Os grandes momentos de Alonso na F1 em 300 GPs | 10+ Projeto Motor #33

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Fernando Alonso é um personagem sui generis na F1. Apesar de bicampeão, detentor de 32 vitórias e recém-chegado à casa de 300 GPs disputados, é tido como uma figura injustiçada na história da categoria, por teoricamente ter conquistado menos do que seu talento permitiria.

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Por outro lado, também acaba visto como personalidade de difícil trato, o que teria lhe ceifado espaço nas atuais escuderias de ponta do certame. Também esteve diretamente envolvido em dois dos maiores escândalos da história do Mundial. Recentemente, porém tornou sua imagem um pouco menos antipática e sisuda graças ao calvário que vive na McLaren.

Como resumir uma carreira tão rica e cheia de reviravoltas, que alcança a casa de três centenas de corridas disputadas (e contando…)? É o que o Projeto Motor tentará agora ao elencar os 10 momentos mais marcantes do asturiano em 17 anos de categoria até aqui. Confira.

10. Primeira temporada na categoria, em 2001

Todos sabem que Alonso estreou em 2001 pela pequenina Minardi, tendo como companheiro Tarso Marques. Apesar de o brasileiro já ter experiência na F1, enquanto o espanhol era debutante, Fernando dominou-o completamente (foram 15×2 em posições de largada) e conseguiu por diversas vezes escapar até mesmo da última fila da grelha.

O ápice de sua campanha talvez tenha sido o GP da Grã-Bretanha. Alonso, a bordo do limitadíssimo PS01 equipado com um velho motor Ford Zetec-R V10 de 1999, chegou a colocar pressão sobre o Benetton 201 de Giancarlo Fisichella. Confira no vídeo logo acima.

9. Retorno à McLaren e fase “carro de GP2”

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Curioso observar como Alonso voltou às origens ao regressar à Mclaren, em 2014. De habitual postulante a vitórias e títulos, tornou-se presença constante no pelotão intermediário e, por vezes, até no fundão do grid. Nessa condição o ibérico tem exibido diferentes facetas.

Ora ácido nas críticas, como quando chamou a unidade de potência da Honda de “motor de GP2” no GP do Japão de 2015, ora promovendo uma espécie de auto escárnio, como quando assumiu a posição de câmera após sofrer uma falha mecânica durante um treino livre do GP do Brasil de 2016. Atualmente tem se mostrado de novo mais austero e decepcionado, mas aproveita a ausência de resultados na F1 para se divertir em outras categorias, como Indy e WEC.

8. GP da Hungria de 2003, a primeira vitória

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Depois de passar um ano sabático como reserva da Renault, Alonso foi promovido a titular do time francês em 2003, tendo como parceiro o italiano Jarno Trulli. Em Hungaroring, deu a prova definitiva de que a aposta de Flavio Briatore era certeira: fez a pole position, sua segunda na F1 (a primeira ocorrera na Malásia) e venceu praticamente de ponta a ponta. Ali o destino estava selado: o espanhol se tornara um dos principais nomes do circo.

7. Campanha do vice-campeonato em 2012

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Esta é tida por muitos como a melhor temporada da carreira de Alonso. Em conjunto com a Ferrari 2012, um carro que, além de feio, era de difícil acerto devido ao uso de suspensões dianteiras tipo pullroad, o espanhol protagonizou desempenhos de encher os olhos.

Grandes destaques foram os triunfos no chuvoso GP da Malásia e também na etapa doméstica de Valência, em que Alonso partiu de 11º para obter talvez a maior vitória de sua carreira e chorar no pódio. Apesar do esforço, o ás perdeu fôlego no fim da temporada e viu o título mais uma vez escapar de suas mãos para ficar com Sebastian Vettel, tal qual ocorrera em 2010.

6. Chegada à Ferrari e perda do título em 2010

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Por falar em 2010, tal ano marcou a chegada de Alonso à esquadra italiana. Vindo de dois anos no “purgatório” de uma Renault decadente, o volante relegou Felipe Massa à condição de segundo piloto (algo que ficou bastante explícito na polêmica ordem do GP da Alemanha) e, aproveitando-se de quebras crucias de Vettel (Bahrein, Austrália, Espanha e Coreia), mais o “Fernando is faster than you” de Hockenheim e vitórias precisas em Singapura e Itália, chegou ao GP de Abu Dhabi, decisão do campeonato, como líder e favorito ao tri.

Tudo parecia sob controle para o latino até o momento em que a Red Bull antecipou a troca de pneus de Mark Webber. A fim de marcar o australiano, adversário mais próximo na tabela de pontos, a Ferrari cometeu o incorrigível erro de mandar seu piloto aos boxes na sequência. Consequência: Alonso ficou preso atrás de Vitaly Petrov até o fim da corrida e Vettel, correndo solto à frente, pôde comemorar a conquista de seu primeiro campeonato.

