Para animar o Vettel: as grandes viradas da história do campeonato da F1

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Ok, a situação do Vettel no campeonato de 2017 está para lá de complicada. E nessas horas, sempre vale se apegar um pouco a feitos do passado. E eles mostram ao alemão que nem tudo está perdido. Pelo menos por enquanto.

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O Projeto Motor mergulhou na longa e rica história da F1 para procurar as grandes viradas que resultaram em títulos até mesmo inesperados, diante de uma vantagem construída nas primeiras fases da temporada.

Em alguns casos, não só a distância para o primeiro colocado, mas a própria situação da classificação geral, em que um piloto não parecia em melhor posição para brigar pela taça, foi considerada. E como é muito difícil eleger neste caso o que é mais difícil, posicionamos os exemplos em ordem cronológica simples, sem um ranking propriamente dito. Vamos lá:

1976 – Hunt vira sobre Lauda

Hunt e sua McLaren à frente da Ferrari de Lauda
Hunt e sua McLaren à frente da Ferrari de Lauda

A temporada de 76 é tão cheia de detalhes que virou até filme. A virada de Hunt em cima de Lauda foi certamente consequência do grave e famoso acidente do austríaco em Nurburgring, mas o inglês também teve grandes méritos ao não deixar passar a pequena janela de oportunidade.

O piloto da Ferrari se acidentou na 10ª etapa, na Alemanha. Naquele momento, ele tinha 26 pontos de vantagem para Hunt, terceiro atrás de Jody Scheckter. Lauda ficou fora duas corridas e retornou, ainda em condições precárias, em Monza. Hunt conquistou três vitórias em cinco e chegou à prova final, em Fuji, três pontos atrás. Embaixo de chuva, o austríaco desistiu e o inglês levou sua Mclaren ao quarto lugar para se sagrar campeão por um ponto.

1981 – Piquet vira sobre Reutemann

Nelson Piquet, com sua Branham, perseguido pela Williams de Carlos Reutemann
Nelson Piquet, com sua Branham, perseguido pela Williams de Carlos Reutemann

Em 1981, o Brasil voltou a celebrar um campeão. Com um bom trabalho junto à Brabham para desenvolver o modelo BT49C, Piquet soube se aproveitar bem da briga interna da Williams entre Jones e Reutemann para levantar a taça. (Clique aqui para saber em detalhes)

Após a nona das 15 etapas, o argentino tinha tranquilos 17 pontos de vantagem sobre o brasileiro. Só que a partir do 10º GP da temporada, Piquet emendou uma ótima sequência nos pontos, enquanto o rival passou a enfrentar problemas. Com um quinto lugar na prova final, em Las Vegas, enquanto Reutemann ficou fora dos pontos, Piquet consolidou a virada para ser campeão por um ponto.

1983 – Piquet vira sobre Prost

Piquet e Prost se tocam em briga durante a temporada de 1983
Piquet e Prost se tocam em briga durante a temporada de 1983

Mais uma vez Piquet. Mais uma vez liderando um belo trabalho de desenvolvimento na Branham, agora com o modelo BT52B equipado com o motor BMW, o primeiro propulsor turbo campeão na F1.

A três provas do final da temporada, Prost liderava a classificação geral com 14 pontos de vantagem para o brasileiro. Piquet e a Brabham evoluíram para a reta final e o piloto conquistou duas vitórias consecutivas para chegar na corrida final, na África Sul, apenas dois tentos atrás. O brasileiro liderava a prova, com o francês em terceiro, quando o motor Renault do rival teve problemas, praticamente deixando o título nas mãos do representante da Brabham, que apenas conduziu para terminar em um terceiro lugar lhe garantiu o bicampeonato.

1986 – Prost vira sobre Mansell e Piquet

Era difícil imaginar que Prost seria campeão em 86
Era difícil imaginar que Prost seria campeão em 86

Trata-se de uma das temporadas mais épicas de todos os tempos, o que já rendeu um extenso especial do Projeto Motor. A disputa ficou majoritariamente concentrada nos pilotos da Williams, enquanto que Alain Prost fazia trabalho de formiga para acumular pontos aqui e ali e se manter vivo na briga.

Confira a série “1986, a temporada que definiu a geração”:
1 – Ayrton Senna | 2 – Nelson Piquet | 3 – Nigel Mansell | 4 – Alain Prost

Aos trancos e barrancos, Prost chegou a cair para quarto no campeonato a cinco etapas para o fim. Dali para frente, porém, mostrou por que é considerado um dos pilotos mais cerebrais da história: acumulou quatro pódios em cinco provas e, diante dos infortúnios de Nigel Mansell e Nelson Piquet em Adelaide, obteve uma virada histórica. Inacreditável.

