Por que Sainz é um dos grandes vencedores da F1 em 2019

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O pódio no GP do Brasil foi bastante representativo tanto para Carlos Sainz quanto para a McLaren. Os últimos anos foram difíceis para ambos. A união para 2019 parecia que poderia ser até mesmo uma simples fase de transição. Mas a uma prova do final da temporada, podemos dizer que deu tudo muito certo para eles.

Sainz tem uma chance considerável de terminar o campeonato como a sexta posição na classificação geral, o famoso “campeão do resto”, à frente de um dos carros da Red Bull. Após o GP do Brasil, faltando apenas a etapa de Abu Dhabi, ele está empatado com Pierre Gasly em sexto com 95 pontos e com 11 de vantagem para Alex Albon.

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Ou seja, para sacramentar o sexto posto, ele precisa chegar à frente do francês da Toro Rosso (algo que pode ser considerado normal para a McLaren) e não perder uma grande quantidade de tentos para o tailandês da Red Bull, também nada de outro mundo. Mesmo que fique em sétimo, atrás de um dos pilotos da organização dos energéticos, ainda será um ótimo resultado, considerando que ambos andaram em algum momento pela time principal da empresa neste ano.

A corrida de Interlagos especificamente tem grande peso nesta campanha, campanha de Sainz e para o processo de ressurgimento da McLaren. Este é o melhor resultado da carreira de Sainz, que se torna agora o piloto que mais GPs disputou na história da F1 antes de subir ao pódio, com 101 provas no currículo. O recorde anterior era de Martin Brundle, com 91. Não é dos recordes mais legais de ter no currículo, mas, junto com o possível resultado no campeonato, mostra que o espanhol está em alta.

Carlos Sainz, com sua McLaren MCL34 no GP do Brasil de 2019: de último para terceiro
Carlos Sainz, com sua McLaren MCL34 no GP do Brasil de 2019: de último para terceiro (Foto: McLaren)

Existem ainda outros pontos para Sainz considerar 2019 um grande ano para ele. Listamos alguns.

Consolidação da carreira de Sainz

Sainz entrou na F1 meio que quando parecia não ter mais chances. Campeão da F-Renault 3.5 (World Series) de 2014, ele fazia parte do programa de pilotos da Red Bull, porém, tudo indicava que não teria uma vaga no Mundial tão cedo. Só que uma decisão de Sebastian Vettel mudou sua vida.

Ao final daquela temporada, o alemão resolveu deixar a equipe Red Bull e se transferir para a Ferrari. A equipe dos energéticos então fez uma rodada de promoções dentro de casa. Desta forma, Daniil Kvyat subiu da Toro Rosso para ser companheiro de Daniel Ricciardo do time principal da empresa, e Sainz entrou na vaga do russo na equipe B, ao lado de Max Verstappen.

Carlos Sainz, pela Toro Rosso, no GP do Japão de 2017
Carlos Sainz, pela Toro Rosso, no GP do Japão de 2017 (Foto: Peter Fox/Getty Images/Red Bull)

Nos anos seguintes, o espanhol nunca foi mal, mas também passou longe de brilhar. Na primeira temporada na F1, ele marcou 18 pontos pela Toro Rosso contra 49 de Verstappen. Em 2016, o holandês foi promovido para a Red Bull durante o campeonato e ele passou a ter como companheiro um abatido Kvyat, contra quem conseguiu se sobrepor em número de tentos, com bons sextos lugares nos GPs dos EUA e Brasil.

Com as idas e vindas do programa da Red Bull e uma equipe principal aparentemente travada com Ricciardo e Verstappen, o espanhol começou a olhar opções antes que ficasse a pé, como aconteceu com diversos outros pilotos talentosos do probrama, como Sébastian Buemi e Jean-Éric Vergne. Ele seguiu na Toro Rosso em 17, mas a crise de relacionamento entre a empresa austríaco e a fornecedora de motores Renault lhe abriu uma oportunidade.

A Toro Rosso passaria a usar propulsores da Honda em 2018 e no acordo que envolveu muitos pontos, ele foi emprestado para a Renault ainda no final de 2017 e para 2018. Na equipe francesa, ele foi superado em pontos por Nico Hulkenberg, porém, mostrando alguma consistência.

Ricciardo, Gasly e Sainz, ainda pelas suas equipes em 2018. Eles seriam protagonistas de um grande acordo que trocaria os três de time para 2019 (Foto: Dan Mullan/Getty Images/Red Bull)

Com a saída de Fernando Alonso da McLaren, uma vaga muito interessante surgiu em um time em crise, mas que procurava se reestabelecer com um novo projeto. A Renault contratou Daniel Ricciardo e a Red Bull, com quem ainda tinha contrato, não mostrava interesse em lhe dar uma chance na equipe principal, por isso, o time de Woking acabou sendo quase que um caminho natural para o espanhol.

