PMotor Entrevista: De Ferran, o piloto que fez história sem precisar da F1

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O termo “histórico” ou a expressão “entrou para a história” são sempre muito usados no esporte, em vários momentos de forma uma pouco exagerada. No entanto, quando o Comitê Editorial do Projeto Motor discutiu o título para a entrevista de Gil de Ferran, não houve nenhum comedimento em usar tal expressão na manchete.

De Ferran é um certamente um dos grandes pilotos que o automobilismo brasileiro revelou. Estamos falando dos grandes mesmo. E conseguiu fazer isso sem correr na categoria máxima, a F1, se impondo nos Estados Unidos, um dos grandes centros do automobilismo mundial.

gil de ferran penskeBicampeão da Indy, 12 vitórias e 21 pole positions pela categoria, vencedor das 500 Milhas de Indianápolis, ele se manteve em alto nível até o fim da carreira, quando resolveu abandonar as pistas com 36 anos. E, mesmo assim, terminou com o vice-campeonato em sua última temporada e ainda venceu a corrida final.

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“Eu comecei a sentir que não estava mais com aquele foco superintenso. E sempre achei que uma das coisas que me fez competitivo foi essa habilidade de prestar a atenção em tudo e me concentrar ao máximo”, explicou. “Quando você já não está mais aí se o último décimo conta, não é uma coisa legal. Mas eu disse que ia até o final daquele ano, e quase ganhei o campeonato, e ganhei minha última corrida. Tenho muito orgulho disso, de ter sido competitivo até o último dia”, continuou.

Na conversa com a equipe do Projeto Motor, o ex-piloto falou sobre sua carreira nas categorias de base europeias, os testes que realizou por Williams e Footwork e os motivos de, mesmo com tanto sucesso pela Indy, nunca ter conseguido ou aproveitado uma nova chance na F1.

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“Para mim, o importante era me colocar em uma situação em que eu teria o equipamento à altura, que poderia ser competitivo, em uma equipe que me colocasse em condições de eu poder me preparar. Você pode chamar de arrogância ou confiança, mas sempre tive certeza que se eu tivesse os ingredientes, eu iria lá e ia ganhar corrida. F1, eu nunca tive dúvida se eu ia ser competitivo. Eu sabia que se tivesse os ingredientes, eu ia lá e ia dar pau nos caras.”

Gil também falou de sua passagem como dono de equipe nos Estados Unidos, além da experiência de assumir um cargo de dirigente na F1, quando chegou a ser chefe da dupla Jenson Button e Rubens Barrichello na Honda.

gil de ferran button“Foi algo fantástico que aconteceu na minha vida. Eu tinha acabado de parar de correr e tinha um relacionamento bom com o pessoal da Honda. E eles disseram que ‘a gente sabe que você tem muitos laços na Europa, vai muito para a Inglaterra, você não quer ajudar a gente a tocar nossa equipe de F1?’ Eu disse ‘ok’. Claro que foi pular na piscina mais funda possível. Mas eu não trocaria essa experiência por nada. Aprendi muito”, comentou.

Na entrevista, De Ferran deu seu pitaco até sobre as discussões sobre os protetores de cockpit que a FIA vem testando nos últimos meses na F1, quando se colocou a favor de um maior desenvolvimento de um dispositivo que proteja melhor os pilotos.

“Acho que você não consegue parar a tecnologia e o conhecimento”, disse. “Eu sou totalmente a favor dessa evolução, dessa exploração. Só assim que o conhecimento aumenta e o mundo em geral vai para frente. Se a solução é o halo, se é o aeroscreen… Sei lá. Mas tenho certeza que essa evolução vai continuar”, acrescentou.

Confira os destaques da entrevista: 

00:40 O que faz hoje em dia
03:35 Mudança para a Europa para competir
07:40 Testes com a “Williams de outro planeta” na F1
17:25 Teste com a Footwork e a “cabeçada”
21:00 Comparação F1 x Indy nos anos 90
23:48 Grandes memórias da Indy
38:15 Sua época favorita na Indy
40:48 A decisão de parar de correr
48:26 Gil de Ferran, o melhor brasileiro pós-Senna?
50:30 Período como dirigente da Honda na F1
1:00:44 A segurança do automobilismo nos dias de hoje

Faça o download do áudio para escutar quando quiser:

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