2007 – Raikkonen vira sobre Hamilton e Alonso

Hamilton já sabe o que é perder um campeonato praticamente ganho
Hamilton já sabe o que é perder um campeonato praticamente ganho

Quando dominou no aguaceiro de Fuji, ainda vendo o arquirrival Fernando Alonso se esborrachar no muro, Lewis Hamilton se aproximou de um feito inédito: se tornar um estreante campeão da F1. Nas duas últimas provas do ano, bastavam um segundo e um terceiro lugar para coroar o feito – e isso se Alonso conseguisse vencer em ambas.

Para eliminar Kimi Raikkonen da disputa, então, apenas um único quinto lugar em Xangai ou Interlagos seria suficiente. E não é que ele não conseguiu? Um abandono e um sétimo lugar, mais duas vitórias cirúrgicas de Raikkonen em seu fim de temporada avassalador, proporcionaram a reviravolta mais incrível da história.

2010 – Vettel vira sobre Alonso e Webber

Petrov deu pesadelos a Alonso e Webber em Abu Dhabi
Petrov deu pesadelos a Alonso e Webber em Abu Dhabi

Aqui começam os exemplos mais diretos para Vettel. Em 2010, a seis provas para o fim, o alemão se encontrava em um distante terceiro lugar na tabela, 31 pontos atrás do líder. Já na antepenúltima prova, na Coreia do Sul, sofreu uma quebra dolorida no fim enquanto liderava, o que o deixou com um déficit de 25, com 50 ainda em jogo.

O plano, então, era claro: vencer no Brasil, vencer em Abu Dhabi e torcer por azares de Fernando Alonso e Mark Webber. Foi o que aconteceu. O piloto da Red Bull triunfou em dobro, coletou 50 pontos e, com o sétimo e oitavo lugares de seus rivais em Yas Marina, se tornou o campeão mais jovem da história.

2012 – Vettel vira sobre Alonso

Virada após arrancada na decisão de 2012
Virada após arrancada na decisão de 2012

A Red Bull oscilou absurdamente na primeira metade da maluca temporada de 2012, enquanto que Alonso conseguiu coletar pontos bravamente com uma Ferrari que, apesar de menos veloz que a concorrência, era a prova de quebras.

Assim, após a etapa de Monza, o atraso de Vettel na classificação geral chegou a 36 pontos. A partir de então, a Red Bull ajeitou a casa e o alemão entrou em fase inspirada, com quatro vitórias seguidas.

Já Alonso teve um tropeço com o abandono na largada em Suzuka. Vettel assumiu a liderança da tabela em Yeongam para não perder mais – mesmo tendo vivido momentos de tensão na decisão, em Interlagos.

 

Debate Motor #88: Qual o maior legado de Piquet para o automobilismo?

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  • Antonio Manoel

    Excelente texto, como sempre!!
    Reviravoltas fizeram e fazem parte da Formula 1, porém creio que a situação para Vettel no atual campeonato não esteja muito ao seu favor, afinal com o carro que Hamiton tem (além do excelente desempenho do inglês ao volante), à não ser que a Mercedes sofra uma absurda queda de desempenho e confiabilidade em apenas uma semana (o que é praticamente impossível) ou então que abandone por algum acidente (mais provavelmente, provocado por outro piloto) o Hamilton não termina na mínima posição necessária para o seu quarto título.
    Porém o mesmo artigo mostra que Vettel, ao contrário do que muitos creem e dizem, não levou seus quatro campeonatos consecutivos pura e simplesmente por conta de carros de outro planeta, o alemão soube em duas ocasiões ser matemático e rápido ao volante para obter bons resultados no fim das ditas temporadas e levar dois de seus campeonatos, o que não tira também o mérito dos outros dois onde ele soube tirar proveito do carro que tinha, aproveitando ao máximo todas as qualidades de seus carros de outro planeta (no caso de 2011 e 2013) e levar para casa tais campeonatos, afinal na F1, sempre a combinação de no mínimo um bom carro e um bom piloto (sem falar de boas estratégias e trabalho de equipe) foram cruciais para definições de campeonatos, desde a era de Fangio até os tempos atuais de Vettel e Hamilton.

    – P.S: Imagino o feito que seria caso Hamilton conseguisse o campeonato logo em sua temporada de estreia, isso mostra que o inglês também passa longe de ser um piloto comum no grid…

  • ANDRÉ WOLLMANN

    Uma das viradas mais tristes da F1 aconteceu em 2008, aquele titulo era do Massa, mas os 2 (Massa e Hamilton) estavam empatados na tabela, Massa tinha tudo para ganhar aquele titulo pois até venceu o GP do Brasil, mas infelizmente o maldito Glock ferrou com tudo e o Hamilton ficou com o titulo por poucos pontos a frente de Massa, como diria o Galvão Bueno naquela corrida (“Hamilton é Campeão Do Mundo, BRASILSILSILSIL”) kkkkkkkkkkkk.

