Pilotos aposentados que voltaram a sentir o gosto de guiar um F1 – parte 4

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Nosso perspícuo especial sobre pilotos aposentados que, vira e mexe, matam as saudades dos tempos de atividade conduzindo um bólido de F1 contemporâneo (em relação ao momento de realização do teste, obviamente) chegou à quarta parte.

Neste fascículo contaremos histórias pouquíssimo lembradas de dois campeões mundiais, Nigel Mansell e Phil Hill, e outras ainda menos frequentadas envolvendo Riccardo Patrese. Johnny Herbert e até o pouquíssimo expressivo Jean-Louis Schlesser. Confira:

Releia as outras secções do especial:
Parte 1
Parte 2
Parte 3

1. Nigel Mansell (1996, 2004 e 2007)

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Se Nigel Mansell esteve muito perto de deixar a F1 de maneira precoce em 1990, o que se viu nos anos seguintes foi uma tendência diferente: o “Leão” teve dificuldades em desapegar da categoria. É verdade que o britânico conseguiu encontrar consolo na CART, mas não sem esboçar alguns retornos ao certame europeu. Williams em quatro rodadas de 1994 e McLaren no princípio do ano seguinte são exemplos.

Pensa que acabou? Após o término da temporada de 96, já com avançados 43 anos, Mansell treinou durante um dia e meio com o Jordan 196 usado naquela estação por Rubens Barrichello e Martin Brundle no circuito de Barcelona. O objetivo? Um possível regresso ao grid em 97, ao lado do novato Ralf Schumacher. Ao longo de 60 giros completados entre 15 e 16 de dezembro daquele ano, o inglês ficou a 0s460 da melhor volta auferida pelo jovem alemão, e chegou a afirmar que suas chances de voltar eram de “60 a 40 [porcento]”. Entretanto, as negociações entre ele e Eddie Jordan jamais frutificaram.

Oito primaveras mais tarde, Mansell voltaria a pilotar um carro da equipe irlandesa, desta vez com única pretensão de ajudar a criar certa publicidade acerca de uma operação que, a duras penas, lutava para sobreviver. Foi assim que, em junho de 2004, o inglês acelerou o EJ14 durante bateria de treinos privados em Silverstone. No mês seguinte, participaria de exibição com o mesmo modelo numa rua de Londres, como prévia ao GP da Grã-Bretanha daquela estação, com direito a zerinhos (veja no vídeo abaixo).

Não ficou por aí. Em 2007, agora com quase cinco décadas e meia de vida, Mansell mostrou que ainda entendia do riscado ao dar um show ao público com um BMW Sauber F1.06 (2006) em novo evento promocional pré-corrida, desta vez nos boxes de Silverstone. Em entrevista logo após a “festinha”, o ás disse ter “perdido a conta” de quantos cavalos de pau realizou naquela tarde.

2. Phil Hill (1974)

Phil Hil Ferrari

Campeão dos mais discretos, Phil Hill saiu da F1 sem fazer muito alarde em 1964, e fez o mesmo ao se retirar de vez das competições automobilíticas, já em 67. Voltou a ganhar certa notoriedade graças à Ferrari, já em 74: conforme atualizado pelo sempre atento leitor Ituano Voador, a Scuderia cedeu a 312B3 de Niki Lauda para o americano fazer uma avaliação para a revista Road & Track no circuit de Riverside. Informações sobre a sessão são muito, muito escassas. O que este escriba sabe é que o objetivo era fazer Hill dizer “como os monopostos evoluíram passados 13 anos de seu título”.

3. Riccardo Patrese (1996)

Riccardo Patrese Williams 1996 Silverstone

Pelos bons serviços prestados em pouco mais de cinco anos como funcionário, Riccardo Patrese ganhou de Frank Williams e Patrick Head um presente no final de 1996: testar o campeão FW18 guiado por Damon Hill e Jacques Villeneuve, até hoje o bólido percentualmente mais dominante já feito pela esquadra bretã. Distante dos fórmula havia 36 meses, o italiano andou em Silverstone e marcou um tempo que o teria colocado em quarto na grelha para a prova daquela estação. “Foi o teste mais legal de minha vida, sem qualquer tipo de pressão. Só sentar e acelerar.  O carro era tão bom que dava para chegar rápido ao limite”, contou o ex-piloto em entrevista à inigualável Motor Sport Magazine.

4. Johnny Herbert (2001)

Johnny Herbert Arrows 2001 Jerez

Aposentado da função de titular depois de campanha burocrática na Jaguar, Johnny Herbert ganhou certa sobrevida no circo ao ser contratado como piloto de testes da Arrows para 2001. Os trabalhos começaram já em dezembro de 2000, com participação em uma bateria no autódromo de Montmeló. Contudo, o acordo só seria selado em fevereiro, pois o inglês ainda tentava galgar uma vaguinha como titular da CART. Como não rolou, restou tentar ajudar o time chefiado por Tom Walkinshaw a dirimir os inúmeros defeitos do problemático A22.

5. Jean-Louis Schlesser (1993)

Jean-Louis Schlesser Sauber 1993

Sobrinho do muito mais renomado Jo Schelesser, Jean-Louis teve duas passagens-tampão pela F1: o GP da França de 1983, pela RAM, em que sequer conseguiu se classificar para a grelha; e o da Itália de 88, em substituição a Nigel Mansell, em que ficou famoso por ser alvo do choque de Ayrton Senna na entrada da primeira chicane, virando uma espécie de “protagonista-vítima” da única não vitória da McLaren naquela estação. Como sua sina era flertar com a categoria de cinco em cinco verões, o francês voltou a margear a série ao testar, no fim de 92, o Sauber C12 que marcaria a estreia da escuderia suíça. Já aos 43 anos, Schlesser não tinha qualquer chance de assumir um posto de titular, mas ganhava ali um “mimo” por já ter defendido a Sauber em provas de resistência no passado. O local, infelizmente, este pobre escriba não conseguiu reconhecer.

GIRO RÁPIDO #2: GP da Inglaterra de fato vai deixar a F1?

 Comunicar Erro

Modesto Gonçalves

Começou a acompanhar automobilismo de forma assídua em 1994, curioso com a comoção gerada pela morte de Ayrton Senna. Naquela época, tomou a errada decisão de torcer por Damon Hill em vez de Michael Schumacher, por achar mais legal a combinação da pintura da Williams com o capacete do britânico. Até hoje tem que responder a indagações constrangedoras sobre a estranha preferência. Cursou jornalismo pensando em atuar especificamente com automóveis e corridas, e vem cumprindo o objetivo: formado em 2010, foi consultor do site especializado Tazio de meados de 2011 até o fim de 2013; desde maio de 2015 compõe o comitê editorial do Projeto Motor.

  • ituano_voador

    O teste do Phil Hill com a Ferrari 312 B3 foi em Riverside, em março de 1976, para a revista Road & Track; eu tive esse exemplar, que infelizmente foi emprestado sem a cláusula dos 5Vs… https://uploads.disquscdn.com/images/5f73181fc6a4429080890ce40d321556a1ed2f1c7a059fc1b21974728a799189.jpg

    • Leonardo Felix

      Ituano, você é sempre certeiro nas participações! Obrigado pela contribuição.

  • Diego Freitas

    O Carlos Reutemann andou com a Ferrari em Buenos Aires, antes do GP da Argentina de 1995 e em Fiorano num teste em 2004