Pilotos aposentados que voltaram a sentir o gosto de guiar um F1 – Parte 2

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As pesquisas se intensificaram, amigos colaboraram, novas imagens foram arquivadas e um especial que inicialmente teria três partes já subiu para seis.

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Se na secção 1 relembramos histórias de Jackie Stewart, Jacky Ickx, James Hunt, Jacques Laffite e Mika Hakkinen, neste novo fascículo sobre pilotos aposentados que voltaram a sentir o gostinho de conduzir um F1 mostraremos outros cinco casos.

1. Emerson Fittipaldi (1984 e 2013)

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No esteio do retorno de Niki Lauda às pistas, a pequenina Spirit tentou convencer outro bicampeão (“outro” porque o austríaco, até então, tinha “só” dois títulos) a desaposentar as luvas: Emerson Fittipaldi. O brasileiro foi convidado pela esquadra, que usara motores Honda na campanha anterior, mas agora tinha que se virar com o pouco empolgante Hart L4 turbo, a participar dos testes de pneus que antecederam o princípio da temporada de 1984, no saudoso Jacarepaguá.

O “Rato”, que havia deixado a carreira de piloto havia quatro anos e a de construtor havia dois, aceitou o desafio naquelas: “Já que não estou fazendo nada mesmo…”. O problema é que o modelo 201C era fraquíssimo, e ficava ainda mais frágil quando empurrado por um propulsor pouco potente. Consequência: Emmo fugiu da enrascada e preferiu fazer carreira na Indy. Sábia decisão. Restou a extravagância de ter andado com um bólido que ostentava a figura de Mickey Mouse (cortesia de Fulvio Ballabio, ás italiano cua família detinha os direitos sobre os gibis da Disney no país da bota).

Quase 30 anos depois, um Fittipaldi já “sessentão” teve a oportunidade de conduzir um Renault R30, de 2010, sob a pintura da então Lotus. Dessa vez, claro, o objetivo era só se divertir e matar as saudades. Confira o resultado da experiência:

2. Michael Schumacher (2007 a 2009)

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Logo após anuciar sua primeira aposentadoria, Michael Schumacher assumiu a função de consultor de luxo da Ferrari. Em 2007 e 2008, participou de alguns testes de pré-temporada com a F2007 e a F2008, sempre no circuito de Montmeló, sugerindo ali que o desejo de continuar ativo ainda pujava em seu peito. A oportunidade veio em 2009, com o fatídico acidente de Felipe Massa na Hungria. O germânico chegou a andar de novo com o F2007, desta vez em Mugello, mas, devido a uma lesão no pescoço sofrida numa queda de moto, abdicou do chamado. Acabaria voltando no ano seguinte, pela Mercedes, e o resto da história o douto leitor já sabe.

3. Niki Lauda (1981 e 2002)

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De saco cheio da categoria e da Brabham, Niki Lauda mandou todos às favas no fim de 1979 e foi cuidar de sua recém-fundada companhia aérea. Tudo mudou dois anos mais tarde, quando o austríaco acabou convencido a ingressar no projeto, liderado por Ron Dennis, que fundia a McLaren à sua escuderia de F2, a Project 4. A primeira experiência do então bicampeão com o time alvirrubro ocorreu em meados de 81, a bordo do MP4-1 no circuito britânico de Dnington Park. Lauda gostou do que sentiu e o resto é História.

Vinte e um verões mais tarde, já como um senhor de 52 anos e detentor de três títulos, Andreas Nikolaus atuava como chefe da turbulenta Jaguar e queria entender, afinal, como funcionavam os dispositivos eletrônicos que tanto trabalho demandavam dos engenheiros. Arranjaram para ele, então, uma sessão a bordo do R2 no circuito Ricardo Tormo, em Valência, em janeiro de 2002. Enferrujado, rodou algumas vezes, deixou o carro morrer e mal conseguia se manter na pista. Ironicamente, o mesmo Lauda dissera poucos meses antes que “qualquer macaco” seria capaz de pilotar um F1 daquela época.

