Pilotos aposentados que voltaram a sentir o gosto de guiar um F1 – Parte 3

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O especial do Projeto Motor sobre ases aposentados que voltaram a pilotar um F1 chega à sua terceira parte. Na primeira contamos as histórias de Jackie Stewart, Jacky Ickx, James Hunt, Jacques Laffite e Mika Hakkinen. Na segunda entraram Niki Lauda, Emerson Fittipaldi, Michael Schumacher, John Watson e Aguri Suzuki.

Leia os dois primeiros fascículos:
Parte 1
Parte 2

Nesta terceira narraremos aventuras um pouco mais conhecidas, como as de Alain Prost e Martin Brundle, e também outras deveras obscuras. Sabia, por exemplo, que Maurício Gugelmin testou pela Williams depois de deixar a F1? Pois é. Confira os “causos” selecionados:

1. Alain Prost (1994 a 96 e 2014)

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Nem um multicampeão do calibre de Alain Prost está imune às dúvidas sobre se realmente é hora de pendurar as luvas. Depois de abrir caminho a Ayrton Senna na Williams, no fim de 1993, engana-se quem pensa que o “professor” não ficou tentado a esticar mais um pouco sua já longeva carreira.

Para 94 Prost foi seriamente cotado a assumir o segundo assento da McLaren, junto com os nomes de Martin Brundle e Philippe Alliot. O britânico acabou vencendo tal batalha, mas não sem que Alain tivesse dado algumas voltas com o MP4-9 equipado com motor Peugeot no circuito do Estoril.

De 95 para 96 o tetracampeão voltou a ser sondado para a vaga de titular, e chegou a andar com o MP4-10 novamente no autódromo português. A vaga, porém, foi parar nas mãos de David Couthard, e Prost acabou assumindo a função de consultor. Desse modo, em 96 o veterano liderou o programa de testes de pré-temporada com o MP4-11, andando nas praças de Estoril, Silverstone e Paul Ricard. Abaixo, no vídeo da revisão oficial da estação preparado pela FIA, Prost aparece em ação a partir de 7:28.

Dezesseis anos mais tarde, o pequeno gigante voltou a sentar no habitáculo de um F1, mas dessa vez sem nenhum interesse de retomar a carreira profissional. Tratou-se de um evento promocional a bordo do Red Bull RB6 (detentor dos títulos de pilotos e construtores de 2010) arranjado pela Renault, fornecedora de motores da esquadra e marca da qual Prost se tornou embaixador, também na praça francesa de Castellet. Veja alguns registros:

Saindo dos boxes:

Rasgando a reta principal e regressando aos pits:

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2. Martin Brundle (2000 a 2015)

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Podemos afirmar que Martin Brundle exerce hoje o papel cabível a Jackie Stewart nos anos 70 e 80. Embora tenha passado longe do sucesso do tricampeão escocês, o ex-volante bretão soube aproveitar muito bem a transição das pistas para as cabines de transmissão, transformando-se em referência nos comentários a partir do fim da década de 90.

Aproveitando o acesso privilegiado das redes de TV do Reino Unido (ITV, BBC e, mais recentemente, Sky Sports) aos bastidores, Brundle já realizou um sem-número de reportagens em que testou carros de diferentes épocas, quase sempre dando emocionantes relatos em tempo real aos espectadores. Encontramos registros online de baterias realizadas com Ferrari F2000, F10 e F14 T, Red Bull RB7, Force India VJM08 e Mercedes W06.

O mais legal é que Brundle consegue expressar muito bem as emoções momentâneas de suas experiências, dando uma interessante dimensão de que pilotar um F1 atual passa longe de ser um processo simples, como alguns críticos nos querem fazer crer. Abaixo separamos um compilado de vídeos sobre os testes, sempre em inglês.

Comparando a Ferrari F2000 com o Benetton B191 em Donington Park (2002):

Andando com a Ferrari F10 em Fiorano (2012):

Experimentando o Red Bull RB7 na chuva em Silverstone (2013):

Batendo um Force India VJM08 em Silverstone (2015):

Testando o fulminante Mercedes W06 Hybrid na chuva em Silverstone (2015):

A bordo da problemática Ferrari F14 T em Fiorano (2016):

Com a F14 T de novo, agora contra Kimi Raikkonen e a esportiva 488:

3. Maurício Gugelmin (1995)

Passamos a navegar por mares muito mais obscuros. Tanto que, doravante, os registros imagéticos ficarão muito mais escassos, resumindo-se a uma mera fotografia (por vezes de qualidade ruim). O importante é que as imagens estejam aí para não nos deixar mentir.

