Pilotos aposentados que voltaram a sentir o gosto de guiar um F1 – parte 5

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Estamos na reta final. Nosso especial sobre ases que testaram carros atuais (para as respectivas épocas) da F1 anos depois de terem se aposentado da categoria chega à quinta e penúltima parte.

Releia as outras secções:
Parte 1
Parte 2
Parte 3
Parte 4

Entre os nomes da vez estão o campeão de 1996, Damon Hill, que recentemente voltou a sentar num monoposto após 13 anos totalmente afastado de qualquer competição automobilística, e Alessandro Nannini, que tentou esboçar um regresso às pistas após perder uma das mãos num acidente de helicóptero, em 1990. Veja os casos da vez:

1. Damon Hill (2012)

Damon Hill Red Bull Barcelona 2012 2
Hill com o RB6 em Montmeló

Exceção a uma participação esporádica numa prova de turismo britânica, Damon Hill se manteve totalmente afastado das funções de piloto desde que se retirou da F1, no fim de 1999. Treze anos de ferrugem foram revisitados em outubro de 2012: o campeão de 1996 deu umas voltinhas com o Red Bull RB6, de 2010, no circuito de Barcelona, como atividade complementar à rodada da World Series by Renault.

A experiência ocorreu por acaso, conforme Damon contou à época à revista Autosport. Seu filho, Joshua, corria em uma das divisões do evento na época, e ele apareceu para acompanhá-lo de perto naquele fim de semana. “Avisei à Renault que estaria no autódromo, a coisa virou uma bola de neve e, quando vi, estava pilotando um Red Bull”, brincou.

2. Alessandro Nannini (1992 e 1996)

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Alessandro Nannini conviveu com o enorme infortúnio de sofrer um acidente de helicóptero e ter os movimentos da mão direita comprometidos justamente quando parecia embalar na carreira. Funcionário da Benetton desde 1988, fazia em 90 sua melhor temporada, andando várias vezes à frente do badalado tricampeão Nelson Piquet e tendo, inclusive, lutado pela vitória do GP da Alemanha com Ayrton Senna.

A infelicidade ocorreu em 12 de outubro daquele ano, uma semana depois do GP da Espanha, e forçou o afastamento prematuro das corridas. Na ocasião, Nannini já renovara seu contrato com o time de Luciano Benetton para 1991 e vinha sendo fortemente sondado pela Ferrari.

Foi justamente a esquadra de Maranello que, depois da tragédia, ofereceu ao ás um teste com uma configuração modificada da F92A, em meados de 92, no circuito particular de Fiorano. Nannini completou 38 giros com o bólido dotado de volante especial e, se não se mostrou mais competitivo como antes, ao menos matou as saudades dos tempos de profissional. Quatro verões mais tarde, aceitou convite de Flavio Briatore para dar umas voltinhas com o B196 no Estoril. Infelizmente ficou por isso.

3. Didier Pironi (1986)

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Quem imaginaria que um singelo teste com nova especificação de pneus de chuva da Goodyear, realizado durante o fim de semana do GP da Alemanha de 1982, custaria a Didier Pironi o título daquela temporada e, mais do que isso, a carreira? Com múltiplas fraturas nas duas pernas, o francês passou por nada menos que 34 cirurgias ao longo dos anos seguintes, sempre com objetivo de recuperar os movimentos naturais do corpo e, claro, um lugar na F1.

Em 1986 Pironi enfim voltou a caminhar sem auxílios e estava plenamente crente de que poderia regressar. Sua grande missão era convencer os chefes de equipe do mesmo. McLaren, Ferrari e Brabham chegaram a oferecer um cargo de piloto de testes, mas Didier só pensava em titularidade. Para provar que estava em forma, conseguiu arranjar um teste com a AGS num traçado encurtado de Paul Ricard. Lá domou o frankensteiniano JH21C por 70 volta na base da “camaradagem”.

Foi o suficiente para chamar a atenção da Ligier, que precisava encontrar um substituto para o combalido Jacques Laffite. Em agosto de 86, Pironi atendeu a um chamado da equipe e completou 60 passagens a bordo do JS27 em Dijon-Prenois. O resultado agradou, já que ele terminou a sessão a menos de um segundo do titular René Arnoux.

Dois detalhes impediram a concretização de um acordo para 87: salário – Didier ainda se via como nome de ponta, mas Guy Ligier não concordava tanto com isso – e (acredite se quiser) questões legais com seu plano de saúde, que ameaçava cancelar a assistência e ainda cobrar uma indenização caso Didier voltasse a exercer atividade considerada perigosa. O sonho do retorno em grande estilo ficou para trás.

4. Jean-Pierre Beltoise (1975)

Beltoise com o JS5 em Paul Ricard
Beltoise com o JS5 em Paul Ricard

Dispensado pela BRM no fim de 1974, Jean-Pierre Beltoise ficou sem emprego. Não teve alternativa se não aceitar a vaga de piloto de testes da recém-migrada para a F1 Ligier. Como tinha vasta experiência com os motores Matra V12, tanto na F1 quanto em corridas de longa duração, Beltoise ficou responsável por todo o desenvolvimento do JS5, o famoso “carro-bule” que marcou a estreia da escuderia francesa no certame e era empurrado pelo icônico 12-canecos. Aqui temos uma imagem do ás em ação com o bólido em Castellet, n’algum momento de 75.

5. Johnny Dumfries (1990)

Dumfries com o B190 no Estoril
Dumfries com o B190 no Estoril

Conhecido no Brasil por ter sido companheiro de Ayrton Senna na Lotus em 1986, o nobre “conde” Johnny Dumfries pode não ter impressionado pela velocidade, mas era reconhecidamente um rapaz esforçado, predicado que levou a Benetton a contratá-lo para fazer o “trabalho pesado” como ás de testes entre 1987 e 90. Aqui temos a imagem do último compromisso do britânico com a esquadra ítalo-bretã, em dezembro de 1990, com o B190 na praça portuguesa do Estoril.

6. Christian Danner (2007)

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Ex-contratado das pequeninas Zakspeed e Rial no fim da década de 80, Christian Danner formou um currículo mais robusto como comentarista do canal alemão RTL que como piloto de F1. Não faz mal. O importante é que o germânico pôde matar as saudades do velho ofício em 2007, realizando duas sessões de treinos privados. A primeira ocorreu com o Renault R26 que deu o título mundial a Fernando Alonso na estação anterior, em Nürburgring. A segunda, com um monoposto bem menos eficiente: o Super Aguri SA06 guiado por Takuma Sato naquele mesmo campeonato.

DEBATE MOTOR #84 – a F1 acertou ao adotar o halo para 2018?

 

 

 Comunicar Erro

Modesto Gonçalves

Começou a acompanhar automobilismo de forma assídua em 1994, curioso com a comoção gerada pela morte de Ayrton Senna. Naquela época, tomou a errada decisão de torcer por Damon Hill em vez de Michael Schumacher, por achar mais legal a combinação da pintura da Williams com o capacete do britânico. Até hoje tem que responder a indagações constrangedoras sobre a estranha preferência. Cursou jornalismo pensando em atuar especificamente com automóveis e corridas, e vem cumprindo o objetivo: formado em 2010, foi consultor do site especializado Tazio de meados de 2011 até o fim de 2013; desde maio de 2015 compõe o comitê editorial do Projeto Motor.

  • Gab

    O fato de que Pironi teve condições de voltar pode ser um indicativo para um retorno do Kubica. O irônico é que Pironi escolheu pilotar barcos e morreu numa batida.