Pilotos olímpicos: conheça ases das pistas que se aventuraram nos Jogos

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Os Jogos Olímpicos nunca foram sequer um sonho para os pilotos de corrida. Apesar de a FIA ter retomado o seu posto de membro do COI (Comitê Olímpico Internacional) em 2011, não existe nenhum movimento para que esportes a motor sejam incluídos na programação.

Mesmo assim, alguns nomes da história do automobilismo encontraram outro caminho para poderem participar do maior evento esportivo do mundo. Alguns com alguma passagem pela F1 já participaram dos Jogos de verão ou de inverno em outros esportes como vela, bobsleigh (trenó) e esqui, além de outros ligadas a outras categorias.

No Rio-2016, inclusive, temos um representante do esporte a motor, Nasser Al-Attiyah, campeão do Rali Dakar, e que retorna aos Jogos após conquistar uma medalha de bronze em Londres.

De qualquer forma, a lista tem diversos personagens que mantiveram um estreito relacionamento com o automobilismo e suas carreiras olímpicas. Confira:

ALFONSO PORTAGO

ALFONSO PORTAGO

F1: 5 GPs entre 1956 e 57
Olimpíadas: Cortina d’Ampezzo, em 1956 (bobsleigh)

O espanhol Alfonso de Portago foi um dos mais bem-sucedidos na combinação F1 e Olimpíadas. Em cinco participações no Mundial entre 1956 e 57, todas de Ferrari, ele conquistou um segundo lugar no GP da Grã-Bretanha de sua primeira temporada, porém, correndo em dupla com Peter Collins.

Na época, o regulamento permitia que, em caso de abandono, o piloto poderia assumir o carro do companheiro, dividindo os pontos conquistados. Portago teve que ceder a sua Ferrari para Collins, que sofreu com problemas mecânicos e cruzou a linha de chegada em Silverstone atrás apenas de Juan Manuel Fangio.

Nas Olimpíadas de Inverno de 1956, em Cortina d’Ampezzo, na Itália, ele fez parte do primeiro time espanhol de bobsleigh, terminando no quarto lugar na competição de trenó com dois homens. Nascido em Londres e criado na França, Portago nasceu em uma família rica. Seu pai, Antonio Cabeza de Vaca, foi um herói durante a Guerra Civil espanhola, enquanto sua mãe tinha origem irlandesa.

Dono de diversos títulos importantes, como Marquês de Moratalla, Conde de La Mejorada, Conde de Pernia e Duque de Alagón, seu nome completo era Alfonso Antonio Vicente Eduardo Angel Blas Francisco de Borja Cabeza de Vaca y Leighton. Seu interesse pelo automobilismo começou quando ele participou ao lado de seu amigo Luigi Chinetti, da Carrera Panamericana, em 1953, no México. Atuou ainda em provas importantes como as 12 Horas de Sebring e as 24 Horas de Le Mans.

Fora das pistas, além do trenó, com que chegou a ser terceiro colocado no Mundial de 1957, também participou de diversas competições de hipismo. Portago morreu em um acidente com uma Ferrari durante a Mille Miglia de 1957, causado por um estouro de pneu.

Além dele e de seu copiloto, Edmund Nelson, o desastre ainda tirou as vidas de dez espectadores, entre eles, cinco crianças, que assistiam a corrida ao lado da estrada. Um memorial foi construído no local.

PRÍNCIPE BIRA

principe bira

F1: 19 GPs entre 1950 e 54
Olimpíadas: Melbourne, em 1956, Roma, 60, Tóquio, 64, e Munique, 72 (vela)

O tailandês Birabongse Bhanudej competiu em 19 corridas da F1, entre 1950 e 54, e teve como melhores resultados dois quartos lugares no GPs da Suíça, de 50, e da França, de 54.

Ainda teve outros bons resultados como um quinto lugar em Mônaco, em 50, e um sexto na Bélgica, 54. Mais conhecido como Príncipe Bira, ele foi para a Europa antes da II Guerra Mundial para completar os seus estudos na Universidade de Cambridge, na Inglaterra.

Apaixonado por automobilismo desde jovem, estabeleceu uma equipe junto com seu primo, Prince Chula Chakrabongse, e conquistou algumas vitórias na fase pré-F1 das corridas, como o GP da Holanda e a Copa Príncipe Rainier, em Monte Carlo.

