Por 0s05, Chapman celebrou vitória da Lotus pela última vez na Áustria

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A temporada de 1982 foi uma das mais malucas da história da F1. 11 vencedores diferentes, um campeão que ganhou apenas uma prova, acidentes fatais ou que acabaram com carreiras e muitas surpresas. Entre as várias histórias, uma que fica por vezes renegada ao segundo plano é a vitória de Elio de Angelis no GP da Áustria de Lotus. Aquela seria a última vez que Colin Chapman veria um de seus carros vencer um GP antes de sua morte, em dezembro daquele ano.

E não foi tranquilo. Longe disso. De Angelis cruzou a linha de chegada apenas 50 milésimos à frente de Keke Rosberg, da Williams. A terceira posição ficou com um distante Jacques Laffite, com sua Ligier-Matra. O resultado acabou sendo curioso pelo fato de três motores aspirados terem terminado no pódio, em uma pista em que ninguém considerava ser possível ser competitivo sem um turbo. Tanto Lotus quanto Williams usavam na época os Ford Cosworth DFV, que teriam um último suspiro naquela temporada.

Este cenário todo deu contornos incríveis ao triunfo de De Angelis, em um final de semana em que poucos na Lotus poderiam sonhar com a vitória. Nos treinos livres em Osterreichring, uma versão um pouco mais longa e ainda mais rápida do atual Red Bull Ring, a Brabham dominou a tabela de tempos com Nelson Piquet e Riccardo Patrese, com seus BMW Turbo despejando potência.

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A dupla acabou lacrando a primeira fila do grid com Alain Prost em sua Renault turbo em terceiro, mas longínquos 1s2 atrás. Os outros dois únicos carros com motores turbo, Patrick Tambay, da Ferrari, e René Arnoux, também da Renault, ficaram logo em seguida, em quarto e quinto. Keke Rosberg e De Angelis apareciam em seguida, como os primeiros pilotos com propulsores aspirados, a 2s688 da pole.

Só que a corrida acabou se tornando um show de abandonos e problemas. Tambay, com um pneu furado na primeira volta, teve que ir aos boxes e perdeu de cara dois giros para os líderes. Arnoux abandonou na volta 16 com um problema na injeção eletrônica, problema que vinha sendo recorrente para a Renault. Ainda na primeira metade da corrida, o motor BMW abriu o bico e deixou o líder Patrese fora. Pouco depois, foi a vez da outra Brabham, de Piquet, deixar a prova com uma pane elétrica.

Isso tudo deixou Prost em uma posição muito confortável. O francês assumia a ponta com uma enorme vantagem de 36 segundos para o segundo colocado, a Lotus de De Angelis, e nenhum outro carro com turbo para incomodá-lo. O piloto da Renault liderou por 20 voltas, aumentando sua diferença para 32 segundos e tudo indicava que ele partia para um passeio em campo austríaco.

A celebração da Lotus, liderada por Chapman, da vitória no GP da Áustria de 1982 após quatro anos de jejum

Só que a cinco voltas do final, a Renault do francês encosta a lado da pista com problemas na injeção eletrônica, assim como seu companheiro. De Angelis assume a ponta com três segundos de vantagem para a Williams de Rosberg e apenas alguns quilômetros pela frente para vencer pela primeira vez na F1.

O time de Chapman não vencia desde o GP da Holanda de 1978, quatro anos antes. Imagine a expectativa que se criou para aqueles giros finais na Áustria. Só que nada vem fácil na F1.

Algo que era bastante comum para a época, a Lotus de De Angelis estava com tanque baixo e o italiano precisou começar a brigar com o consumo de combustível para terminar a corrida. E a diferença para Rosberg começou a cair: 2s5 na volta 51 e 1s5 na abertura no giro final.

Colin Chapman celebra na beira da pista a vitória de Elio de Angelis no GP da Aústria de 1982 por apenas 50 milésimos

Rosberg, vendo a possibilidade de ataque nos metros finais, fez uma volta final agressiva e tirou toda a vantagem de De Angelis. Os dois entraram juntos na última reta, o finlandês chegou a colocar a sua Williams ao lado da Lotus e eles cruzaram a linha de chegada praticamente juntos, com a roda dianteira de Rosberg ao lado do cockpit de De Angelis. No cronômetro, apenas 50 milésimos separaram os dois.

O talentoso Elio de Angelis vencia pela primeira vez na F1 e a Lotus acabava com um longo e incômodo jejum de vitórias. O que ninguém sabia na época, porém, é que aquele seria a última vez que Chapman veria um de seus carros conquistar um GP.

Pouco menos de um mês e meio depois, Rosberg se sagraria campeão daquela temporada confusa da F1, em Las Vegas, enquanto De Angelis ficaria apenas em nono no campeonato. A Lotus, no último campeonato sob a batuta de Chapman ficaria apenas na quinta posição entre os construtores. O inglês morreria no final do ano, em 16 de dezembro.


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Lucas Santochi

Mais um fanático da gangue que criou vínculo com automobilismo desde a infância. Acampou diversas vezes nas calçadas ao redor de Interlagos para assistir aos GPs e nunca esqueceu a primeira vez que, ainda do lado de fora do autódromo, ouviu o barulho de F1 acelerando pela reta. Jornalista formado em 2004, passou por redações na época da TV Band e Abril, teve experiência na área de assessoria de comunicação esportiva até chegar ao site especializado em esporte a motor Tazio, em 2010. Passou pelas funções de redator, repórter (cobrindo diversas corridas no Brasil e exterior de F1, Indy, WEC, Stock Car, entre outras) e subeditor até o final de 2013, quando o veículo encerrou suas atividades. Trabalhou ainda como redator do UOL Esporte em 2014 até que decidiu se juntar com os outros três membros do Projeto Motor para investir na iniciativa.