Penta da Indy, Dixon testou Williams e flertou com sonho da F1

1

Scott Dixon entrou de vez para a galeria dos maiores pilotos da Indy ao se sagrar campeão pela quinta vez da categoria, no último domingo (16/09), com um segundo lugar na corrida de Sonoma, na Califórnia.

Fique ligado em nossas redes sociais: 
Twitter – @projetomotor
Facebook – Projeto Motor
YouTube – Projeto Motor
Instagram – @projetomotor

Nascido em Brisbane, na Austrália, e naturalizado neozelandês, para onde migrou com os pais ainda pequeno, Dixon soma hoje, aos 38 anos de idade, 44 vitórias (somadas as participações na IRL e ChampCar) e fica atrás apenas de A. J. Foyt, 67 (também somando Usac e Cart), e Mario Andretti, 52. Em títulos, ele já é o segundo da história, correndo atrás apenas dos sete de Foyt.

Não é pouca coisa. Não é à toa que em uma lista do Projeto Motor publicada em 2015, colocamos o seu nome entre os cinco pilotos de outras categorias que gostaríamos de ver em um F1. E saiba que essa mudança chegou a ser cogitada, mas há 14 anos.

Scott Dixon ergue a taça de seu pentacampeonato na Indy com esposa e filhos
Scott Dixon ergue a taça de seu pentacampeonato na Indy com esposa e filhos

A ascensão de Dixon foi meteórica. Campeão da Indy Lights em 2000, ele foi promovido para a ChampCar na temporada seguinte e logo conseguiu sua primeira vitória, pela Pacwest, no antigo circuito oval de Nazareth. Em 2002, a equipe entrou em dificuldades e acabou se despedindo da categoria após a terceira etapa, mas ele logo conseguiu uma vaga na Ganassi, de onde nunca mais sairia.

A mudança para a 2003 foi geral, a Ganassi migrou para a IRL e Dixon conquistou o seu primeiro título, aos 23 anos, batendo uma armada de brasileiros: Gil de Ferran, Hélio Castroneves e Tony Kanaan, vice, terceiro e quarto colocados no campeonato, respectivamente.

A grande atuação do neozelandês chamou a atenção de dirigentes europeus, em especial na Williams, que na época ainda mantinha certa tradição de olhar para campeões da Indy, como os casos de Jacques Villeneuve, em 1996, Alessandro Zanardi, em 1999, e Juan Pablo Montoya, em 2001.

Dixon foi convidado para um primeiro teste no circuito de Paul Ricard em 26 de março de 2004, com o modelo FW26-BMW. E para uma primeira experiência em um carro de F1, não foi mal. Ele esteve na pista por um dia contra outros sete pilotos da categoria, incluindo o condutor oficial da Williams na época, Ralf Schumacher.

Campeão da Indy, Scott Dixon testa carro da Williams-BMW em Paul Ricard, em 2004
Campeão da Indy, Scott Dixon testa carro da Williams-BMW em Paul Ricard, em 2004

O tempo dele foi de 1min11s753 com um total de 59 voltas completadas. A melhor marca da sessão foi de 1min10s860, de Jenson Button, com a BAR 006-Honda. Com o mesmo carro de Dixon, Schumacher completou 136 giros, sendo que o melhor foi em 1min11s300, cerca de 0s5 mais rápido que o neozelandês. Um dia antes, também com o FW26, o brasileiro Antônio Pizzonia tinha virado 1min11s211 enquanto Marc Gené, no começo da semana, tinha marcado 1min12s060.

Sempre bom lembrar que não sabemos as exatas condições que cada piloto andou e se existia igualdade em termos de acerto, pneus e quantidade de combustível. Mesmo assim, Dixon não escondeu que ficou animado com a experiência na época.

“Fiquei com um sorriso de orelha a orelha durante o dia inteiro”, admitiu o campeão da Indy em entrevista à agência AFP após o teste. “É definitivamente o que quero fazer. Eu gostaria de voltar ao carro agora se pudesse”, completou.