Depois, correu pela equipe oficial da Maserati, e completou a sua carreira com um carro da marca italiana pelo seu próprio time. Príncipe Bira também era velejador e participou dos Jogos de Melbourne, em 1956, Roma, 60, Tóquio, 64, e Munique, 72, mas sem muito sucesso.

Terminou em 12º na classe Star em sua primeira participação. O tailandês morreu de um ataque cardíaco na véspera de natal de 1985, quando estava no metrô de Londres.

ROBERTO MIERES

ROBERTO MIERES

F1: 17 GPs entre 1976 e 78
Olimpíadas: Roma, 1960 (vela)

O argentino Roberto Mieres nasceu na cidade de Mar de Plata em 1924 e foi um esportista bastante versátil, participando de competições de tênis, rúgbi, remo e vela. O automobilismo entrou em sua vida em 1948, quando participou de sua primeira corrida, ainda seu país natal, como uma Mercedes.

Ele competiu na F1 entre 1953 e 55, e repetiu o quarto lugar por três vezes como melhor resultado, no GP da Suíça e da clique aqui Espanha de 54, e Holanda, 55. No final da década de 50, ele se cansou das corridas e passou a se concentrar na vela, conseguindo a classificação para as Olimpíadas de Roma, em 60, onde terminou na 17ª colocação na classe Star, duas posições à frente do Príncipe Bira, com quem também competiu na temporada de 54 da F1.

Mieres passou os últimos anos de sua vida morando na cidade uruguaia de Punta del Este, até morrer em janeiro de 2012, aos 87 anos.

BEN PON

Ben Pon

F1: 1 GP em 1962
Olimpíadas: Munique, em 1972 (tiro)

Ben Pon nasceu na cidade de Amersfoort, na Holanda, em 1936. Ele era empresário e transformou a loja de máquina de costuras do pai em uma grande rede de concessionárias em seu país, e depois chegando até mesmo nos Estados Unidos.

A ligação com automóveis foi o bastante para leva-lo às corridas. Pon teve uma carreira consistente com carros esportivos, especialmente Porsches, correndo em algumas provas importantes, incluindo participação em seis edições das 24 Horas de Le Mans.

Sua única prova na F1 foi no GP da Holanda de 1962, em que abandonou após um forte acidente na terceira volta. O impacto foi tão forte que o holandês jurou que nunca mais entraria em uma corrida de fórmulas. Por outro lado, ele continuou correndo com carros esportivos, e conquistou um sétimo lugar na classificação geral em Le Mans, em 1967, ficando com o título da classe S2.0.

Quando deixou o automobilismo, entrou para a equipe holandesa de tiro, conseguindo se classificar para os Jogos de Munique, em 1972, ficando com a 31ª colocação.

ROBIN WIDDOWS

ROBIN WIDDOWS

F1: 1 GP em 1968
Olimpíadas: Innsbruck, em 1964, e Grenoble, 68 (bobsleigh)

O inglês Robin Widdows participou das Olimpíadas de inverno de 1964, em Innsbruck, na Áustria, e de 68, Grenoble, na França, na equipe de trenó da Grã-Bretanha, conquistando o oitavo lugar na última.

Como piloto, ele fez uma carreira passando por F3, F2 e carros esportivos, incluindo uma participação nas 24 Horas de Le Mans, em 69, em que terminou na sétima posição na classificação geral pela equipe Matra.

Na F1, ele competiu em apenas uma prova, no GP da Grã-Bretanha de 1968, pela Cooper, em Brands Hatch, abandonando na 35º volta com um problema na ignição.

DIVINA GALICA

DIVINA GALICA

F1: 3 GPs entre 1976 e 78 (não se classificou para nenhum)
Olimpíadas: Innsbruck, em 1964, Grenoble, em 68, e Sapporo, em 72 (Esqui)

Divina Galica começou a sua carreira esportiva no esqui, e participou, aos 20 anos, dos Jogos de Inverno de 1964, em Innsbruck, na Áustria, 68, em Grenoble, na França, e 72, em Sapporo, no Japão, sendo nas últimas duas a capitã da equipe britânica.

Seu melhor resultado foi o sétimo lugar, no Japão. Ela ainda se apresentaria em 92, em Barcelona, em uma demonstração de velocidade em esqui. Em 1974, Galica foi convidada para uma corrida de celebridades.

Empolgada, ele tentou iniciar uma carreira na F1. Fez três tentativas nos GPs da Grã-Bretanha de 1976, Argentina e Brasil, em 78, mas não conseguiu se classificar para nenhuma das provas. Em 2000, ela correu na Petit Le Mans, prova da American Le Mans Series, com um Porsche 911, terminando na sexta colocação na classe GTS, 20º na geral.

