Pirelli inaugura módulo exclusivo de pneus de competição em Campinas

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A fábrica de pneus da Pirelli em Campinas passa a contar agora com um módulo exclusivo para fabricação de pneus de competição. A instalação é única no país e a terceira da marca no mundo, ao lado de Turquia e Romênia, onde são produzidos os compostos da F1.

A empresa italiana investiu pouco mais de U$ 1 milhão nos últimos dois anos para modernização e adequação da área de 450 m², com 15 funcionários exclusivos. A fábrica do interior paulista já produzia desde os anos 70 pneus para automobilismo, porém, nunca teve um módulo exclusivo para isso. Até então, os compostos eram feitos dentro da linha convencional, o que diminuía capacidade produtiva e versatilidade..

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O novo módulo tem capacidade de produção de até 50 mil pneus por ano, tanto para competições de asfalto quanto de terra, de 42 medidas diferentes. Entre as categorias atendidas estão Rally dos Sertões, Stock Light, Brasileiro de Endurance e Mercedes Challenge, no Brasil; TC 2000, Fórmula Renault 2.0 e Fiat Competizione na Argentina; e CTCC e Toyota Yaris Cup na Costa Rica. Desta forma, a Pirelli estima que fornece a mais de 200 carros durante mais de 120 corridas a cada temporada.

pneus Pirelli Campinas
Linha de montagem dos pneus da Pirelli é quase artesanal por conta da customização dos compostos (Foto: Projeto Motor)

A exceção é a Stock Car que seguirá com os pneus importados da Romênia, pois a competição utiliza um composto feito sob medida e que já está em produção em linha na fábrica europeia. Assim, mesmo distante, não compensaria, segundo Fabio Magliano, gerente de produtos da Pirelli para a América Latina, uma mudança para a planta brasileira. “Só faria sentido uma alteração se não estivesse cabendo lá na Romênia, o que não é o caso”, explicou ao Projeto Motor.

Produção dos pneus

A reportagem do Projeto Motor visitou a nova unidade e conheceu o módulo de competições, onde cada pneus é feito quase que de forma artesanal, passando pelas mãos de funcionários que completam o trabalho das máquinas.

Rodolfo Dervelan, gerente executivo de produção da fábrica, explicou que enquanto um pneu de rua, na linha de produção convencional, é produzido em questões de segundos, por suas características customizadas, o composto de competição tem um ciclo de produção de cerca de 10 minutos.

Este processo, apesar de demandar mais tempo, garante, segundo Dervelan, a capacidade de produção de modelos bastante específicos para as competições. Cada categoria que tem seus pneus produzidos nesta linha possui um composto químico em sua banda de rodagem e uma estrutura interna diferente, que responde às características do carro e do tipo de forças que ele irá enfrentar.

camadas internas do pneu da Pirelli
Parte estrutural do pneu possui cinco camadas internas com mantas metálicas, fios de náilon tratados, entre outros materiais, que são responsáveis pela resistência, velocidade de resposta e manutenção de temperatura (Foto: Projeto Motor)

Os pneus recebem ainda um chip com o sistema RFID, em que pelo código de barras é possível identificar e rastrear informações de cada composto como lote do produto, operador que o manipulou, data da lacração, além de equipe e piloto que andaram com ele.

Novo Stock Car

No evento, também estava presente Carlos Col, CEO da Vicar, organizadora da Stock Car, que passou informações sobre o trabalho com a Pirelli para o novo carro da categoria, que estreia em 2020.

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Apesar do modelo mais pesado, após testes em diversas pistas, fabricante e categoria chegaram à conclusão de manter o atual composto. “Um protótipo está sendo testado há seis meses em diversas pistas com o apoio técnico de engenheiros da Pirelli para realização dos ajustes”, afirmou.

Magliano, da Pirelli, completou a informação explicando que a categoria chegou a utilizar um pneu mais macio em duas etapas desta temporada, mas justamente por conta do maior peso do próximo carro, junto com os chefes de equipe, a escolha pelo médio foi feita. “Em linhas gerais é o mesmo pneu, pois é pneu que as equipes já estão acostumadas.”


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Lucas Santochi

Mais um fanático da gangue que criou vínculo com automobilismo desde a infância. Acampou diversas vezes nas calçadas ao redor de Interlagos para assistir aos GPs e nunca esqueceu a primeira vez que, ainda do lado de fora do autódromo, ouviu o barulho de F1 acelerando pela reta. Jornalista formado em 2004, passou por redações na época da TV Band e Abril, teve experiência na área de assessoria de comunicação esportiva até chegar ao site especializado em esporte a motor Tazio, em 2010. Passou pelas funções de redator, repórter (cobrindo diversas corridas no Brasil e exterior de F1, Indy, WEC, Stock Car, entre outras) e subeditor até o final de 2013, quando o veículo encerrou suas atividades. Trabalhou ainda como redator do UOL Esporte em 2014 até que decidiu se juntar com os outros três membros do Projeto Motor para investir na iniciativa.