Projeto Motor Entrevista #4 – Jacques Villeneuve: “A F1 está fazendo tudo errado”

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Campeão mundial de F1 de 1997, Jacques Villeneuve conseguiu deixar sua marca no automobilismo de maneira bastante autêntica. Mais do que por seus feitos na pista (o canadense também é campeão da Indy e das 500 Milhas de Indianápolis), o filho de Gilles Villeneuve também não passa despercebido com suas opiniões. Concorde com ele ou não, seu ponto de vista é único e muitas vezes crítico com aquilo que julga estar errado nas corridas de hoje em dia.

Villeneuve foge do comportamento politicamente correto que domina a mentalidade do atuais competidores do automobilismo. Essa foi a tônica do papo do canadense com o Projeto Motor, no qual o piloto mostrou grande insatisfação com o atual momento da F1.

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“No momento, a F1 não é um bom produto. As corridas não são muito boas e os pilotos não são ‘gladiadores’. Toda vez que a F1 tenta melhorar o show, eles o fazem de forma artificial, falsa. O DRS, por exemplo. É como um videogame, não uma corrida de verdade. A F1 virou basicamente um jogo de tabuleiro – é cada vez menos um esporte e mais ‘Banco Imobiliário’. Eles estão errando em tudo. A F1 está perdendo a direção, os fãs, e, por isso, está investindo em regras artificiais. Ela deveria recomeçar do zero e voltar às suas raízes”, disparou Villeneuve, em bate-papo por telefone.

Villeneuve foi campeão da F1 após levar fechada polêmica de Schumacher
Villeneuve foi campeão da F1 após levar fechada polêmica de Schumacher

O canadense também se mostrou contrário às atuais unidades de potência híbridas da F1. “É tudo muito tecnológico, mas por razão nenhuma. Não se trata de uma boa solução. O pacote é superpesado, pode chegar a cerca de 100 kg, ou seja, quatro segundos mais lento por volta só por causa do peso. A F1 deve ser algo louco e extremo, com uma quantidade louca de potência que um carro elétrico não conseguiria atingir de qualquer forma”, sugeriu.

Atualmente, Villeneuve disputa a temporada da Fórmula E, pela equipe monegasca Venturi. A participação no campeonato por si só já é motivo de alegria. “Nos últimos anos, eu só vinha fazendo uma corrida aqui e outra ali, e era frustrante. Estou feliz em fazer uma temporada completa e poder desenvolver um trabalho com um engenheiro, progredir. Meu objetivo até o fim do ano é lutar por vitórias”, projetou.

LEIA TAMBÉM: De campeão mundial a nômade: a trajetória de Villeneuve 

Villeneuve também falou sobre a rivalidade com Michael Schumacher, a atual geração de “pilotos de videogame”, a despedida melancólica da F1 e seu legado no esporte. Confira os tópicos:

00:48: Primeiras sensações na Fórmula E
01:22: Aprendizado após anos como “nômade”
02:35: Impressões sobre o carro da Fórmula E
03:12: Metas para a temporada
03:41: Tecnologia híbrida é o caminho para a F1?
04:52: Os principais problemas da F1 na atualidade
07:32: Críticas aos “pilotos de videogame” da F1
08:28: Rivalidade com Schumacher
09:06: Sobre Alonso, Button e Massa
09:50: A despedida melancólica da F1
10:30: O legado nas pistas

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Bruno Ferreira

Sempre gostou de automobilismo e assiste às corridas desde que era criança. A paixão atingiu outro patamar quando viu – e ouviu – um carro de F1 ao vivo pela primeira vez. Depois disso, o gosto pelas corridas acabou se transformando em profissão. Iniciou sua trajetória como jornalista especializado em automobilismo em 2010, no mesmo ano em que se formou, quando publicou seu primeiro texto no site Tazio. De lá para cá, cobriu GPs de F1 no Brasil e no exterior, incluindo duas decisões de título (2011 e 2012), além de provas de categorias como Indy, WEC, WTCC e Stock Car.

  • Rocket_V8

    “O cara que fazia a Eau Rouge de pé embaixo…”

    Colhões de Vibranium desse cabra…

  • Junior Burgman

    Podem criticar o cara, mas ele é um vencedor e não está amarrado a essa fórmula ridícula da atual F1, eu não gosto do que se tornou a F1, muita tecnologia que só afastou as pessoas, tudo é artificial, caro e chato, não só eu penso assim e a pesquisa da Gpda demonstra isso, a F1 não está em um bom caminho e as perspectivas não são nada boas.

