passo a passo para estabelecer um império na categoria.

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Mais de uma década depois de sua criação, a Red Bull ainda se mantém firme e forte no grupo das protagonistas. Nessa ocasião, relembramos dez momentos importantes da equipe até atingir o marco!

1 – O surgimento da empreitada2005

A Red Bull Racing surgiu oficialmente em novembro de 2004, quando foi anunciado que a empresa de bebidas energéticas liderada pelo austríaco Dietrich Mateschitz assumiria as operações da Jaguar. O jovem Christian Horner foi nomeado para encabeçar a empreitada, enquanto que um cockpit teria o veterano David Coulthard e o outro seria revezado entre Christian Klien e Vitantonio Liuzzi, protegidos pela marca desde as categorias de base.

Em princípio, 2005 tinha tudo para ser apenas um ano de transição, mas logo de cara houve motivos que permitiram à equipe sonhar mais alto: na estreia, na Austrália, Coulthard completou em quarto, enquanto que Klien também chegou na zona de pontuação, em sétimo. Ao todo, foram 34 pontos e o sétimo lugar entre os construtores, o que representou um início encorajador na trajetória da equipe.

2 – Temporada de avanços2006

Mesmo em sua fase inicial, a Red Bull deixou claro que queria dar com rapidez todos os passos necessários para se tornar uma potência. Ainda em 2005, anunciou a chegada de Adrian Newey como seu novo diretor técnico; além disso, para a temporada de 2006, trocou os motores Cosworth pelos Ferrari.

E as mudanças não se limitaram somente a Milton Keynes, já que a empresa adquiriu a Minardi para inaugurar a Toro Rosso, sua nova equipe satélite e que abrigaria os jovens talentos de seu programa de pilotos.

Dentro da pista, os resultados não foram muito animadores em 2006, e inclusive representaram uma queda de rendimento em relação ao ano anterior. Porém, houve um alento e tanto: Coulthard foi terceiro em Mônaco e deu à Red Bull seu primeiro pódio na F1.

3 – Red Bull em fase 2.02007

Uma nova etapa para a equipe foi inaugurada em 2007. Newey assinou seu primeiro carro da Red Bull, o RB3, que já contava com algumas de suas marcas registradas. Ademais, o time iniciava uma parceria técnica com a Renault, que ainda traria muitos frutos.

Contudo, as coisas ainda demorariam a engrenar. Coulthard e seu novo parceiro, Mark Webber, que se tornaria um importante pilar dentro da equipe, sofreram bastante com problemas mecânicos. A situação ficou ainda mais constrangedora em 2008, quando ela foi superada pela satélite Toro Rosso.

4 – Enfim, equipe de ponta2009

A oportunidade para a volta por cima veio em 2009, com a estreia do novo regulamento técnico da F1. O time também trouxe para suas asas Sebastian Vettel, novato sensação que substituiria o aposentado Coulthard.

Newey acertou a mão no carro, mas inicialmente foi difícil fazer frente à Brawn GP, que surpreendeu a F1 com seu carro de difusor duplo. Mesmo assim, a Red Bull rompeu a barreira da vitória logo na terceira prova do ano, na China, ao conquistar uma dobradinha com Vettel à frente de Webber.

Até o fim do ano, foram mais cinco vitórias e o vice-campeonato de pilotos (com Vettel) e construtores. Enfim a Red Bull Racing se tornou uma equipe de ponta.

5 – O título mundial2010

Após o ano forte em 2009, a Red Bull já se permitia sonhar em lutar pela conquista máxima. E, de fato, ela era uma fortíssima candidata em 2010, lutando pela soberania com Ferrari e McLaren.

Com possibilidade reais de título, as circunstâncias colocaram Vettel e Webber em rota de colisão, de modo que a equipe teve de lidar, como não havia tido de fazer antes, com tensão interna. Apesar disso, o ano teve nove vitórias e muito sucesso, o que foi coroado com o título de construtores (selado no Brasil) e a surpreendente virada de Vettel na etapa final do campeonato, em Abu Dhabi, que deu ao time seu primeiro campeonato de pilotos.

6 – Virou passeio2013

O título marcou o início de uma era de domínio para a Red Bull na F1. Entre 2011 e 2013, o time conquistou mais 32 vitórias e enfileirou títulos, tanto de construtores quanto de pilotos, com Vettel.

Newey havia domado a filosofia do regulamento, explorando com maestria alguns artifícios, como o difusor soprado. Já Vettel estava em estado de graça e sobrou em 2011 e 2013, com uma pilotagem que se encaixou feito luva aos carros.

Os meses finais do regulamento V8 aspirado escancarou o massacre: o alemão registrou 11 vitórias nas últimas 13 provas da temporada de 2013. Mas a história da F1 já ensinou: todo domínio categórico uma hora chega ao fim.

7 – Arrumando a casa2014

A estreia do novo regulamento V6 turbo híbrido, em 2014, obrigou a Red Bull a descer de patamar. Enquanto que a Renault demorou para se encontrar com a tecnologia (e em 2018 ainda não chegou lá totalmente), a Mercedes encaixou o projeto perfeito, assumindo a posição que a Red Bull deixava vaga.