A Williams vivia um momento em que já repensava seus pilotos titulares, Schumacher e Montoya. No final da temporada, ambos sairiam do time, o primeiro para a Toyota e o segundo para a McLaren. Mesmo ainda no primeiro semestre, o time inglês já se preparava para possíveis mudanças e estava avaliando suas opções.

Com um promissor primeiro teste, Dixon se tornou uma possibilidade e, por isso, foi convidado para uma segunda experiência, desta vez mais completa, com um programa de três dias em Barcelona, onde a equipe conseguiria fazer comparações melhores para sentir se o piloto da Indy poderia realmente entregar o que o time precisava.

Sendo assim, apenas duas semanas após a estreia em Paul Ricard, Dixon já estava novamente no FW26, desta vez no circuito da Catalunha, tradicional casa de testes da F1. Só que, desta vez, o desempenho não foi tão bom.

Scott Dixon testa carro da Williams-BMW no circuito de Barcelona, em 2004
Scott Dixon testa carro da Williams-BMW no circuito de Barcelona, em 2004

Na primeira sessão, no dia 7 de abril, o neozelandês completou 96 voltas com a melhor em 1min15s922. Com o mesmo carro, Gené cravou 1min15s211. Nos dois dias seguintes, a sorte também não ajudou muito a Dixon. No segundo dia, ele teve que encarar muita chuva, onde fez um tempo de 1min28s324 contra 1min27s014 de Ralf Schumacher.

No último dia de treinos, ele até abriu bem com o tempo de 1min16s613, com perspectivas de melhora durante a sessão, mas sofreu um problema na transmissão e teve o tempo de pista comprometido. Mesmo conseguindo completar 64 voltas, boa parte delas já foi no final do dia, com a pista mais fria e um pouco de garoa. Gené, com 105 giros, virou 1min15s937, pouco menos de sete décimos melhor.

Em entrevista para o jornal The New Zealand Herald após o treino, a mãe do piloto, Glenys Dixon, admitiu que ele demonstrou certa frustração com a experiência. “Ele não sentiu que realizou muito por ele. Ele desejava um tempo melhor para que pudesse encaixar mais algumas voltas”, disse. “Ele sentiu que poderia ter ido melhor no último dia se não fosse o tempo e a quebra [do carro]”, completou.

Mais uma vez, sempre é muito difícil interpretar tempos deste tipo de teste, em que a configuração dos carros não é pública. Mesmo assim, a verdade é que a Williams nunca mais chamou Dixon para uma nova chance. Outras sete equipes do grid da F1 também estiveram na pista naquela semana, o viram andar e também não se interessaram.

A Williams decidiu começar 2005 com Mark Webber e Nick Heidfeld. Dixon nunca mais teve seu nome comentado de forma séria para uma vaga na F1. Não que isso também fosse crucial para sua carreira. Ele segue na Indy até hoje e não para de vencer corridas, campeonatos e conquistar recordes.

 

Jenson Button EXCLUSIVO: adaptação ao WEC e comparação LMP1 x F1

 Comunicar Erro

Lucas Santochi

Mais um fanático da gangue que criou vínculo com automobilismo desde a infância. Acampou diversas vezes nas calçadas ao redor de Interlagos para assistir aos GPs e nunca esqueceu a primeira vez que, ainda do lado de fora do autódromo, ouviu o barulho de F1 acelerando pela reta. Jornalista formado em 2004, passou por redações na época da TV Band e Abril, teve experiência na área de assessoria de comunicação esportiva até chegar ao site especializado em esporte a motor Tazio, em 2010. Passou pelas funções de redator, repórter (cobrindo diversas corridas no Brasil e exterior de F1, Indy, WEC, Stock Car, entre outras) e subeditor até o final de 2013, quando o veículo encerrou suas atividades. Trabalhou ainda como redator do UOL Esporte em 2014 até que decidiu se juntar com os outros três membros do Projeto Motor para investir na iniciativa.