Promessas brasileiras pós-Senna que não se concretizaram na F1 – Parte 2

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Depois de destacarmos as carreiras dos Ricardos Rosset e Zonta, nossa série sobre pilotos brasileiros que prometiam, mas não corresponderam às expectativas na F1, fala de mais dois nomes que conseguiram alguns feitos importantes nas categorias de base.

Vamos lá:

BRUNO JUNQUEIRA

O mineiro parecia que tinha tudo para se tornar uma estrela brasileira na F1, mas sequer conseguiu entrar na categoria, apesar de passar perto de assinar com uma equipe bastante tradicional.

Bruno Junqueira, na F3000, pela equipe Petrobrás
Bruno Junqueira, na F3000, pela equipe Petrobrás

Campeão da F3 Sul-Americana de 1997, Junqueira foi para a Europa no ano seguinte e fez um ano apagado na estreia na F3000, pela Draco. As coisas mudaram em 98, no entanto, quando entrou na equipe que era bancada pela Petrobrás e conquistou uma vitória, terminando o campeonato em quinto.

Como a fornecedora brasileira de combustível patrocinava a Williams, ele passou a ser cotado para uma vaga no tradicional time da F1, mas acabou sendo preterido por Jenson Button, que ficou com a vaga para 2000.

Ele seguiu como piloto de testes da equipe inglesa, correndo paralelamente na F3000. Desta vez, levou o título, em um ano em que também correram Mark Webber (3º) e Fernando Alonso (4º).

Só que nem isso foi o bastante para convencer Frank Williams de que Junqueira estava pronto para ser titular em sua equipe. Em entrevista ao site Tazio em 2011, ele disse que chegou a receber uma promessa da vaga.

“Quando fui piloto de testes da Williams, em 2000, o Frank me falou: ‘Ganha o campeonato de F3000 que te coloco como piloto no próximo ano’. Eu ganhei o campeonato e ele falou que não dava e disse: ‘Te ofereço mais um ano como piloto de testes’.

Junqueira e Button brigaram pela vaga na Williams em 2000
Junqueira e Button brigaram pela vaga na Williams em 2000

O mineiro acabou escolhendo seguir para os Estados Unidos, que na época ainda tinha a ChampCar e a IRL brigando pelo espólio da Indy. Segundo o piloto, as possibilidades de mercado não o agradaram para continuar correndo atrás do sonho da F1, porque ele ficaria parado por uma temporada.

“Eu tive na época a chance de assinar um contrato de cinco anos com a Red Bull, que à época não tinha equipe, tive uma conversa com a Toyota para ser piloto de testes e depois correr como piloto oficial dois anos depois. Conversei com a Arrows e a Prost, mas ambas estavam bem em baixa. O problema é que, quando você fica apenas como piloto de testes, é uma faca de dois gumes: seu nome para de sair na mídia.”

Assim, o promissor brasileiro acabou tomando outros rumos. Ele conquistou oito vitórias na ChampCar, entre 2001 e 2008, em um momento que a categoria perdeu espaço para a IRL. Correu sete edições das 500 Milhas de Indianápolis e 21 provas da Indy. Hoje, aos 38 anos, compete na USCC, principal série de endurance dos EUA.

ENRIQUE BERNOLDI

Bernoldi pode não ter sido um grande campeão nas categorias de base, mas mostrava velocidade e consistência que chamavam a atenção. O brasileiro foi o primeiro piloto a chegar à F1 através do Programa de desenvolvimento da Red Bull, que na época, entre final dos anos 90 e começo dos 2000, ainda não tinha uma equipe na categoria.

Bernoldi é apresentado pela Arrows para temporada 2001
Bernoldi é apresentado pela Arrows para temporada 2001

Ao final de sua carreira no kart, o curitibano seguiu direto para a Europa, onde fez suas primeiras corridas em monopostos nos campeonatos francês e europeu de F-Renault 2.0, em 1995. Logo em sua segunda temporada, conquistou o título continental.

Em 97, ficou em quinto lugar na F3 Inglesa, além de ser terceiro no tradicional GP Internacional de Macau. No ano seguinte, foi vice-campeão da competição inglesa, com seis vitórias, em uma temporada dominada por brasileiros, com Mario Haberfeld levando o título e Luciano Burti terminando em terceiro.

Um novo terceiro lugar em Macau e um segundo no Masters de F3 fizeram Bernoldi fechar 98 em alta, o que lhe rendeu um lugar na equipe Red Bull de F3000 em 99, além de testes na equipe Sauber de F1, que era patrocinada pela fabricante de energéticos.

Suas duas temporadas na F3000, porém, não foram de bons resultados, e o brasileiro teve como ponto alto uma pole position na etapa de Barcelona, em 2000.

Mesmo assim, com um bom apoio financeiro e político da Red Bull, ele conseguiu uma vaga na F1 para 2001 na equipe Arrows, após ser sondado por Prost, Minardi e pela própria Sauber.

Bernoldi teve a garantia de um contrato de dois anos, mas não conseguiu bons resultados pelo time, que entrava em forte decadência, e passou pela categoria sem pontos. Ele até teve alguns bons desempenhos, mas seu momento mais lembrando na categoria são as 34 voltas em que segurou David Coulthard, da McLaren, no GP de Mônaco de 2001.

Bernoldi, de Arrows, segura Coulthard e sua McLaren
Bernoldi, de Arrows, segura Coulthard e sua McLaren

Sua carreira na F1 praticamente acabou quando a Arrows se retirou, ainda durante a temporada de 2002, diante de sérios problemas financeiros. Ele ainda foi piloto de testes da BAR em 2004 e 05, mas nunca mais teve outra chance como titular. Desde então, correu de Nissan World Series (embrião da atual Renault World Series), Indy, WEC, FIA GT, Stock Car, entre outras, sem resultados de destaque. Atualmente com 36 anos, compete em um campeonato de Lamborghini nos Estados Unidos.

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Lucas Santochi

Mais um fanático da gangue que criou vínculo com automobilismo desde a infância. Acampou diversas vezes nas calçadas ao redor de Interlagos para assistir aos GPs e nunca esqueceu a primeira vez que, ainda do lado de fora do autódromo, ouviu o barulho de F1 acelerando pela reta. Jornalista formado em 2004, passou por redações na época da TV Band e Abril, teve experiência na área de assessoria de comunicação esportiva até chegar ao site especializado em esporte a motor Tazio, em 2010. Passou pelas funções de redator, repórter (cobrindo diversas corridas no Brasil e exterior de F1, Indy, WEC, Stock Car, entre outras) e subeditor até o final de 2013, quando o veículo encerrou suas atividades. Trabalhou ainda como redator do UOL Esporte em 2014 até que decidiu se juntar com os outros três membros do Projeto Motor para investir na iniciativa.