No primeiro ano do regulamento, a Red Bull ao menos conseguiu salvar sua honra ao registrar três vitórias (a única a vencer além da Mercedes) e ficar com o vice entre os construtores. Em 2015, não teve jeito: o conjunto não era competitivo, o que resultou no primeiro ano desde 2009 longe do topo do pódio.

A situação colocou a Red Bull em rota de colisão com a Renault, de modo que a equipe austríaca fez de tudo para desfazer a parceria. Mas, sem alternativas (Mercedes e Ferrari se recusaram a fornecê-la unidades de potência), a Red Bull foi obrigada a permanecer com os propulsores franceses, mas rebatizando-os de Tag Heuer.

8 – Fábrica em pleno vaporricciardo

2014 foi um balde de água fria para a Red Bull, mas ao menos resultou em um ponto positivo: a estreia de Daniel Ricciardo. O australiano chegou à equipe para substituir o compatriota (e aposentado) Webber, e foi uma grata surpresa.

Ricciardo foi competitivo desde o início, inclusive levando o badalado tetracampeão Vettel a águas profundas. Não à toa, ele foi o responsável pelas três vitórias da Red Bull em 2014, fruto de pilotagens agressivas e, ao mesmo tempo, cirúrgicas. Isso encurtou a passagem de Vettel pela Red Bull, já que, em 2015, o alemão se mandou para a Ferrari.

Mas não havia problemas, já que Ricciardo mostrou que tinha totais condições de liderar a equipe. Mais que isso: com a primeira cria além de Vettel a prosperar, ficava claro que a Red Bull era de fato uma das grandes formadoras de talentos da F1.

9 – Em busca dos maiores talentosVerstappen

Antes mesmo de estabelecer seu império, a Red Bull mostrava que queria proceder de maneira diferente das outras grandes potências da F1, principalmente com sua autossuficiência de talento – ou seja, investindo e apostando em pratas da casa em vez de recorrer a figurões.

Na tentativa de encontrar um novo candidato a campeão, a Red Bull arriscou ao colocar suas fichas em Max Verstappen, que, somente aos 18 anos, foi promovido à equipe principal – o que ocorreu de forma abrupta e surpreendente, resultando no rebaixamento de Daniil Kvyat à Toro Rosso somente na quinta corrida de 2016.

Contudo, a mudança trouxe um grande resultado de imediato: Verstappen fez história ao vencer o GP da Espanha, logo em sua estreia pela Red Bull.

A caminhada do holandês na F1 ainda tem seus tropeços, já que, em 2018, tem alternado momentos de velocidade com erros inexplicáveis. Mas uma coisa ficou clara: a harmonia da dupla Ricciardo/Verstappen evidencia que a Red Bull ainda tem muito faro para talento.

10 – Presente e futuro: o que virá após os 250 GPs?2018

A Red Bull atingiu a marca notável de 250 GPs com muita classe: no prestigioso GP de Mônaco, Ricciardo liderou simplesmente todas as sessões, fez a pole position e comandou a prova de ponta a ponta, enquanto que Verstappen fez a volta mais rápida da corrida. Foi uma mostra de que a Red Bull ainda tem muita lenha para queimar.

Entretanto, o time sabe que ainda tem trabalho pela frente para voltar aos momentos de glória do período de 2010 a 2013. O conjunto atual é competitivo, mas ainda não consegue fazer frente a Mercedes e Ferrari de forma consistente em condições gerais.

A dúvida que fica é: quais passos a Red Bull pretende dar para obter os ganhos necessários? Um aspecto que vem incomodando bastante o time nos últimos anos é o motor, já que a Renault apresenta um déficit (pequeno, mas ainda incômodo) de potência e confiabilidade em relação às rivais.

Neste aspecto, o momento é de espera: a Red Bull verá quais serão os resultados das novas peças que a Renault pretende estrear em breve para avaliar se dará uma nova chance à parceria. Já há uma alternativa no horizonte, uma vez que o time observa com atenção o progresso da Honda ao lado da Toro Rosso.

A indecisão quanto aos motores, consequentemente, afeta na situação dos pilotos, já que Ricciardo possui contrato somente até o fim de 2018 e ainda mostra cautela para decidir seu próximo passo.

Chegar a 250 GPs no topo do pódio mostra que a Red Bull soube se reinventar e manter sua relevância em todos seus ciclos na F1. Mas, para Horner, Marko, Mateschitz e companhia, isso não basta: o trabalho é para que os próximos 250 sejam ainda mais regados a energéticos e champanhe.

Domingo australiano em Mônaco e na Indy 500 | Bate-Pronto #27

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Bruno Ferreira

Sempre gostou de automobilismo e assiste às corridas desde que era criança. A paixão atingiu outro patamar quando viu – e ouviu – um carro de F1 ao vivo pela primeira vez. Depois disso, o gosto pelas corridas acabou se transformando em profissão. Iniciou sua trajetória como jornalista especializado em automobilismo em 2010, no mesmo ano em que se formou, quando publicou seu primeiro texto no site Tazio. De lá para cá, cobriu GPs de F1 no Brasil e no exterior, incluindo duas decisões de título (2011 e 2012), além de provas de categorias como Indy, WEC, WTCC e Stock Car.