5. GP de San Marino de 2005, duelo com Schumacher

Se em 2003 Alonso provou que poderia ser um vencedor, em 2005 o asturiano mostrou que já poderia ser encarado como um dos grandes talentos da categoria. O desempenho magno veio em San Marino, em meio a uma duríssima batalha contra ninguém menos que Michael Schumacher.

Em baixa na temporada por causa dos problemáticos pneus Bridgestone, o heptacampeão fazia brilhante participação em Ìmola após largar de 13º. Escalou o pelotão até o segundo lugar, só que esbarrou num obstinado Alonso, que utilizou todas as artimanhas possíveis para defender a liderança e confirmar presença no degrau mais alto do pódio.

4. GP do Brasil de 2005, o primeiro título mundial

A definição do título de 2005 não foi exatamente emocionante. Aliás, como já explicamos aqui no Projeto Motor, Alonso teve até uma conquista tranquila, definida na antepenúltima prova da temporada.

Mesmo assim, o campeonato teve questões marcantes tanto para o espanhol quanto para a F1. Para começar, colocou fim ao domínio de cinco anos consecutivos do conjunto Schumacher/Ferrari, que ficou fora da briga por conta do novo regulamento de pneus que beneficiou a Michelin na briga com a Bridgestone.

Além disso, marcou o primeiro título – tanto de pilotos quanto de construtores – da Renault, marca que, entre idas e vindas, já frequentava a F1 desde 1977. Para completar, Alonso ainda se tornou, aos 24 anos, o mais jovem campeão da categoria, derrubando um recorde que era de Emerson Fittipaldi desde 1972, e que seria superado em 2008 por Lewis Hamilton e em 2010 por Sebastian Vettel.

3. GP de Singapura de 2008, a vitória vergonhosa

Alonso pode até dizer que não sabia de nada, mas o GP de Singapura de 2008 ficará marcado para sempre em sua carreira como uma de suas mais vexatórias vitórias. Provavelmente até entre as piores momentos do automobilismo.

Em um esquema da Renault comandado por Flavio Briatore e Pat Symonds, o time pediu para o companheiro do espanhol, Nelsinho Piquet, bater de propósito pouco após o pitstop do espanhol para causar a entrada do safety car e privilegiar sua estratégia.

A farsa foi descoberta apenas um ano depois, por denúncia de Piquet. O brasileiro, que tinha sido demitido pouco antes da Renault, nunca mais voltou ao grid da F1. Briatore foi banido da categoria pela FIA enquanto Symonds foi excluído por cinco anos. Alonso foi o único que não recebeu nenhuma punição por não se comprovar que fazia parte ou soubesse do plano.

2. GP da Hungria de 2007, o ápice do duelo com Hamilton

Em 2007, Alonso foi para a McLaren para ser o grande o líder da equipe, que não vencia um campeonato desde 1999. Ao seu lado, ele teria o novato Lewis Hamilton. Só que o inglês surpreendeu a todos e principalmente ao espanhol fazendo uma temporada de estreia extremamente consistente e desafiando o bicampeão.

O espanhol não aceitou bem ter que enfrentar a nova estrela em igualdade de condições, já que acreditava que merecia ter o posto de piloto número um na briga contra a Ferrari. O desconforto causou um racha com a McLaren que saiu completamente dos trilhos. E o ápice da crise foi em Hungaroring, em que ele, de forma calculada e com ajuda de sinais de seu preparado físico, segurou Hamilton no pitlane no final da classificação para o inglês não ter tempo de trocar os pneus e fazer uma última volta rápida.

Os comissários da FIA puniram Alonso após a sessão com cinco posições no grid, o tirando da pole position.

1. GP do Brasil de 2006, título em cima de Schumacher

O próprio Alonso já admitiu que seu segundo título foi mais emocionante que o primeiro. Apesar de chegar a Interlagos com uma vantagem que lhe permitia chegar até na oitava posição independente de Schumacher vencer a corrida, a conquista veio apenas na última etapa da temporada.

Além disso, coloca-se o peso de uma vitória em cima do grande piloto da época. Com a aposentaria do alemão (que voltaria quatro anos depois à F1), o agora bicampeão assumia o papel de maior estrela da categoria.

 

A PILOTAGEM DE MICHAEL SCHUMACHER | Desvendando os gênios:

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Modesto Gonçalves

Começou a acompanhar automobilismo de forma assídua em 1994, curioso com a comoção gerada pela morte de Ayrton Senna. Naquela época, tomou a errada decisão de torcer por Damon Hill em vez de Michael Schumacher, por achar mais legal a combinação da pintura da Williams com o capacete do britânico. Até hoje tem que responder a indagações constrangedoras sobre a estranha preferência. Cursou jornalismo pensando em atuar especificamente com automóveis e corridas, e vem cumprindo o objetivo: formado em 2010, foi consultor do site especializado Tazio de meados de 2011 até o fim de 2013; desde maio de 2015 compõe o comitê editorial do Projeto Motor.