Pinturas clássicas da F1 que também deram as caras em outras categorias

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Ao bater os olhos em uma corrida de F1, a primeira coisa que chama a atenção são as cores dos carros. As pinturas são as responsáveis por identificar os veículos, mas seus efeitos podem ir além: o aspecto visual por muitas vezes faz com que determinada equipe ganhe a simpatia do público.

Durante a história, várias pinturas se destacaram e se tornaram verdadeiros clássicos. Isso, consequentemente, cria um legado, com algumas combinações de cores se tornando quase que sagradas para os fãs.

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Muitas dessas pinturas são provenientes de acordos de patrocínio, de modo que situação semelhante acaba por se repetir em categorias diferentes. Em outros casos, a idolatria pelas cores é tanta que divisões menores adotam a mesma pintura apenas como reverência ou homenagem.

Portanto, relembre abaixo algumas pinturas clássicas da F1 que também foram vistas em modalidades distintas. Claro, não citamos todas – então, se você tiver alguma sugestão, deixe nos comentários abaixo para que, quem sabe, façamos uma segunda parte!

“Carro Marlboro” de McLaren e Alfa Romeo

O acordo de patrocínio entre a McLaren e a Marlboro, um dos mais icônicos de toda a história, também proporcionou uma das pinturas mais marcantes, que, em determinado período, também foi adotada pela Alfa Romeo na F1. Porém, a mesma coisa foi vista em outras categorias que também tiveram o aporte financeiro da empresa tabagista.

A Patrick Racing adotou identidade visual idêntica na Indy no final dos anos 1980, ganhando fama com as conquistas de Emerson Fittipaldi.

Marlboro Patrick

Em seguida, a Penske também assinou acordo com a Marlboro e manteve a mesma distribuição de cores em seus carros entre 1989 e 2010.

Penske 2

Mas vai além disso. Por exemplo, outros dois pilotos que usariam o “carro Marlboro” com a McLaren na F1 também usaram a mesma pintura na F3. Um deles foi ninguém menos que Ayrton Senna, em sua vitória no GP de Macau de 1983.

macau f3

Já Mika Hakkinen correu na F3 em 1990, com direito ao título do certame britânico, vestido de Marlboro.

Macau 1990

Versão Flecha de Prata da McLaren-Mercedes

Logo após deixar as icônicas cores da Marlboro para trás, a McLaren passou adotar uma pintura preta e prata. Isso também se aplicou nos carros de alguns de seus pilotos protegidos nas categorias de base no final dos anos 1990.

Por exemplo, Nick Heidfeld disputou a F3 Alemã de prateado em 1997.

F3

Além disso, a McLaren mantinha uma espécie de equipe júnior na F3000, categoria que deu origem à atual F2. O próprio Heidfeld conquistou o título de 1999 com essas cores, correndo ao lado do brasileiro Mario Haberfeld.

f3000

Lotus JPS e as cores que duram até hoje

Em qualquer lista com as pinturas mais belas da história é presença certa o preto e dourado das Lotus John Player Special. O fascínio pela combinação é tão grande que diversas categorias já prestaram suas homenagens.

Separamos aqui três casos. Um deles foi da equipe Lotus, que competiu na classe LMP2 no WEC e que é o embrião da atual ByKolles.

Lotus WEC

Na GP2, atual F2, a equipe ART, em parceria com a Lotus, usou o preto e dourado em 2012, nos carros de Esteban Gutiérrez e James Calado.

Lotus 2012

Já Pietro Fittipaldi, neto de Emerson Fittipaldi (campeão da F1 em 1972 com a Lotus JPS), disputa a temporada de 2017 da Fórmula V8 3.5 com as mesmas cores do avô.

pietro fittipaldi

Benetton multicolorida e azul bebê

Durante sua passagem pela F1, a Benetton utilizou pinturas marcantes em seus carros – algumas delas também foram vistas em categorias de base. Em 1990, Derek Higgins disputou parte da temporada da F3 Inglesa com cores idênticas à da Benetton – a pintura era praticamente idêntica à utilizada pela equipe até o ano anterior.

Benetton F3 1990

Já em seus anos finais na F1, com um tom em azul mais claro em seus carros, as cores foram replicadas por times da F3000. Em 1999, os falecidos Gonzalo Rodriguez e Justin Wilson competiram com esta pintura pela Astromega:

gonzalo rodriguez benetton

Em 2001, último ano da Benetton na F1, quem replicou as cores foi a equipe Durango, do brasileiro Jaime Melo Jr.

benetton 2001

Pintura amarela e azul da Renault-Mild Seven

Quando assumiu o controle da Benetton, a partir de 2002, a Renault misturou o azul claro da tabagista Mild Seven com o amarelo, cor de sua própria corporação. Foi com essa combinação que Fernando Alonso venceu seus dois títulos mundiais.

Logo no primeiro ano da parceria, a pintura serviu de inspiração para outras categorias. Por exemplo, a Super Nova, da F3000, do campeão Sébastien Bourdais e de Tiago Monteiro.

f3000 2002

Por aqui, a novata F-Renault Brasil teve seu representante azul e amarelo em Sérgio Jimenez, que, coincidentemente, assim como Bourdais, também se sagrou campeão.

renault sergio jimenez

Na Austrália, Chris Alajajian competiu na F3 com as cores da Renault entre 2006 e 2007 – ano em que a Mild Seven nem mesmo era mais patrocinadora da escuderia da F1.