Em 2004, ela ainda competiu na Grand-Am, campeonato americano de endurance, terminando o campeonato em 76º, com 12 pontos.

NASSER AL-ATTIYAH

AL Nasser

Rali Dakar: entre 2005 e 2007, e 2009 e 2012; WRC, entre 2008 e 2012
Olimpíadas: Atenas, em 2004, Pequim, 2008, e Londres, 2012 (tiro)

Assim como aconteceu nas últimas três edições dos Jogos Nasser Al-Attiyah será o representante do esporte a motor no Rio 2016, no tiro.

O catariano é um piloto de sucesso no rali, inclusive um título do Dakar, em 2011, pela equipe Volkswagen. Desde 2004, também já acumulou 70 participações no Mundial de Rali (WRC), com o quarto lugar na prova de Portugal em 2012, com um Citroen, como melhor resultado.

Paralelamente, Al-Attiyah também tem uma carreira com bons resultados no tiro. Em 2004, em Atenas, ele ficou na quarta posição, enquanto que em Pequim, em 2008, terminou em 15º. O auge, no entanto, aconteceu em Londres, quando subiu ao pódio olímpico ao conquistar a medalha de bronze.

Será que vem coisa melhor no Rio?

ALESSANDO ZANARDI

 

Zanardi paraciclismo

F1: 41 GPs entre 1991 e 99; Indy, 66 provas entre 1996 e 2001
Paraolimpíadas: Londres, 2012 (ciclismo H4)

Zanardi se tornou um dos heróis da última Paraolimpíada, em Londres, ao conquistar duas medalhas de ouro e uma de bronze no ciclismo, categoria H4.

A carreira do italiano é bastante conhecida, com 41 GPs disputados na F1, além das 15 vitórias e dois títulos na Indy. Em 2001, ele sofreu um grave acidente no oval alemão de Lausitz, em que perdeu as duas pernas.

Ele superou o trauma e em 2003 já estava de volta a um carro de corridas, competindo no europeu de turismo em um veículo adaptado. Ele chegou ao WTCC, onde conquistou quatro vitórias entre 2005 e 09.

Paralelamente, ele desenvolveu uma nova atividade do ciclismo paraolímpico, pelo qual, depois das medalhas nos Jogos de Londres, ainda conseguiu quatro títulos mundiais.

JACKIE STEWART

Jackie stewart

F1: 100 GPs entre 1965 e 73
Olimpíadas (não se classificou): Roma, em 1960 (tiro)

Para os fãs do automobilismo, Jackie Stewart não precisa ser apresentado. Tricampeão mundial de F1 em 1969, 71 e 73, com 27 vitórias na carreira, o escocês é um dos principais nomes da história do automobilismo mundial.

Só que antes disso tudo, o escocês fez parte da equipe britânica de tiro, participando de várias competições importantes. Ele tentou uma vaga para os Jogos de Roma, em 1960, mas acabou ficando fora ao perder o lugar no pré-olímpico.

É verdade que ele não conseguiu uma participação olímpica de verdade, mas vale a menção pela sua importância na F1 e também por ter competido para valer em outra modalidade.

 

Debate Motor #38: O que deu errado no atual projeto da Ferrari?

 Comunicar Erro

Lucas Santochi

Mais um fanático da gangue que criou vínculo com automobilismo desde a infância. Acampou diversas vezes nas calçadas ao redor de Interlagos para assistir aos GPs e nunca esqueceu a primeira vez que, ainda do lado de fora do autódromo, ouviu o barulho de F1 acelerando pela reta. Jornalista formado em 2004, passou por redações na época da TV Band e Abril, teve experiência na área de assessoria de comunicação esportiva até chegar ao site especializado em esporte a motor Tazio, em 2010. Passou pelas funções de redator, repórter (cobrindo diversas corridas no Brasil e exterior de F1, Indy, WEC, Stock Car, entre outras) e subeditor até o final de 2013, quando o veículo encerrou suas atividades. Trabalhou ainda como redator do UOL Esporte em 2014 até que decidiu se juntar com os outros três membros do Projeto Motor para investir na iniciativa.

  • Andre Luis Coli

    Matéria sensacional, parabéns!

  • Rafael Schelb

    O Stewart realmente foi uma surpresa… hehe