PMotor Entrevista #5 – Farfus conta como DTM cativa público que a F1 perdeu

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Augusto Farfus é um dos pilotos brasileiros de maior sucesso no automobilismo fora das competições de fórmula. Desde 2004, ele traça uma carreira bastante consistente nas corridas de turismo e GT e há 9 anos é contratado da BMW, o que já lhe deu oportunidade de competir em diversos eventos importantes como WTCC, 24 Horas de Le Mans, Nurburgring, Daytona, 12 Horas de Sebring, entre outras.

Em 2012, ele se tornou um dos representantes da marca de Munique no DTM, um dos campeonatos de maior notoriedade do mundo, onde já acumula quatro vitórias. Em entrevista ao Projeto Motor, ele explicou o foco do certame alemão em criar um bom show para o público, algo que, em sua opinião, poderia ser copiada pela F1.

Augusto Farfus pilota sua M4 DTM em Nuerburgring
Augusto Farfus pilota sua M4 DTM em Nurburgring

“A grande mensagem do DTM para a F1 é o que o público em casa está mais interessado em ver um bom espetáculo do que equipes sempre sobrevivendo com a corda no pescoço, que é a realidade tirando as duas ou três top”, explicou.

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Segundo o curitibano, o campeonato alemão tem uma união das montadoras participantes – BMW, Audi e Mercedes – que supera as rivalidades e que torna mais fácil planejar e construir uma categoria melhor para os admiradores acompanharem. Ele deu como exemplo o sistema de equalização de desempenho, em que tem a sua marca como beneficiada em 2016 depois de uma temporada difícil em 2015.

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“Este ano temos um carro 7,5 kg mais leve que os concorrentes e uma asa traseira 5 centímetros mais larga”, aponta. “Isso mostra um lado sensato e grande união das montadoras do DTM, o que é algo que, infelizmente, não acontece na F1. Todos chegaram a um acordo para que não aumente os custos. E isso já aconteceu no passado, quando a Mercedes estava com um desempenho abaixo. Existe uma união pelo bem do esporte”, completou.

Sobre sua carreira, o piloto lembrou a difícil decisão de desistir da F1 quando recebeu os primeiros convites para correr no antigo ETCC pela Alfa Romeo, mas sempre destacando que hoje se considera um sortudo por ter trilhado uma carreira profissional e sem ajuda de uma grande patrocinador.

Nürburgring (DE), 14th May 2015. 24h race, BMW Sports Trophy Team Marc VDS , BMW Z4 GT3 #25, Maxime Martin (BE), Lucas Luhr (DE), Richard Westbrook (GB), Markus Palttala (FI). This image is copyright free for editorial use © BMW AG (05/2015).

“O destino me levou para esse caminho. Não foi uma escolha fácil. Eu venci a F-Renault, a F3000. Fiz a mesma carreira que o Felipe Massa. Quando venci a F3000, meu objetivo era ir para GP2 ou F1. Tive contratos assinados para ir para a F1. Mas não fui porque não arrumei a grana, não arrumei o patrocínio. Fui atrás de várias empresas. A F1 foi paga desde sempre”, lamentou.

Assista a entrevista de Augusto Farfus na íntegra no player acima, em que o brasileiro ainda falou sobre a tendência de motores cada vez menores e mais eficientes no automobilismo internacional, como já acontece na F1, explica como é sua vida de piloto oficial da BMW, fala de sua participação na Stock Car e muito mais.

Confira os destaques da entrevista: 

00:30 Expectativas para a temporada de 2016
06:20 Mudanças técnicas do DTM e a expectativa de uma categoria globalizada
14:35 O que o DTM pode ensinar para a F1?
18:00 Migração dos monopostos para o turismo
24:48 A rotina profissional como piloto da BMW
32:19 Comparação DTM x Stock Car
35:40 Seus principais rivais na carreira

O áudio da entrevista está disponível para download abaixo:

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Projeto Motor

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  • MarcioD

    Concordo 100% com as colocações do Farfus acerca da F-1. Acontece que a categoria acabou se tornando “cara” demais e com um sem numero de interesses políticos e econômicos envolvidos, o que dificulta muito os acordos, que são facilitados no DTM por serem 3 montadoras e todas alemãs.
    Segundo ele, lá estão pensando em reduzir o downforce, em nome de mais ultrapassagens, enquanto a F-1 fala em aumenta-lo ano que vem……
    O Publico no geral, não está interessado se a F-1 usa ou não tecnologia de ponta ou no fato da F-1 ser um laboratório para novas tecnologias e sim na velocidade, nas disputas, nas ultrapassagens, no ronco de motor.
    Nunca achei legal este lance de muito downforce, que gruda o carro no chão e acaba nivelando os pilotos por baixo. Me lembro do salto que houve com o carro asa de Chapman, levando o Andretti a ser campeão em 78.Não gostei na época.