Renault Mild Seven f3

Brabham, de pai para filho na F3

Em sua jornada na F3, Pedro Piquet fez homenagem às cores da Brabham com as quais seu pai, Nelson, se consagrou na F1. A pintura do jovem piloto se assemelha ao BT49C, de 1981, com o azul até à ponta do bico e nas laterais.

piquet brabham

Leyton House e o azul marcante nos fórmulas e protótipos

contamos aqui em detalhes a tenebrosa da Leyton House e de seu proprietário, Akira Akagi. Mas uma coisa há de se convir: mesmo que a trajetória do líder de sua equipe na F1 tenha sido marcada por falcatruas, a escuderia proporcionou um dos layouts mais notáveis da categoria.

Um dos pilotos apoiados por Akagi era o seu compatriota Minoru Tanaka, que competiu com a mesma pintura na F3 Inglesa.

Leyton House F3

A Leyton House também apoiou uma equipe de F3000, pela qual competiu o também controverso Gary Brabham, filho do tricampeão Jack Brabham.

Leyton House F3000

Mas talvez o carro mais belo de todos com as cores da Leyton House foi o Porsche 962 do Grupo C, do Team Kramer, de 1987.

leyon house porsche

Force India e o cor-de-rosa contagiante

Essa é só para ninguém falar que não pegamos nenhum exemplo da F1 atual! O carro rosa da Force India ainda não se tornou um clássico, mas já se trata de uma pintura relativamente propagada no cenário do automobilismo internacional.

Sim, neste caso, foi a Force India que adotou cores que já eram usadas em outros lugares. O time anglo-indiano fechou com a BWT, empresa de tratamento de água e que definiu a identidade visual, apenas em 2017. Assim, ela se juntou a um time que já é numeroso.

Os três carros da equipe Mucke na ADAC GT3 Masters alemã, incluindo o do ex-F1 Markus Winkelhock (sim, ele mesmo), usam a insólita pintura.

BWT GT

A Mucke também vai de rosa na F4 Alemã, com o carro de Sophia Floersch.

BWT F4

O mesmo se passa no DTM com o Mercedes de Lucas Auer, sobrinho de Gerhard Berger.

Auer 2017

Você lembra de mais alguma pintura clássica que esteve em outras categorias do automobilismo? Deixe seu exemplo nos comentários abaixo!

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Bruno Ferreira

Sempre gostou de automobilismo e assiste às corridas desde que era criança. A paixão atingiu outro patamar quando viu – e ouviu – um carro de F1 ao vivo pela primeira vez. Depois disso, o gosto pelas corridas acabou se transformando em profissão. Iniciou sua trajetória como jornalista especializado em automobilismo em 2010, no mesmo ano em que se formou, quando publicou seu primeiro texto no site Tazio. De lá para cá, cobriu GPs de F1 no Brasil e no exterior, incluindo duas decisões de título (2011 e 2012), além de provas de categorias como Indy, WEC, WTCC e Stock Car.

  • Pedro Ivo Faro

    Vale Rothmans, Martini, Gulf (teve um F1 da Gulf!) e a marca de pneus Falken, q n correu na F1, mas esteve em várias categorias de turismo mundo afora

  • Dox

    Não sei qual o nivel do relacionamento, mas quem carregou a Marlboro para todos os lados foi o Emerson.
    Em 1974, quando estreou na McLaren, a equipe tinha como patrocinador anterior a Yardley, que apoiava o Peter Revson, e anteriormente patrocinava a BRM.
    A Marlboro patrocinou também a BRM e a Iso-Rivolta.
    Depois, quando foi para a Indy, o mesmo fabricante resolveu novamente apoiar o Emerson, o acompanhando na Patrick e na Penske.
    Me corrijam se eu cometi erros, pois busquei tudo na memória, sem confirmar no Google.

  • #Volei #SPFC #Speed

    A pintura verde e amarela da Lotus, que correu com a Caterham na F-1 e com a KV Racing na F-Indy em 2011.

  • Foca Cruz

    As mais mais de todas, Gulf e Martini…

    • Luiz S

      Apareceram até na Porsche GT3 Cup Brasil…não consegui postar fotos

  • Rafael Batista

    A pintura da Rothmans também entraria nessa lista, né? Só que nos contramão, pois veio dos protótipos pra F1…

    • MPeters

      Protótipos, rali, motovelocidade, F1…

  • João Sérgio

    a clássica pintura Red Bull, que já andou por Nascar, Indy, e as mais variadas categorias

  • Carlos Alberto Junior

    Com certeza a comunicação visual da Marlboro foi a mais icônica. Ficou tão marcado que atinge gerações futuras, é uma pintura legendaria. Mais um ótimo artigo dessa excelente equipe do projeto motor. Abçs.

  • Ricardo

    Excelente artigo!

    A exemplo do Joshué, tenho uma sugestão para a parte 2: Gitanes / Gauloises! Que, para além da Ligier / Prost, emprestou seu layout – na minha opinião, o mais lindo do esporte a motor – para a Formula 3000, Formula 2, Rally Paris Dakar, WRC, Endurance, Sportscars e até MotoGP!

    Abraços!

  • Joshué Fusinato

    Bruno, como sempre, um artigo excelente!

    Pra parte 2, já fica a dica da Camel, que além da Lotus na F1, dava as caras na F-3000, tendo patrocinado os carros do Johnny Herbert em 1988 e do Jean Alesi em algum ano que não me lembro agora!

    Abraço!

    • Ótima lembrança! Naquela época, a Camel patrocinou algumas outras categorias, inclusive além dos monopostos. Certamente se encaixa nessa.

      Abraço!