Gugelmin Williams SIlverstone 1995

A de cima, especificamente, é de um momento muito pouco comentado: Maurício Gugelmin testando o Williams FW17 de Damon Hill em meados de 1995, provavelmente em Silverstone. O que o brasileiro, à época representante da PacWest na CART (repare no boné da Hollywood), fazia ali? É um mistério. O que podemos dizer é que ele chegou a esboçar um regresso à Europa, tendo inclusive sido cogitado para assumir um dos assentos da Forti Corsi em 95. Talvez Gugelmin estivesse mirando uma vaga de piloto de testes da Williams. Talvez tenha só sentado no carro para sentir como era… Infelizmente tudo que temos de informação a respeito são meras suposições.

4. Derek Daly (1993 e 1995)

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Outro ex-piloto que ingressou na cobertura jornalística foi Derek Daly. No caso do irlandês, que defendeu Hesketh, Ensign, Tyrrell, March, Theodore e Williams entre segunda metade dos anos 70 e início do decênio seguinte, sem grandes resultados, a obsessão era comparar os F1 da década de 90 com os monopostos do certame que mais rivalizava com a série europeia na época: a Indy.

Por isso, no fim de 93 Daly realizou baterias experimentais com os dois bólidos campeões daquele ano: o Williams-Renault FW15C de Alain Prost e o Lola-Ford T93/00 usado pela Newmann-Haas para dar o título da CART a Nigel Mansell. O resultado da empreitada foi uma reportagem comparativa publicada em diversas revistas, e que não infelizmente não conseguimos localizar online. Os locais dos testes também são um mistério, mas a única imagem encontrada do aposentado a bordo do FW15C remete à reta principal de Paul Ricard.

Duas primaveras mais tarde, Daly fez algo parecido: comparou um Ligier JS41, testado em Magny-Cours, com um Reynard-Honda da escuderia Tasman, avaliado por ele em Mid-Ohio. Também não achamos na internet o material publicado a respeito.

5. Olivier Beretta (2003 e 2004)

Olivier Beretta Williams 2003-2004

Este é um dos casos mais estranhos. Afastado da F1 há quase 10 anos, Olivier Beretta (que, para quem não sabe, foi apadrinhado por Nelson Piquet em sua chegada à F1) conseguiu uma boquinha como piloto de testes ocasional da Williams entre 2003 e 04. Pode parecer estranho, mas o monegasco tinha só 33 anos à época, o que faz a escolha ter um pouco mais de sentido.

Seja lá como tenha conseguido o emprego, fato é que Beretta participou de algumas sessões privadas pela esquadra. Em janeiro de 2003, andou com o FW24 por dois dias em Jerez. Em julho, conduziu o FW25 em Barcelona. Em meados de 2004 andou com o FW26, já dotado de bico tubarão convencional, conforme atestado pela imagem, também na praça espanhola de Montmeló.

DEBATE MOTOR #81 – treta entre pilotos é legal ou mau exemplo?

 Comunicar Erro

Modesto Gonçalves

Começou a acompanhar automobilismo de forma assídua em 1994, curioso com a comoção gerada pela morte de Ayrton Senna. Naquela época, tomou a errada decisão de torcer por Damon Hill em vez de Michael Schumacher, por achar mais legal a combinação da pintura da Williams com o capacete do britânico. Até hoje tem que responder a indagações constrangedoras sobre a estranha preferência. Cursou jornalismo pensando em atuar especificamente com automóveis e corridas, e vem cumprindo o objetivo: formado em 2010, foi consultor do site especializado Tazio de meados de 2011 até o fim de 2013; desde maio de 2015 compõe o comitê editorial do Projeto Motor.

  • Luiz S

    O Prost testou McLaren mas não andou com os carros da própria equipe ☹️

    • Thiago Silvério

      Também pensei nisso.
      E ele poderia arrumar umas voltas por diversão na Renault hoje mesmo se quisesse, não?