Pilotos que assumiram posto de mais vitorioso da F1. É para poucos…

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É uma honra quase que passada de mão em mão com a troca de gerações. Foram poucos pilotos que conseguiram assumir o posto de mais vitorioso da F1 em algum momento da categoria. Alguns reinados mais de uma década…

Se hoje parece quase impossível alcançar os 91 triunfos de Michael Schumacher, em algum momento também já se delineou como loucura alguém superar Fangio ou Stewart. Mas teve gente que chegou lá, o que sempre deixa as portas abertas para novas surpresas.

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Uma dessas oportunidades ficou bastante marcada, no dia 20 de setembro de 1987. Naquele dia, Alain Prost venceu o GP de Portugal, no Estoril, e chegou a sua 28ª vitória no Mundial, superando as até então incríveis 27 de Jackie Stewart. O francês se tornou o piloto com mais triunfos na história, posto que manteria por 14 anos.

A vitória foi bem ao estilo de Prost. Calculista, estratégico e agressivo no momento certo, esperando por problemas e erros dos rivais para assumir a ponta após chegar a ocupar a sexta posição nas primeiras voltas.

Alain Prost e a McLaren celebram o recorde de vitórias do piloto francês
Alain Prost e a McLaren celebram o recorde de vitórias do piloto francês

Foi um momento celebrado pela F1, que via um novo dominador. O recorde antigo parecia quase inatingível. E para se ter ideia de como a carreira do francês ainda tinha muito pela frente, ele ainda chegou às 51 vitórias, conquistando ainda, depois daquele dia em Estoril, mais dois títulos mundiais, somados aos dois que já possuía.

Vamos viajar um pouco no tempo e entender como surgiram cada era dos grandes vitoriosos (levando sempre em conta o momento em que os pilotos se isolaram, e não igualaram a estatística) e como foram as poucas trocas de recordistas da história da F1:

1º – Juan Manuel Fangio (de 1954 a 68)

Alguns nomes marcaram o início da F1, mas os três campeões dos primeiros campeonatos foram realmente pilotos acima da média: Giuseppe Farina, Alberto Ascari e, claro, o maesto Juan Manuel Fangio.

Farina e Fangio foram os que começaram na frente na briga pelo posto de piloto com mais vitórias dentro do campeonato da F1, mas o domínio incrível da Ferrari entre 1952 e 53 com seu famoso modelo 500, cuja história já contamos aqui no Projeto Motor, fez com que Ascari pulasse rapidamente à frente dos dois com 13 triunfos.

A última das 24 vitórias de Fangio: GP da Alemanha de 1957
A última das 24 vitórias de Fangio: GP da Alemanha de 1957

Só que foi um período muito curto de reinado. No ano seguinte, Fangio superaria a marca e iniciaria a sua sequência matadora, em que conquistaria quatro títulos consecutivos e levando o recorde para 24 vitórias, algo que, mesmo em tão pouco tempo de existência do certame, parecia inalcançável.

A última dessas conquistas aconteceu no dia 24 de agosto de 1957, na última temporada completa do argentino na F1, em que ele cravou ainda pole e melhor volta com sua Maserati 250F em Nurburgring, na Alemanha, garantindo para sempre seu direito entre os imortais do automobilismo.

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2º – Jim Clark (de 1968 a 73)

Não é à toa que Clark é considerado um dos grandes de todos os tempos. E não tem estatística melhor para se dizer que não sabemos onde seus números iriam parar do que o fato de ele ter vencido suas últimas duas corridas na F1.

Coincidentemente, essas duas provas serviram para ele igualar e depois superar o recorde de Fangio, que já perdurava por 14 anos. O escocês se tornou o piloto mais vitorioso da história no dia 1º de janeiro de 1968, na abertura do campeonato, em Kyalami, com um triunfo arrebatador. Saindo da pole, ele perdeu a liderança para Stewart na largada, mas a recuperou na segunda volta e não perdeu mais até a bandeira quadriculada, chegando ao seu 25º triunfo.

Jim Clark, sempre com sua Lotus, em busca de mais uma vitória
Jim Clark, sempre com sua Lotus, em busca de mais uma vitória

Ele morreu ainda naquele ano, em um acidente durante uma prova de F2, na Alemanha, antes da segunda etapa do campeonato da F1.

Talvez o grande segredo para Clark ter chegado a tal marca era que ele não vacilava quando tinha o melhor carro. Nos dois anos em que se sagrou campeão, conquistou 13 vitórias em 20 possíveis (sem levar em conta que ele abriu mão de correr o GP de Mônaco de 65 para vencer a Indy 500). Só nessas duas temporadas, já estão mais da metade de seus triunfos. Mas, de todos, seu reinado seria o que menos duraria…

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3º – Jackie Stewart (de 1973 a 87)

Não demorou muito para outro escocês, que também surgiu na incrível geração dos anos 60, mas que teve muitos de seus triunfos já na década seguinte, assumir o posto. Stewart se tornou o mais vitorioso durante uma longa jornada: seu primeiro triunfo foi em 1965 e seu último em 73.

Ele superou o recorde de Clark em sua última temporada na categoria, ano em que também se sagraria tricampeão. O triunfo que o isolou na estatística, no entanto, chegou em um dia muito triste para a F1, com a impressionante morte de Roger Williamson, queimado pelas chamas de seu March após um forte acidente que virou o monoposto de cabeça para baixo, em uma cena que marca até hoje os fãs do automobilismo.

