Promessas brasileiras pós-Senna que não se concretizaram na F1 – Parte 1

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Desde o acidente fatal de Ayrton Senna, em 1994, vários nomes surgiram como potenciais novos grandes pilotos brasileiros, mas a verdade é que Rubens Barrichello e Felipe Massa foram os únicos que alcançaram algum sucesso, com 11 vitórias cada.

O Projeto Motor resolveu relembrar em uma série de textos as promessas do país que fizeram um bom papel em categorias de base e que até tenham chegado à F1 nos últimos 20 anos, mas que, por algum motivo, não conseguiram se firmar.

Vamos para os dois primeiros:

RICARDO ROSSET

O paulista apareceu bem na Inglaterra fazendo duas temporadas regulares na F3, sendo que na segunda, em 1994, terminou em quinto, pela equipe AJS, vencendo uma prova. Naquele ano, Jan Magnussen foi campeão e Dario Franchitti ficou em quarto. Marc Gené, Giancarlo Fisichella e o futuro dirigente Christian Horner também andaram e ficaram atrás na classificação geral.

Ricardo Rosset, pela Footwork, no GP do Japão de 96
Ricardo Rosset, pela Footwork, no GP do Japão de 96

O que fez de Rosset um nome a ser observado, no entanto, foi seu desempenho na F3000 de 95, na época a principal categoria de acesso da F1, em que ele terminou com o vice-campeonato, com duas vitórias e três pódios. Ele foi superado pelo companheiro de Super Nova Racing, Vincenzo Sospiri, que já fazia sua quarta temporada no certame.

Assim, o brasileiro logo conseguiu o apoio necessário de patrocinadores e a vaga na equipe Footwork para a temporada de 1996 da F1. Mas as coisas não saíram como esperado. Rosset foi superado pelo companheiro Jos Verstappen em todas as classificações e teve como melhores resultados dois nonos lugares.

Em 1997, Rosset entrou em uma das maiores barcas furadas da história ao fechar com a Lola. O time não conseguiu se classificar para a primeira prova, na Austrália, andando 11 segundos mais lento que o pole e cinco do que o concorrente mais próximo na classificação, e acabou abandonando a temporada antes da segunda etapa.

Ricardo Rosset, correndo pela Tyrrel em 1998
Ricardo Rosset, correndo pela Tyrrell em 1998

A chance derradeira do paulista apareceu em 1998 na Tyrrell. Ele foi escolhido por Craig Pollock, que tinha acabado de comprar a equipe, e bateu Verstappen nas negociações pela vaga por ter melhores patrocinadores. Os resultados, porém, mais uma vez não vieram, com Rosset sendo constantemente superado pelo companheiro Toranosuke Takagi e se tornando alvo de críticas e piadas no paddock, o que colocou um ponto final em sua carreira na F1.

O piloto voltou ao Brasil e corre desde então na Porsche Cup, com títulos da categoria de 2010 e 2013.

RICARDO ZONTA

Campeão da F3 Sul-Americana de 1995, campeão da F3000 de 1997, piloto de testes da McLaren e campeão do FIA GT pela Mercedes em 1998. Como não apostar em um piloto que tinha um currículo desses ao chegar à F1?

Ricardo Zonta, pela BAR, em 1999 (Divulgação)
Ricardo Zonta, pela BAR, em 1999 (Divulgação)

Zonta foi contratado pela nova equipe BAR, que chegava fazendo barulho com o investimento da British American Tobacco, para a temporada de 1999, como companheiro do campeão de 97, Jacques Villeneuve. Com o principal nome do país na F1 na época, Rubens Barrichello, correndo também na mediana Stewart, ele rapidamente se transformou em uma grande esperança.

Só que as coisas começaram mal para o curitibano. Na sua segunda corrida, em Interlagos, ele sofreu um forte acidente que o tirou das três etapas seguintes. Na volta, enfrentou diversos problemas mecânicos, além de mais uma batida em Spa. Zonta terminou o ano com um oitavo lugar em Nurburgring como melhor resultado no ano, mas nada pior que do que o parceiro canadense, que também não conseguiu concretizar as expectativas colocadas na equipe.

O brasileiro continuou na BAR em 2000, que agora tinha a Honda como parceira oficial e mais uma vez prometendo balançar o grid. Na corrida de abertura da temporada, ele conseguiu um sexto lugar, marcando seu primeiro ponto do Mundial. O feito se repetiria novamente apenas na 14ª e 15ª etapas e ele terminou o campeonato com três pontos contra 17 de Villeneuve.

Diante da falta de resultados e seu mal relacionamento com a equipe, Zonta acabou deixando a equipe e assinando para ser terceiro piloto da Jordan em 2001. Teve a chance de substituir Heinz-Harald Frentzen por duas vezes, conseguindo um sétimo lugar. Mas isso não foi o bastante para conseguir uma nova vaga na categoria.

Ricardo Zonta, com a Toyota, em Montreal.
Ricardo Zonta, com a Toyota, em Montreal.

Em 2002, Zonta foi correr na Nissan World Series (um embrião da atual Renault World Series), e conquistou o título. Ele voltou no ano seguinte à F1 como piloto de testes da Toyota, onde ficou até 2006. Durante este tempo, correu cinco provas em 2004 depois que Cristiano da Matta foi demitido. Não marcou pontos, mas teve um desempenho de destaque no GP da Bégica, em que andava em quarto quando abandonou com problemas. Em 2005, substituiu o machucado Ralf Schumacher na classificação dos EUA, mas não correu, já que as equipes que usavam pneus Michelin não participaram da corrida.

Zonta ainda teve mais uma temporada como piloto de testes da Renault em 2007, ano que também marcou sua volta ao automobilismo brasileiro na Stock Car. Desde então, além do campeonato nacional, ainda participou de categorias como Grand-Am e FIA GT, mas sem títulos importantes.

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Lucas Santochi

Mais um fanático da gangue que criou vínculo com automobilismo desde a infância. Acampou diversas vezes nas calçadas ao redor de Interlagos para assistir aos GPs e nunca esqueceu a primeira vez que, ainda do lado de fora do autódromo, ouviu o barulho de F1 acelerando pela reta. Jornalista formado em 2004, passou por redações na época da TV Band e Abril, teve experiência na área de assessoria de comunicação esportiva até chegar ao site especializado em esporte a motor Tazio, em 2010. Passou pelas funções de redator, repórter (cobrindo diversas corridas no Brasil e exterior de F1, Indy, WEC, Stock Car, entre outras) e subeditor até o final de 2013, quando o veículo encerrou suas atividades. Trabalhou ainda como redator do UOL Esporte em 2014 até que decidiu se juntar com os outros três membros do Projeto Motor para investir na iniciativa.