4. John Watson (1985, 1990 e 1991)

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Desde a temporada antecedente a Toleman enfrentava problemas em relação ao fornecimento de pneus. Para 85 a esquadra estava cindida com Pirelli e Michelin, e a Goodyear se recusava a integrar mais um nome à sua carta de clientes. Em meio ao turbilhão, o veterano John Watson (afastado do certame desde 83) foi chamado para liderar os testes com o TG185 ao lado de Stefan Johansson em Jacarepaguá. O experiente norte-irlandês chegou a ser inscrito para a temporada, e a declarar que o monoposto era bom a ponto de brigar por vitórias. Entrementes, o imbróglio da borracha enfraqueceu a operação a tal ponto (afinal, sem pneus ninguém corre) que o dono, Ted Toleman, não aguentou a pressão e vendeu o time à companhia de roupas italiana Benetton. Watson foi descartado dos planos a partir de então.

Meio decênio depois, o agora ex-piloto quebrou um galho para o amigo Eddie Jordan, que ingressava na série após anos de batalhas na F3000, e participou do shakedown do 191 (à época batizado como 911) no final de 1990. Também fez outra bateria com o modelo, já em janeiro de 91, sempre em Silverstone. Posteriormente, em 93, teria a chance de conhecer o ultratecnológico Williams FW15C em Paul Ricard. Finalmente, em 96, deu umas voltinhas a bordo do Sauber C15 na recém-reformada praça austríaca de A1 Ring (antigo Österreichring e atual Red Bull Ring).

5. Aguri Suzuki (1996)

Aguri Suzuki Bridgestone 1996

Após passar dois anos como uma espécie de “ás tampão” para Jordan e Ligier, respectivamente, Aguri Suzuki deixou definitivamente o universo dos GPs oficiais em 1996. Mas não se desvencilhou totalmente: no fim daquela estação, recebeu um convite da também japonesa Bridgestone, fabricante de pneus que se aprontava para adentrar o circo no ano seguinte,  para experimentar os compostos. Suzuki topou, e praticou com o velho conhecido Ligier JS41 pintado de vermelho, preto, cinza e branco em Suzuka, na semana sequente ao encerramento do calendário. O campeão, Damon Hill, também tomou parte na sessão.

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Modesto Gonçalves

Começou a acompanhar automobilismo de forma assídua em 1994, curioso com a comoção gerada pela morte de Ayrton Senna. Naquela época, tomou a errada decisão de torcer por Damon Hill em vez de Michael Schumacher, por achar mais legal a combinação da pintura da Williams com o capacete do britânico. Até hoje tem que responder a indagações constrangedoras sobre a estranha preferência. Cursou jornalismo pensando em atuar especificamente com automóveis e corridas, e vem cumprindo o objetivo: formado em 2010, foi consultor do site especializado Tazio de meados de 2011 até o fim de 2013; desde maio de 2015 compõe o comitê editorial do Projeto Motor.

  • Leandro Farias

    Fittipaldi ainda voltaria a pilotar um Lotus em 2012, por causa dos 30 anos do seu título pela marca. Achei bastante comovente ele dizendo que se sentia vivo outra vez.

  • Não estava aposentado, mas acho que Luca Badoer poderia entrar na lista como um bonus, por correr 2 corridas na F1 após 10 anos.

    • Luiz S

      Se não me engano a volta dele foi um show de horror

  • ituano_voador

    Depois de o acordo com a Toleman falhar, John Watson teve a chance de disputar o GP da Europa de 1985 a bordo do McLaren de Niki Lauda, que se recuperava de uma lesão no punho sofrida em um acidente na corrida anterior, em Spa, onde conseguiu um bom 7º lugar. E quanto ao Emerson, cabia falar de seu “quase retorno” de 1989, quando ele foi convidado pela Minardi para fazer os GPs do Japão e da Austrália, depois de ter conquistado o título da Indy.

    • Leonardo Felix

      Participações sempre enriquecedoras, Ituano! Muito obrigado!

  • Felipe Casas

    ferrari de 2009, carro horrivel, dor no pescoço!
    mercedes de 2010, continuação da brawn campeã do mundo, dor curada em poucos meses, ja em dezembro de 2009!

    ninguem é bobo nesse mundo, schummy