Como o outro piloto da equipe seria o novato Lando Norris, Sainz teria a chance de se tornar o líder da equipe na pista por sua experiência. E ele conseguiu entregar isso em 2019

Líder da McLaren na pista

Sainz tinha o desafio de não ser superado mais uma vez por um companheiro de equipe. Todos estavam de olho no que o talentoso Lando Norris poderia fazer. Além disso, pairava no ambiente a eterna sombra de Fernando Alonso, que deixou a F1 dizendo que um dia poderia voltar, e com muita gente dizendo que ele só estava esperando por uma melhora da McLaren para poder assumir o cockpit de novo.

O espanhol, mesmo assim, entregou duas coisas importantes que o time precisava. A primeira: um bom clima. Ele é um cara tranquilo e criou um ótimo relacionamento (pelo menos em público) com Norris. Aos poucos, assumiu a posição de líder do time, o que muitos não acreditavam que ele não poderia.

Carlos Sainz e Lando Norris, companheiros na McLaren
Carlos Sainz e Lando Norris: brincadeiras nas redes sociais e muita camaradagem fora da pista. Até quando? (Foto: McLaren)

E a segunda: consistência dentro da pista. Sainz foi bastante regular, principalmente em ritmo de corrida. Com um Norris ainda em evolução e claramente tendo problemas para traduzir boas classificações em resultados ao final de domingo, ele soube puxar essa responsabilidade sem problemas.

Lógico, quando se tem um estreante no outro carro, sempre fica difícil se saber o que aquele carro poderia fazer nas mãos de um piloto mais experiente ou reconhecido, por pura falta de referência. De qualquer maneira, o título de melhor do resto, perto do que a McLaren vinha fazendo nas últimas temporadas (e até diante de algumas quebras e falhas durante 2019), é certamente um grande passo para a equipe.

O pódio do GP do Brasil, conquistado após largar na última posição é o primeiro do time desde o GP da Austrália de 2014, com Kevin Magnussen em segundo e Jenson Button, terceiro. Não é à toa que foi muito celebrado pela equipe ainda em Interlagos no domingo e depois na fábrica, em Woking.

O que o futuro reserva a Sainz?

Em 2020, Sainz começa a temporada com outro status. Já passa a ser visto como um piloto experiente na F1, com mais de 100 GPs no currículo e capaz de liderar a McLaren a bons resultados. Um de seus desafios será manter este patamar. Com o quarto lugar de construtores garantido em 19, menos do que isso no próximo campeonato não será recebido bem na equipe.

Carlos Sainz em seu trabalho com engenheiros da McLaren em 2019
Carlos Sainz em seu trabalho com engenheiros da McLaren em 2019 (Foto: McLaren)

Todos ficarão de olho também na evolução de Norris. A expectativa geral é que ele venha a se tornar o grande nome da equipe no futuro. Sainz vai precisar saber lidar com esta situação para se impor como um piloto importante, mesmo que seja para dar algum outro passo em 21, quando o mercado das equipes de ponta deve voltar a se movimentar.

De qualquer maneira, o 2019 para Sainz significa uma consolidação de uma carreira que já vinha sendo boa, mas que precisava de um trabalho mais decisivo. Agora que ele passou definitivamente por esta fase, falta saber se o espanhol finalmente terá condições de dar o próximo passo para entrar no patamar das estrelas da próxima geração da F1.


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Lucas Santochi

Mais um fanático da gangue que criou vínculo com automobilismo desde a infância. Acampou diversas vezes nas calçadas ao redor de Interlagos para assistir aos GPs e nunca esqueceu a primeira vez que, ainda do lado de fora do autódromo, ouviu o barulho de F1 acelerando pela reta. Jornalista formado em 2004, passou por redações na época da TV Band e Abril, teve experiência na área de assessoria de comunicação esportiva até chegar ao site especializado em esporte a motor Tazio, em 2010. Passou pelas funções de redator, repórter (cobrindo diversas corridas no Brasil e exterior de F1, Indy, WEC, Stock Car, entre outras) e subeditor até o final de 2013, quando o veículo encerrou suas atividades. Trabalhou ainda como redator do UOL Esporte em 2014 até que decidiu se juntar com os outros três membros do Projeto Motor para investir na iniciativa.