Stewart recebe o troféu pela vitória no GP da Holanda de 1973, em que bateu o recorde de triunfos de Clark
Stewart recebe o troféu pela vitória no GP da Holanda de 1973, em que bateu o recorde de triunfos de Clark

Stewart ainda venceria mais uma corrida naquele ano, elevando o recorde para 27 triunfos. Sua marca é tão imponente que mesmo se olharmos hoje, o escocês ainda é o oitavo piloto com mais vitórias na F1, mesmo tendo disputado apenas 99 GPs (se corria bem menos na época). E isso sem ninguém perto de superá-lo no momento entre os atuais competidores (o mais próximo é Kimi Raikkonen com 20).

4º – Alain Prost (de 1987 a 2001)

Como já foi dito, foram necessários 14 anos para alguém superar Stewart. Niki Lauda até que passou perto, chegando às 25 vitórias, mas Alain Prost foi quem conseguiu a façanha.

Além de bater o recorde, o francês ainda teve o mérito de ampliar – e muito – a marca, chegando em 1993 às 51 vitórias na carreira. Na época de sua aposentadoria, porém, diferente do que aconteceu com Fangio e Stewart, acreditava-se que não demoraria muito que para que ele fosse superado. Isso por que Ayrton Senna, ainda aos 34 anos, já tinha 41 conquistas e estava se mudando para o carro bicampeão da Williams.

Quis o destino que, assim como aconteceu com o argentino e o escocês, passassem-se mais 14 anos até que um novo recordista fosse coroado.

5º Michael Schumacher (de 2001 a…)

Será que as 91 vitórias do alemão são inalcançáveis? Como vimos neste breve resumo, o recorde de Schumacher já é o que mais perdura na história, com 16 anos e sem previsão de quebra a médio prazo.

Michael Schumacher, durante o GP da Bélgica de 2001, em que conquistou sua 52ª vitória
Michael Schumacher, durante o GP da Bélgica de 2001, em que conquistou sua 52ª vitória

Não deixa ser curioso pensar que Schumacher bateu a marca de Prost no dia 2 de setembro de 2001, no GP da Bélgica, apenas no segundo ano dos cinco em que ele impôs um domínio jamais visto na história da categoria, com cinco títulos em sequência.

Isso deu tempo a ele para ampliar a sua margem na frente de todos os outros concorrentes. Hoje, o mais próximo do heptacampeão é Lewis Hamilton, que superou Prost no final de 2016 e que soma até o momento 60 vitórias em sua carreira.

O inglês já completou 32 anos, ainda pode ter algumas boas temporadas pela frente ainda, mas fica a dúvida se, depois de três campeonatos com o melhor carro, se irá ter nova possiblidade de conquistar tantos GPs para tirar essa diferença de 31 para Schumacher. Sebastian Vettel, que também já teve sua fase de dominância, ainda está atrás do francês, com 46.

Por essa e por outras é que o nome de Schumacher ainda deve passar alguns longos anos no topo desta lista.

 

Debate Motor #90: Schumacher tem o devido reconhecimento no mundo da F1?

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Lucas Santochi

Mais um fanático da gangue que criou vínculo com automobilismo desde a infância. Acampou diversas vezes nas calçadas ao redor de Interlagos para assistir aos GPs e nunca esqueceu a primeira vez que, ainda do lado de fora do autódromo, ouviu o barulho de F1 acelerando pela reta. Jornalista formado em 2004, passou por redações na época da TV Band e Abril, teve experiência na área de assessoria de comunicação esportiva até chegar ao site especializado em esporte a motor Tazio, em 2010. Passou pelas funções de redator, repórter (cobrindo diversas corridas no Brasil e exterior de F1, Indy, WEC, Stock Car, entre outras) e subeditor até o final de 2013, quando o veículo encerrou suas atividades. Trabalhou ainda como redator do UOL Esporte em 2014 até que decidiu se juntar com os outros três membros do Projeto Motor para investir na iniciativa.

  • Anderson Goto

    Também é justo citar que os campeonatos estão cada vez mais longos e com mais provas, o que “facilita” quebra de recordes.

  • Lucas Ferreira

    Não tenho certeza, mas acho que o Hamilton já conquistou mais vitórias pela a Mercedes do que o Schumacher na fase dominante pela a Ferrari…

    • Antonio Manoel

      Schumacher conquistou 19 vitórias pela Benetton e 72 pela Ferrari, já Hamilton conquistou 21 vitórias pela Mclaren e 38 pela Mercedes até o Momento…

  • Eduardo Casola Filho

    Em tese, a marca do Schumacher parece ser imbatível. No entanto. Hamilton ainda tem uma chance de alcançar a marca, dependendo da sua motivação e da permanência na Mercedes até 2020;

    Vale lembrar que as especificações da categoria em termos de motores segue em vigor até justamente 2020, o que indica que o domínio da Mercedes deve permanecer até lá. Hoje ele tem 60 vitórias. E nos últimos anos, ele venceu pelo menos 10 corridas. Como ele ainda deve ganhar algumas até o fim do campeonato, se mantiver a média nos próximos três anos (bem possível se permanecer na Mercedes), é provável que o Hamilton alcance ou supere o Schumacher no final deste ciclo.

    • Lucas Ferreira

      Não torço pra isso…mas é bem verdade de que se o Hamilton se propuser a ficar na F1 até 2020, com essas mesmas regras, e na Mercedes, é bem provável que pela a média anual ele passe.

      A menos que brote uma Red Bull ou Ferrari fantástica nos próximos anos

      • Eduardo Casola Filho

        O fato dos carros serem mais resistentes e menos suscetíveis à mudanças, além de o calendário ter mais corridas ajuda bastante.