Pace: o ás que morreu prestes a dar resposta mais importante da carreira

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É bastante comum ouvirmos em conversas entre pessoas que tiveram a oportunidade de acompanhar de perto o automobilismo brasileiro e a F1 dos anos 60 e 70 que José Carlos Pace tinha em seu destino um título mundial. Nunca saberemos se essa afirmação realmente se concretizaria, pois o paulistano perdeu a vida em um acidente de avião há 40 anos, em 18 de março de 1977, antes de ter a chance de completar sua carreira.

Moco era um piloto determinado, versátil e rápido. Muito rápido. Se isso bastaria para conquistar o campeonato um dia é uma outra conversa. Não são raros os talentos do automobilismo perdidos no meio do caminho e que não tiveram a chance de mostrar se realmente seriam grandes. Do mesmo jeito que não são poucos os carros de pilotos habilidosos que criaram expectativas, mas que não tinham o algo a mais ou a sorte de estar no carro certo na hora certa para se sagrarem campeões.

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De qualquer forma, o que podemos dizer sobre Pace é que ele foi um dos bons pilotos brasileiros fora do trio de gênios Fittipaldi-Senna-Piquet. E se não tem grandes números para mostrar, pelo menos a sua única vitória na F1, no GP do Brasil de 1975, não deixa seu nome passar em vão pelas estatísticas frias da categoria, ao lado da sua também solitária pole position no GP da África do Sul do mesmo ano.

Pace e Fittipaldi no pódio do GP do Brasil de 1975
Pace e Fittipaldi no pódio do GP do Brasil de 1975

Aquela temporada foi a sua melhor, com 24 pontos conquistados e o sexto lugar na classificação dos pilotos, apesar de ter ficado bem atrás de seu companheiro, Carlos Reutemann, terceiro com 37.

Antes disso, em 73, ele correu as 24 Horas de Le Mans como piloto oficial da Ferrari, conquistando o melhor resultado de um brasileiro na tradicional prova, um segundo lugar, igualado apenas por Raul Boesel em 91 e Lucas di Grassi em 2014.

Pace, com seu Branham BT45 Alfa Romeo, no GP de Mônaco de 1976
Pace, com seu Branham BT45 Alfa Romeo, no GP de Mônaco de 1976

Em 77, ele até parecia começar bem, com um segundo lugar na Argentina e uma primeira fila na África do Sul. Muitos dizem que aquele seria seu ano, apesar da Brabham não ter se mostrado tão forte assim. Provavelmente ele teria que esperar mais algumas temporadas, mas aí os já 32 anos poderiam pesar. É preciso dizer que ele dificilmente ainda conseguiria evoluir como piloto e dentro das cotações da F1 para vir a assumir um carro que pudesse lhe dar um título.

Isso não importa, já que uma tragédia colocou fim a sua trajetória 13 dias após a prova em Kyalami. Ele embarcou com seu amigo Marivaldo Fernandes em um monomotor no Campo de Marte, em São Paulo. Poucos minutos depois, o pequeno avião caiu na Serra da Cantareira, em Mairiporã. Os dois morreram na hora.

Para celebrar Pace, fica aqui as imagens de seu melhor momento nas pistas, na vitória que o consagrou no autódromo que anos mais tarde passaria a ter o seu nome.

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Lucas Santochi

Mais um fanático da gangue que criou vínculo com automobilismo desde a infância. Acampou diversas vezes nas calçadas ao redor de Interlagos para assistir aos GPs e nunca esqueceu a primeira vez que, ainda do lado de fora do autódromo, ouviu o barulho de F1 acelerando pela reta. Jornalista formado em 2004, passou por redações na época da TV Band e Abril, teve experiência na área de assessoria de comunicação esportiva até chegar ao site especializado em esporte a motor Tazio, em 2010. Passou pelas funções de redator, repórter (cobrindo diversas corridas no Brasil e exterior de F1, Indy, WEC, Stock Car, entre outras) e subeditor até o final de 2013, quando o veículo encerrou suas atividades. Trabalhou ainda como redator do UOL Esporte em 2014 até que decidiu se juntar com os outros três membros do Projeto Motor para investir na iniciativa.