Por dentro do fabuloso – e imperdível – museu de Le Mans

4

Palco de uma das provas mais cultuadas do automobilismo mundial, o circuito de Le Mans toma todos os cuidados para que seus visitantes sejam contaminados com o espírito das corridas – e um dos elementos fundamentais nesse processo é o imperdível museu situado em suas dependências.

Trata-se de um verdadeiro culto a um século de história, com menções honrosas a pilotos, edições e, claro, carros que tornaram as 24 Horas de Le Mans tão especiais. Ao todo, são aproximadamente 120 modelos espalhados nos 300 m² de exposições, que remetem fases distintas da corrida, desde os primórdios até a era em que a prova já se tornava uma atração de alcance mundial.

Acompanhe o PROJETO MOTOR na redes sociais: Twitter | Facebook | YouTube

O Musée Des 24 Heures fica situado em um complexo ao lado da entrada principal do Circuit de la Sarthe. Seu funcionamento é independente de qualquer atividade no autódromo – ou seja, se você der um pulo a Le Mans em um dia aleatório, mesmo sem ação na pista, conseguirá entrar e ver de perto o acervo. Mas, claro, a visita durante as 24 Horas ajuda ainda mais na imersão do clima, mesmo que o local fique mais cheio de visitantes durante esta época do ano.

Logo de cara, o museu te apresenta um “santuário” que celebra grandes nomes que construíram a história da prova. Charles Faroux e Georges Durand, idealizadores da corrida ainda nos anos 1920, têm seus espaços, assim como construtores de carros notáveis que marcaram época, como Ferry Porsche, Amédée Gordini, Enzo Ferrari e Henry Ford II – estes últimos que protagonizaram uma das histórias mais folclóricas das 24 Horas.

Evidentemente, pilotos também são reverenciados neste “túnel do tempo”, com seus artefatos expostos até avançar aos dias atuais. A lista vai desde nomes como Tazio Nuvolari, os irmãos Pedro e Ricardo Rodríguez, passa por Jacky Ickx, Henry Pescarolo e chega até Tom Kristensen.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Ao lado, há um aperitivo do que está por vir: uma prateleira repleta de miniaturas, com modelos de destaque de simplesmente todas as edições já realizadas das 24 Horas de Le Mans. Certamente é possível passar uns bons minutos apreciando cada detalhe dos modelos, o que ajuda a criar uma conexão mais forte com a história da prova.

E aí chega o filé mignon do passeio. Em uma passagem ao lado, já surgem os primeiros veículos, sejam carros dos primórdios, sejam motocicletas. E, a exemplo do que acontece na seção destinada aos pilotos, os trechos representam épocas distintas, de modo que você avança no tempo a cada passada.

Há espaço para modelos dos mais diversos patamares, desde máquinas clássicas da Matra, o Porsche 917 LH, o icônico Mazda 787B, além de bólidos marcantes de Ford, Audi, Jaguar, Bentley, entre outras construtoras.

LEIA TAMBÉM:
O que um fã poe fazer em um dia inteiro de 24H de Le Mans?
Sete valiosas lições que as 24 Horas de Le Mans podem ensinar à F1

Contudo, a história não é feita só de vencedores: o Toyota 94 CV, que sofreu uma derrota dolorida em 1994, e o Nissan GT-R LM Nismo, que protagonizou um fiasco em 2015, são alguns dos modelos de pouco sucesso expostos.

A maioria dos modelos está exposta em uma zona de fácil acesso e alcance por parte do público, de modo que é possível chegar bem perto e observar todos os detalhes, desde componentes técnicos até falhas na pintura/carenagem frutos da competição intensa. Outros modelos, no entanto, estão suspensos a uma distância maior, o que não permite observação tão minuciosa.

Como dissemos, o acervo do museu é vasto, de modo que registramos apenas uma parte como aperitivo:

Este slideshow necessita de JavaScript.

Por fim, o museu também conta com uma sala separada, destinada a exposições temporárias. Durante nossa visita, a homenageada da vez foi a única aparição oficial da F1 a Le Mans, que completava 50 anos.

A prova, disputada no traçado Bugatti (semelhante ao que recebe a MotoGP atualmente), tem sua história retratada em fotos e informações em murais. Mas, claro, o objetivo é apresentar de perto as máquinas que compuseram aquela história, tanto com veículos específicos da F1 como outros que se destacaram na mesma época – como o F3 de Jean-Pierre Jaussaud.

Em 2018, o local é destinado a uma exposição que celebra o clássico azul-laranja da Gulf, uma das pinturas mais marcantes do esporte a motor em todas as modalidades. Certamente a visita é obrigatória.

Este slideshow necessita de JavaScript.

MUSÉE DES 24 HEURES
Endereço: 
9 place Luigi Chinetti, 72100, Le Mans

Horários de funcionamento:

De 01/05 a 30/09: todos os dias, das 10h às 19h
De 01/10 a 30/04: todos os dias, das 10h às 18h
No dia das 24H: das 10h à 0h

Entrada:

Adultos: 8,50 €
Crianças de 10 a 18 anos: 6 €
Crianças de até 9 anos: gratuito
Torcedores com ingressos durante as 24H: gratuito

 Comunicar Erro

Bruno Ferreira

Sempre gostou de automobilismo e assiste às corridas desde que era criança. A paixão atingiu outro patamar quando viu – e ouviu – um carro de F1 ao vivo pela primeira vez. Depois disso, o gosto pelas corridas acabou se transformando em profissão. Iniciou sua trajetória como jornalista especializado em automobilismo em 2010, no mesmo ano em que se formou, quando publicou seu primeiro texto no site Tazio. De lá para cá, cobriu GPs de F1 no Brasil e no exterior, incluindo duas decisões de título (2011 e 2012), além de provas de categorias como Indy, WEC, WTCC e Stock Car.