Quatro Rodas

Por baixo e em crise, Williams celebra 40 anos de sua primeira vitória

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O momento não é dos melhores para a Williams. A equipe é destacadamente a pior da F1 atualmente e sem previsão de um retorno ao bloco da frente tão cedo. Mesmo assim, um time com tanta história sempre tem algo para celebrar e relembrar. E neste final de semana em casa, no circuito de Silverstone, a equipe comemora os 40 anos de sua primeira vitória no Mundial.

Já contamos aqui no Projeto Motor em outro artigo a incrível história de como Frank Williams conseguiu montar sua equipe em meio a tantos contratempos durante a década de 70. Por isso, desta vez vamos manter o foco no GP da Inglaterra de 14 de julho de 1979, vencido por Clay Regazzoni.

A Williams vinha em ascensão, principalmente depois da estreia do modelo FW07, o primeiro da equipe que utilizava os conceitos de efeito solo. O carro era destacadamente inspirado no Lotus 79, que já era o segundo do time de Colin Chapman que explorava o efeito solo. Porém, aos poucos foi possível ver que seus criadores, Patrick Head, Frank Dernie e Neil Oatley, conseguiram tirar ainda mais eficiência do artifício.

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O FW07 era um monoposto pequeno, com linhas simples, suaves e extremamente leve. O motor era o confiável Ford-Cosworth DFV V8 de 3 litros, o preferido das equipes independentes. A estreia aconteceu na quinta etapa de 1979, na Espanha, primeira em solo europeu no ano. O carro desde o começo mostrou ser rápido, porém, nas primeiras participações teve problemas de confiabilidade. Na segunda participação, na Bélgica, Alan Jones largou em terceiro no grid e liderou a corrida por 16 voltas até sofrer uma falha elétrica. Em Mônaco, Regazzoni conquistou um segundo lugar, mostrando que o time estava no caminho certo.

Alan Jones, com seu Williams FW07 em Zandvoort, no GP da Holanda de 1979. (Foto: LAT Images / Williams)

Entre as semanas do GP da França e da Inglaterra, a equipe de engenharia da Williams fez algumas atualizações importantes no modelo. Dernie desenhou um novo sistema que garantisse que as saias laterais encostassem no asfalto durante todo o tempo. Isso era algo importante nos carros que exploravam o efeito solo, pois mantinha a passagem de ar na parte de baixo do carro sob aceleração até o final do assoalho, sem “vazamentos” laterais, gerando uma zona de baixa pressão que “grudava” o carro no chão.

As correções deram certo e trouxeram um efeito imediato. Jones conquistou a pole position em Silverstone com 0s6 de vantagem para o segundo colocado, Jean-Pierre Jabouille, da Renault. Regazzoni colocou o outro Williams na quarta posição.

Na corrida, Jones pulou na frente enquanto Regazzoni deixou a Brabham de Nelson Piquet para trás na largada. Na volta 17, o suíço também ultrapassou Jabouille e as Williams passaram a controlar a prova. Com o passado de quebras, o time passou a sofrer apreensão a partir da volta 39, quando o líder Jones abandonou por conta de um superaquecimento no motor.

Regazzoni herdou a ponta e aos poucos afastou qualquer preocupação. Ele manteve o ritmo de cruzeiro para vencer com uma margem de 24 segundos para o segundo colocado, René Arnoux, da Renault. O terceiro, Jean-Pierre Jarier, da Tyrrell, terminou uma volta atrás.

Assim, a Williams conquistava a sua primeira vitória na F1. E o mais importante: o triunfo passou longe de ser um golpe de sorte, mas sim, a solidificação de um bom trabalho de engenharia, algo que se tornaria marca da equipe no futuro. A prova disso foi que a boa fase continuou e o time venceu mais quatro corridas das seis que restavam na temporada, incluindo uma dobradinha em Hockenheim e um triunfo com terceiro lugar em Montreal.

Como o começo de campeonato tinha sido ruim, a arrancada na segunda metade da temporada não foi o suficiente para um título. Mesmo assim, a equipe (pelo menos essa encarnação) que tinha nascido dois anos antes e tinha sido apenas nona colocada entre os construtores em 1978, terminou o campeonato de 79 em segundo. Alan Jones ainda ficou com o terceiro lugar no Mundial de pilotos, somente 11 pontos atrás do campeão Jody Scheckter enquanto Clay Regazzoni terminou em quinto.

Um ano depois, Jones levantaria o caneco e a Williams seria campeã de construtores de 1980 com quase o dobro de pontos da segunda colocada, Ligier. Era apenas o início de uma história que somaria 114 vitórias, sete títulos de pilotos e nove de construtores. Se hoje é difícil enxergar uma Williams grande, a equipe pode aproveitar a data de celebração de 40 anos de sua primeira vitória para quem sabe reencontrar sua fórmula de sucesso.


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Lucas Santochi

Mais um fanático da gangue que criou vínculo com automobilismo desde a infância. Acampou diversas vezes nas calçadas ao redor de Interlagos para assistir aos GPs e nunca esqueceu a primeira vez que, ainda do lado de fora do autódromo, ouviu o barulho de F1 acelerando pela reta. Jornalista formado em 2004, passou por redações na época da TV Band e Abril, teve experiência na área de assessoria de comunicação esportiva até chegar ao site especializado em esporte a motor Tazio, em 2010. Passou pelas funções de redator, repórter (cobrindo diversas corridas no Brasil e exterior de F1, Indy, WEC, Stock Car, entre outras) e subeditor até o final de 2013, quando o veículo encerrou suas atividades. Trabalhou ainda como redator do UOL Esporte em 2014 até que decidiu se juntar com os outros três membros do Projeto Motor para investir na iniciativa.