    • André, o Massa não estava empatado com o Hamilton. Aliás, ele chegou ao Brasil em uma situação muito difícil, sete pontos atrás. Tanto que chegou à frente do Hamilton e perdeu o campeonato. Por isso, sua lembrança não se encaixa nesta pauta. Caso o Massa tivesse se sagrado campeão, aí sim seria uma das maiores viradas da história, certamente.

      Sobre o Glock, sugerimos que você leia este outro texto do nosso site, que tem uma análise bem profunda e técnica sobre se o alemão foi culpado ou não do Massa perder o título: http://projetomotor.com.br/fato-ou-mito-5-timo-glock-tirou-o-titulo-de-massa-em-2008/

      • ANDRÉ WOLLMANN

        é mesmo eu me esqueci dessa, mas eu me lembro que eu acabei ficando bem abalado quando eu assisti aquela corrida achando que o massa iria levar o titulo, mas o inesperado aconteceu, não queria ofender o Glock, mas eu confesso que naquele dia que eu assisti aquela corrida eu fiquei com muita raiva daquele alemão e ao mesmo tempo triste por conta do massa não ter levado o titulo, mas ainda sim a vitória até que foi legal, mas se essa virada histórica tivesse acontecido a favor do Massa, daí sim seria muito bem lembrada aqui no texto de vocês.

  • ANDRÉ WOLLMANN

    faltou a grande virada de Ayrton Senna em cima de Nigel Mansell no gp do japão de 1991 que garantiu o tri campeonato para o Senna !!!

    • Leandro Farias

      Virada no caso, é quando o cara fica atrás o campeonato quase todo pra só no fim passar o líder. Não foi o caso aqui.

      Senna construiu uma vantagem logo no início, e controlou muito bem. Mansell não conseguiu se aproximar direito e por isso perdeu em Suzuka.

    • Leandro Farias

      Senna nunca precisou virar o jogo. Em 90 ele também abriu vantagem cedo e em 88, ele começou a disparar a partir de Silverstone.

    • ANDRÉ WOLLMANN

      tudo bem que o Senna liderou o campeonato inteiro em 91, mas mesmo assim o Mansell vinha ameaçando tirar essa liderança de Senna, mas em fim no GP do japão daquele ano o Mansell passou reto e perdeu a chance de título, uma situação parecida aconteceu tambem em 1997 no Gp de Jerez onde o Michael Schumacher e Jaques Villeneuve lutavam para obter aquele titulo, o alemão tinha tudo para ganhar, mas ele tentou impedir o Villeneuve de passar quando ele estava próximo e com isso o alemão acabou sendo desclassificado e o canadense ficou com o título daquele ano.

      • André, a ideia do texto era lembrar grandes viradas em que um piloto estava muito atrás no campeonato, em uma situação difícil, e conseguiu virar no final para se sagrar campeão. As duas decisões que você lembrou, realmente foram muito legais, mas não se encaixam neste quadro. De qualquer maneira, obrigado pela participação. Abraço!

        • ANDRÉ WOLLMANN

          ahh obrigado, acabei me lembrando dessas tambem, mas agora eu já descobri que as que eu havia citado não são validas para esse texto, mas uma das minhas favoritas daqui é a virada final do Piquet em cima do Alain Prost, mas e a virada do propio Piquet em cima do Mansell em 1987 não conta !!!

  • Leandro Farias

    Hamilton, pela forma como está conquistando o tetra sai na frente do Vettel momentaneamente em uma comparação de quem é melhor, por ter falhado muito menos. Mas se Vettel recuperar todo esse terreno perdido PELA TERCEIRA VEZ, com outro carro que além de tudo não é o melhor, se torna tão incontestável quanto o negão.

    • Dannny369

      Cara, o melhor carro deste ano em termos de desempenho puro é Ferrari. A diferença é que ela quebra demais e o Kimi é um ex-piloto em atividade.

      • Leandro Farias

        Carro que quebra demais nunca é o melhor. Melhor carro soma velocidade e confiabilidade porque não adianta nada largar na frente se não termina as corridas. Por quebras no começo que a Williams perdeu pra McLaren em 1991, e aí nego só olha velocidade pura pra dizer que o Senna não tinha o melhor carro. Claro que tinha! Foi o conjunto que permitiu não apenas uma maior constância no campeonato como proezas igual Brasil 1991.