Os atalhos de La Sarthe: o guia completo da pista das 24 Horas de Le Mans

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Está chegando a hora de uma das provas mais charmosas do calendário do automobilismo. As 24 Horas de Le Mans chegam à sua 85ª edição entre os dias 17 e 18 de junho de 2017, o que é garantia de intensos desafios aos 180 pilotos e 60 carros participantes – e também ao Projeto Motor, que acompanha todos os detalhes direto da França.

As dificuldades vão além do teste de resistência enfrentado pelos equipamentos ao longo de uma competição que dura um dia inteiro. O traçado francês possui as mais diferentes armadilhas, o que requer atenção e perícia ao longo de toda prova – principalmente se considerarmos as dificuldades com o tráfego e a visibilidade reduzida na calada da noite.

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Com 13,629 km de extensão, o Circuit de la Sarthe é um traçado longo para os padrões modernos do automobilismo, mas adequado para uma corrida como as 24 Horas de Le Mans, que conta com seis dezenas de veículos de diferentes características e velocidades.

A pista é uma mistura do traçado permanente usado na MotoGP (também conhecido como Bugatti au Mans) com estradas públicas da região. Justamente essa mescla proporciona características diferentes e únicas.

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Confira como exemplo uma volta a bordo do Porsche 919 Hybrid, em 2015:

Pista

A primeira curva é a Dunlop, feita à direita, em alta velocidade. Os protótipos chegam ao local beirando os 280 km/h, em sexta marcha. Então, para aproveitar a melhor trajetória, as rodas externas são posicionadas na porção pintada nas bordas do asfalto. Uma leve aliviada é dada para que o carro chegue mais bem posicionado à curva seguinte.

A Chicane Dunlop exige absoluto controle na freada, pois é necessário brecar o carro em um espaço curto, com o asfalto levemente ondulado. A velocidade é reduzida a 110 km/h, em segunda marcha, sendo que é fundamental ter boa entrada de curva para seguir adiante.

A seguir, os Esses exigem estabilidade e boa trajetória para não se perder em meio ao vaivém, com leve mudança de inclinação e de superfície do asfalto. No ponto, chega-se a 150 km/h, em terceira marcha.

Na Tertre Rouge há a transição do trecho permanente da pista para a parte de estradas. O setor é traiçoeiro: os pilotos apenas aliviam o acelerador antes de tomar à direita, a 210 km/h. Para ganhar velocidade no retão, é preciso explorar tanto as zebras internas quanto externas. Porém, deve-se ter cuidado, já que a saída da curva é escorregadia, especialmente no molhado (foi naquele trecho que Allan Simonsen perdeu o controle de seu Aston Martin e sofreu seu acidente fatal na edição de 2013).

Chegamos, então, à longa reta da estrada Hunaudières, em ponto popularmente conhecido como Reta Mulsanne. Ali o motor berra alto: em meio às variações de elevação e às leves mudanças à direita e à esquerda, os protótipos alcançam 320 km/h – o que fica ainda mais impressionante nos turnos à noite, quando a visibilidade é reduzida.

Antigamente, a pista contava com uma longa reta ininterrupta, onde as velocidades superavam os 400 km/h. Mas, por motivos de segurança, Le Mans ganhou duas chicanes no trecho em 1990: a Forza e a Michelin. Ambas têm perfil parecido (apenas feitas no sentido contrário), contornadas a 120 km/h, onde é importante ter boa velocidade de saída.

Após nova subida e descida, a próxima curva é a Mulsanne, um ponto traiçoeiro. Os pilotos precisam aliviar o acelerador para traçar a primeira perna, para, então, frear forte, reduzir à primeira marcha (90 km/h) e contornar com mais contundência à direita.

Mais uma longa reta pela frente (com algumas pequenas mudanças de direção à direita) até que cheguemos à Indianápolis e à Arnage, dois dos pontos mais lentos da pista. A primeira é antecedida por uma perna rápida à direita, sendo que a última, contornada a 70 km/h, representa o ponto de velocidade mais baixa em Le Mans.

Depois de mais um trecho de pé embaixo, os pilotos chegam à lendária Porsche, ponto que exige comprometimento ao volante e estabilidade do carro. Direita, esquerda, esquerda, direita, esquerda, sempre alternando aliviadas no acelerador e beliscões no freio, com as velocidades variando entre 220 e 260 km/h. Com a curta área de escape, é preciso tomar cuidado, já que qualquer erro pode ser fatal.

Finalmente, as Chicanes Ford possuem perfil parecido, onde é preciso atacar as zebras com agressividade. No entanto, a segunda variante é mais apertada que a primeira, o que exige maior cuidado e requer menor velocidade (160 km/h a 95 km/h).

E aí, já está pronto para encarar Le Mans?

Confira também uma volta durante um turno da noite:

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Bruno Ferreira

Sempre gostou de automobilismo e assiste às corridas desde que era criança. A paixão atingiu outro patamar quando viu – e ouviu – um carro de F1 ao vivo pela primeira vez. Depois disso, o gosto pelas corridas acabou se transformando em profissão. Iniciou sua trajetória como jornalista especializado em automobilismo em 2010, no mesmo ano em que se formou, quando publicou seu primeiro texto no site Tazio. De lá para cá, cobriu GPs de F1 no Brasil e no exterior, incluindo duas decisões de título (2011 e 2012), além de provas de categorias como Indy, WEC, WTCC e Stock Car.

  • Carlos Alberto Junior

    Show de matéria, to conhecendo le mans agora, bem oportuno, parabéns!

  • Paulo Silva

    Esse onboard de um LMP1 costuranto os GTs à noite é muito loco

    • Cláudio Henrique

      Esse aqui mostra o 919 perseguindo o Audi R18 com trafego e tudo