  • Bravo Rezende

    Fantástico poder ler no Projeto Motor as opiniões de um dos pilotos que mais fui intusiasta na F1. Sempre me lembrou demais o jeitão do Piquet o Villeneuve. Dentro da pista era faminto e jamais da turma do mais do mesmo. Sempre fala o que pensa chegando até a dizer certa vez que carro de f1 não deveria ter espelhos retrovisores pra não concordar com essa abertura de asa desonesta e covarde. O cara bateu o Schumacher, preciso dizer mais? Esse marcou.

    • De fato, Bravo. Muitos questionam a real habilidade do Villeneuve enquanto um campeão mundial, mas é preciso reconhecer que ele era um personagem e tanto para a F1. Ele não é
      um cara que “passa batido” – sempre tem quem goste e quem não goste do seu estilo.

      Ter um personagem forte é importante em um esporte que precisa se reinventar em popularidade. Acho que esse é um grande problema da F1 de hoje em dia, como citei
      nesse texto do ano passado: http://projetomotor.com.br/falta-de-carisma-dos-pilotos-ajuda-agravar-crise-de-imagem-da-f1/

      Valeu pelo comentário! Abraços

  • alySSa #5

    eu nunca fui muito com o Jacques, mas devo admitir que dessa vez ele tem razão. e se mudarem as regras para 2017 da forma como estão propondo, será ainda pior. um carro de F1 não pode ser tão dependente das asas para ter aderência, mas estão propondo uma asa dianteira ainda maior e tão complexa quanto a atual. os carros terão pneus mais largos, difusor mais amplo, asa traseira mais larga, mas mesmo assim os projetistas vão procurar extrair o máximo da asa dianteira, fazendo dela uma peça fundamental no projeto do carro e para modo como ele se comporta na pista.

    • Concordo com você. Saiu hoje uma notícia de que estão repensando na estrutura das regras de
      2017, mas aparentemente intenção de ampliar as asas será mantida: http://www.motorsport.com/f1/news/analysis-f1-teams-ready-to-abandon-planned-2017-downforce-gains-667404/

      Também vejo todas essas mudanças como prejudiciais à dinâmica das corridas, mas vamos ver o que acontece. Ainda há tempo para corrigirem essas coisas, mas a ânsia em tornarem os carros mais rápidos pode ofuscar a visão de todos…

      • alySSa #5

        esses motores são muito caros, as equipes precisam investir muito para dar uma sequência ideal de desenvolvimento para esses motores. foi um tiro no pé que a F1 deu e agora fica complicado voltar atrás.
        eu apostaria no efeito solo com difusores soprados e pneus traseiros mais largos. creio que isso quase acabaria com a dependência das asas dianteiras. mas existe muito preconceito quanto aos difusores soprados. se não fosse o preço exagerado desses motores, então, além doa pneus mais largos, poderiam voltar com a suspensão ativa.

  • Gustavo Segamarchi

    É o Projeto Motor começando o ano com o pé direito. Entrevista mais que recomendada.

    Assim como a entrevista com o Hélio Castroneves, essa foi outra entrevista ESPETACULAR.

    Quanto à F1, o Villeneuve só falou VERDADES. Os fãs querem ver corridas, querem ver os pilotos se enfrentarem como gladiadores.

    Esse fato de motores grandes que ele citou também é outra verdade. Na pesquisa(Participei) que a GPDA realizou, os fãs disseram que querem a volta de motores maiores, mas a F1 continua insistindo em motores menores.

    Outra declaração importante do Villeneuve, foi frisar o espaço entre F1 e F-E. Há espaço para as duas categorias e a parte elétrica tem que ser desenvolvida na F-E e não na F1, pois como citado, a F1 tem que ser extrema, divertida e atrair os fãs.

    Mais uma vez, meus parabéns pela BELA entrevista.

    • Fala, Gustavo!
      Obrigado pelos elogios.

      A entrevista com o Villeneuve foi relativamente curta, mas mesmo assim ele falou coisas
      interessantes. Há algumas coisas que discordo dele (como a opinião dele sobre os pilotos mais jovens), mas mesmo assim dá pra ver que, por trás da “rabugentice” habitual (rs), há bons argumentos.

      O que ele falou sobre as regras de pneus de 2016 foi muito acertado: de fato é um regulamento
      ridículo. Esse vídeo em inglês explica bem: https://www.youtube.com/watch?v=kgERH1gWF1s

      Valeu pelos elogios! Abraços!