Promessas brasileiras pós-Senna que não se concretizaram na F1 – Parte 3

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Nesta terceira parte de nossa série, um piloto que não conseguiu sua chance na F1, mas que seguiu com sucesso outros rumos do automobilismo internacional, e outro que brilhou intensamente nas categorias de base, e que talvez não tenha recebido a sequência necessária para se desenvolver melhor na categoria máxima.

E não esqueça de ver as duas primeiras partes de nossa série sobre promessas brasileiras que não responderam às expectativas na F1:
Parte 1 – Ricardo Rosset e Ricardo Zonta
Parte 2 – Bruno Junqueira e Enrique Bernoldi

Seguimos:

AUGUSTO FARFUS

O paranaense hoje é uma referência brasileira no automobilismo internacional, com uma carreira bastante consistente no turismo. Mas ele chegou também a ser uma esperança de piloto que poderia vir a explodir na F1.

Farfus começou muito cedo, aos seis anos, mas nas duas rodas, em provas de mini-motos, em pistas de terra batida, em Curitiba. Aos 9, ele passou a competir no kart, onde se destacou com títulos em São Paulo e no Paraná, o que lhe rendeu um convite para correr em certames europeus da modalidade.

Augusto Farfus, pela equipe Draco na F3000 Europeia
Augusto Farfus, pela equipe Draco na F3000 Europeia

Assim, aos 16 anos, ele já pôde também iniciar sua trajetória no automobilismo no Velho Continente. Logo em sua segunda temporada, em 2001, conquistou o título europeu da Fórmula Renault 2.0. O salto então foi para a F3000 europeia, onde também se sagrou campeão, em 2003.

Sem conseguir novas oportunidades em campeonatos de fórmula, o curitibano abraçou um novo desafio a partir de 2004: o turismo. Sua primeira experiência foi pela equipe Squadra Corse, de Alfa Romeo, no Europeu. Com 7 pódios e o sexto lugar no campeonato, foi alçado para a equipe oficial da montadora italiana no recém-criado Mundial, o WTCC.

E logo na primeira temporada, ele conquistou sua primeira vitória na categoria e terminou em quarto na classificação geral. Em 2006, foram mais três triunfos e o terceiro lugar na pontuação, chamando a atenção de outras montadoras, que investiam cada vez mais forte no WTCC.

Augusto Farfus, com sua BMW no DTM
Augusto Farfus, com sua BMW no DTM

Em 2007, Farfus se tornou piloto oficial da BMW, parceria que lhe rendeu diversas vitórias no WTCC, provas de endurance e no DTM, onde compete hoje, aos 31 anos, ainda pela montadora alemã.

Não é segredo, porém, que os bons resultados no turismo sempre deixaram uma esperança de uma chance na equipe que a BMW mantinha na F1 na época. Farfus checou a testar o carro entre 2007 e 2008, mas a montadora alemã acabou desistindo da categoria ao final de 2009, escolhendo concentrar seu trabalho no DTM.

Apesar de não ter realizado o sonho da F1, Farfus aparentemente não se arrepende do caminho que trilhou para sua carreira. Em entrevista ao site Tazio, em 2012, ele disse que não trocaria sua posição na BMW para competir em uma equipe média no campeonato de monopostos, e que tem orgulho de sua trajetória.

“Vim para a Europa querendo ser um piloto de F1. Mas isso nem sempre é possível. Hoje em dia, só o talento não te leva à F1. Você precisa ter os contatos, os patrocinadores, estar no lugar certo, na hora certa e com as pessoas certas. Hoje, se eu olhar para trás e olhar que cheguei onde estou com meus próprios méritos, não porque eu levei um patrocinador ou porque tinha os contatos, mas porque eu realmente suei a camisa… Por isso que eu digo que não trocaria a posição que tenho hoje para simplesmente correr na F1 e dizer que sou um piloto de F1.”

Claro que ele também será para sempre lembrado pelo vídeo que fez pilotando em Nurburgring ao lado da esposa. Certo, Ninho?

ANTÔNIO PIZZONIA

Com um currículo de respeito no kart, Pizzonia partiu para a Europa com 16 anos para iniciar sua carreira no automobilismo inglês. Logo em suas duas primeiras temporadas, levou a Fórmula Vauxhall Júnior e o Festival de Inverno da Fórmula Renault Britânica.

Antônio Pizzonia, em apresentação da equipe Petrobrás da F3000
Antônio Pizzonia, em apresentação da equipe Petrobrás da F3000

Em 1999, mais um bom ano em categorias de base, com o título da Fórmula Renault Inglesa 2.0 e o vice do europeu da categoria, ambos pela equipe Manor (a mesma que compete na F1 atualmente). O time resolveu promovê-lo em 2000 à F3 Inglesa, onde ele se sagrou campeão logo em sua primeira temporada, ficando marcado pelo apelido de “Jungle Boy”.

O bom desempenho em tantas categorias em sequência lhe renderam naquele ano os seus primeiros testes na F1, pela equipe Benetton.

Pizzonia fez novos testes pela Williams e Arrows e partiu para a F3000 para competir pela equipe que era patrocinada pela Petrobrás. Nos dois anos na categoria de acesso, porém, os resultados não foram bons, com um sexto lugar em 2001 como o seu melhor.

Mesmo assim, em 2002, paralelamente à F3000, ele fez uma temporada como piloto de testes da Williams, deixando uma boa impressão. Assim, ele ganhou a chance para correr na F1 em 2003 pela equipe Jaguar.

Só que as coisas na equipe da montadora inglesa não foram nada bem. Além da falta de resultados, o manauara ainda bateu forte um S-Type R de rua com um jornalista dentro quando fazia uma volta de teste drive no circuito de Barcelona. Sem pontos no campeonato enquanto seu companheiro, Mark Webber, conseguia alguns brilharecos, Pizzonia acabou dispensado após a 11ª etapa.

Antônio Pizzonia, na Jaguar em 2003
Antônio Pizzonia, na Jaguar em 2003

O amazonense voltou a ser piloto de testes da Williams e teve a chance de pilotar por nove corridas entre 2004 e 2005. Ele chegou a fazer algumas boas provas, com destaque para Spa-2004, em que quebrou quando estava em terceiro.

Sem contrato para 2006, ele passou a explorar outras oportunidades como ChampCar, Grand-Am, WEC e categorias menores de fórmula como AutoGP e Superleague. Atualmente, aos 34 anos, está na Stock Car.

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Lucas Santochi

Mais um fanático da gangue que criou vínculo com automobilismo desde a infância. Acampou diversas vezes nas calçadas ao redor de Interlagos para assistir aos GPs e nunca esqueceu a primeira vez que, ainda do lado de fora do autódromo, ouviu o barulho de F1 acelerando pela reta. Jornalista formado em 2004, passou por redações na época da TV Band e Abril, teve experiência na área de assessoria de comunicação esportiva até chegar ao site especializado em esporte a motor Tazio, em 2010. Passou pelas funções de redator, repórter (cobrindo diversas corridas no Brasil e exterior de F1, Indy, WEC, Stock Car, entre outras) e subeditor até o final de 2013, quando o veículo encerrou suas atividades. Trabalhou ainda como redator do UOL Esporte em 2014 até que decidiu se juntar com os outros três membros do Projeto Motor para investir na iniciativa.