Por que Vettel não foi punido por queimar a largada do GP do Japão

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*Bruno Ferreira e Lucas Santochi

O GP do Japão do último domingo (13) teve algumas polêmicas envolvendo decisões de comissários. Entre elas, uma das que gerou mais comentários foi a não punição de Sebastian Vettel por supostamente ter queimado a largada na prova.

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A imagem é clara: Vettel se mexeu antes das luzes vermelhas se apagarem. E se formos ao regulamento esportivo da F1, a regra não deixa muita dúvida no artigo 36.13 sobre qual é o procedimento nestes casos:

 “Penalidades previstas nos artigos 38.3 c) ou d) serão impostas a qualquer piloto que for julgado por ter:

a) Se mexido antes do sinal de largada ser dado, esse julgamento será feito por um transponder aprovado e fornecido pela FIA instalado em cada carro, ou;

b) Posicionado seu carro no grid de largada de uma maneira em que o transponder não consiga detectar o movimento.”

Alguma dúvida? Então por que Vettel não foi punido por queimar a largada? Acontece que existem mais itens para este julgamento. A direção de prova emitiu após a corrida o seguinte comunicado para justificar sua decisão de não penalizar Vettel:

“Os comissários revisaram a evidência em vídeo e o alerta de queima de largada baseado na informação do transponder aprovado e fornecido pela FIA instalado em todos os carros.

Enquanto o vídeo mostra algum movimento, este movimento está dentro da tolerância aceitável do sistema de queima de largada que define formalmente a queima de largada do artigo 36.13 (a) do Regulamento Esportivo FIA da F1.”

Não é a primeira vez nos últimos anos em que o procedimento de largada é questionado. Em 2017, uma saída de Valtteri Bottas também levantou reclamações e perguntas. E a explicação foi praticamente a mesma do que aconteceu esta semana: tudo aconteceu dentro da margem de tolerância.

Você pode perguntar então: que raio de margem de tolerância é essa que não aparece no regulamento? Relendo o artigo sobre queima de largada que transcrevemos acima, você vai perceber que a FIA deixa claro que o julgamento é feito pelo transponder instalado no carro. E a tolerância que livrou Bottas e Vettel está definida pela FIA dentro do sistema do equipamento.

Por que existe a margem?

Esta tolerância existe, na visão da FIA, não só para dar uma chance aos pilotos, mas principalmente por conta de testes de embreagem segundos antes da largada. Quando o piloto está posicionado no grid, ele pode fazer um experimento rápido na configuração e isso pode causar um pequeno “salto” do carro.

Como nas últimas décadas a FIA deixou de usar fiscais humanos que interpretam o movimento e instalou mecanismos eletrônicos, ela introduziu a tolerância de alguns centímetros no sistema para que esta mexida não seja vista como queima.

E qual é a margem? A FIA não fala. E o motivo para isso é justamente para que pilotos e equipes não comecem a explorar esta tolerância. Ou seja, a entidade não quer estimular que essa tolerância comece a ser usada (e sabemos que equipes adoram explorar as brechas). Ela apenas comunica pilotos e equipes que ela existe.

O caso específico do Vettel

Você pode perceber nas imagens (assista ao vídeo no alto deste texto) que Vettel chegou a rolar o carro antes da luz apagar por poucos centímetros e freia. Quando para o movimento, ele ainda está dentro do colchete do grid. Aparentemente (dizemos isso porque ninguém conhece o tamanho da tal tolerância), esta pequena andada está dentro do aceitável.

Vettel no grid do GP do Japão de 2019

No final das contas, ele até perde um pouco de tempo por conta da segurada. Porém, importante dizer que se o movimento do carro fosse um pouco maior, mesmo que ele freasse e perdesse posições, ele seria punido do mesmo jeito.

Isso pode ser visto no caso do Kimi Raikkonen no GP da Rússia deste ano. Mesmo ele parando o carro, assim como fez o alemão da Ferrari, o piloto da Alfa acabou punido. Isso aconteceu porque, como você pode perceber nas imagens do vídeo, o finlandês se movimentou muito mais do que Vettel no procedimento.

Entenda melhor todo o caso no vídeo que publicamos com a análise do caso que está no alto deste texto ou diretamente no nosso canal no Youtube.


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