Promessas brasileiras pós-Senna que não se concretizaram na F1 – Parte 5

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Nesta quinta parte de nossa série, vamos destacar a trajetória de Bruno Senna até a F1 e a de Sergio Jimenez, um dos grandes talentos que o kart brasileiro produziu, mas que não conseguiu o apoio necessário para chegar à F1.

E não se esqueça de conferir as outras partes já publicadas da série:
Parte 1 – Ricardo Rosset e Ricardo Zonta
Parte 2 – Bruno Junqueira e Enrique Bernoldi
Parte 3 – Augusto Farfus e Antônio Pizzonia

Parte 4 – Nelsinho Piquet e Lucas di Grassi

BRUNO SENNA

Sobrinho do tricampeão Ayrton Senna, Bruno tinha uma óbvia influência em casa e logo mostrou seu gosto pelas corridas. Começou a andar de kart ainda aos cinco anos de idade. Só que a tragédia do tio em 1994, seguida pela morte de seu pai em um acidente de moto em 1996, fez com que a família desestimulasse de correr.

O paulista passou toda sua adolescência longe das competições, enquanto que os pilotos de sua geração corriam no kart. Aos 20, porém, o desejo de reassumir o sonho de uma carreira reacendeu. A mãe do piloto resolveu deixa-lo seguir o caminho e procurou o ex-companheiro de Senna na McLaren, Gerhard Berger, para ser uma espécie de conselheiro.

A estreia nas pistas aconteceu em 2004, na Fórmula BMW Inglesa. O brasileiro participou de seis provas e conseguiu um sexto lugar como melhor resultado. No ano seguinte, ele partiu para a F3, conquistando três pódios e uma pole position.

Bruno Senna, na GP2 pela iSport, em 2008
Bruno Senna, na GP2 pela iSport, em 2008

Em sua segunda temporada, em 2006, Senna terminou o campeonato inglês na terceira posição, com cinco vitórias e nove pódios. A evolução começou a abrir portas, já que público e patrocinadores começaram a mostrar interesse em sua trajetória.

O próximo passo foi na GP2, onde conseguiu uma vitória, três pódios e o oitavo lugar geral na estreia. Em 2008, lutou pelo título com o italiano Giorgio Pantano até a última etapa, mas acabou ficando com o vice.

Em novembro, ele fez seu primeiro teste com um F1 pela equipe Honda, em Barcelona. Entrou em negociação pela vaga de titular, mas a montadora decidiu ao final do ano, repentinamente, fechar a sua operação na categoria. O espólio da escuderia se tornaria a Brawn GP, que apostou nos veteranos Jenson Button e Rubens Barrichello.

Sem vaga na F1 ou na GP2, Senna se dedicou em 2009 à Le Mans Series, categoria que seria o embrião do WEC, competindo pela Oreca na classe LMP1 fechando o ano com dois pódios.

Bruno Senna, pela HRT, em 2010
Bruno Senna, pela HRT, em 2010

Em 2010, o paulista fechou seu primeiro contrato para correr na F1, com a equipe espanhola Campos, do ex-piloto Adrián Campos. O time praticamente faliu antes mesmo da estreia, e foi salvo semanas antes da primeira prova pelo empresário José Ramón Carabante, que a rebatizou de Hispania.

Sem fazer sequer um quilômetro em testes, Senna largou na abertura do Mundial, no Bahrein, sem ter ideia do que o chassi desenvolvido pela Dallara e seu motor Cosworth poderiam fazer. E durante o ano, isso ficou claro: nada. A Hispania se arrastou durante todo o ano e Senna ainda teve problemas com seu chefe, Colin Kolles.

Para 2011, Senna conseguiu uma vaga como piloto de testes da Lotus Renault. Com o acidente de Robert Kubica em um rali ainda na época da pré-temporada, o brasileiro foi cotado para substituí-lo, mas o time preferiu apostar no experiente Nick Heidfeld.

O alemão, porém, teve um desempenho apenas regular, e com os patrocinadores de Senna abertos a fazer um bom investimento, o time o promoveu a titular a partir do GP da Bélgica, 12ª etapa. Senna marcou seus primeiros pontos na F1 com um nono lugar em Monza, mas não passou disso.

Bruno Senna, piloto da Williams em 2012
Bruno Senna, piloto da Williams em 2012

Sem chances na Lotus para 2012, ele usou mais uma vez de seu apoio financeiro para entrar na Williams. Senna mostrou consistência ao marcar 31 pontos, mas acabou superado pelo companheiro Pastor Maldonado, que venceu uma corrida e ficou 45.

A Williams resolveu manter o venezuelano para 2013 e apostar no jovem Valtteri Bottas, que andou diversas vezes no lugar de Senna nos treinos de sexta-feira.

Fora da F1, ele voltou ao endurance, competindo por dois anos pela equipe oficial da Aston Martin no WEC. Para 2015, Senna competiu na Fórmula E, além de ter se tornado piloto oficial da McLaren no programa GT da marca na Blancpain.

SERGIO JIMENEZ

Um dos grandes kartistas brasileiros do final da década de 90, a carreira de Jimenez no automobilismo começou em 2002 na Fórmula Renault Brasil. E não poderia ter sido de uma forma melhor.

Sérgio Jimenez conquistou o título da F-Renault em 2002 (Divulgação)
Sérgio Jimenez conquistou o título da F-Renault em 2002

Em uma disputa ponto a ponto contra Lucas di Grassi e Allam Khodair, ele se sagrou campeão na última prova, sem vencer nenhuma corrida em todo o campeonato, em uma virada incrível, após entrar na etapa final em terceiro na classificação.

O título lhe valeu um ano na Fórmula Renault Inglesa, na Manor, onde foi companheiro de Lewis Hamilton. Mas as coisas não foram muito bem por lá. Problemas de relacionamento com a equipe desgastaram o paulista, que acabou deixando o time antes mesmo do fim do campeonato.

A opção foi retornar ao Brasil e se dedicar novamente ao kart. Em 2006, ele conseguiu uma vaga para correr na F3 Espanhola após vencer uma seletiva em Jerez de la Frontera. Jimenez mostrou um bom desempenho, o que lhe rendeu uma chance na equipe Racing Engineering da GP2 para 2007.

Sem dinheiro para financiar toda a temporada, o piloto participou de apenas cinco provas, tendo um quinto lugar em Barcelona como melhor resultado.

Sergio Jimenez competiu na A1GP na temporada 2007-08 (Divulgação)
Sergio Jimenez competiu na A1GP na temporada 2007-08 (Divulgação)

Ainda em 2007, ele foi chamado para correr na equipe Brasil da A1GP, categoria que tinha calendário entre o segundo semestre de um ano e o primeiro de outro. Assim, ele se manteve competindo até a metade de 2008.

Jimenez voltou ao Brasil, mais uma vez com foco de se dedicar ao kart, até que começaram a surgir as primeiras chances no turismo. Assim, ele entrou na Stock Car no Brasil, onde se estabilizou, além de fazer algumas provas no FIA GT. Hoje, além do certame brasileiro, também compete na Blancpain Sprint, na equipe BMW Brasil, ao lado de Cacá Bueno.

Além disso, em 2010, foi um dos fundadores do Super Kart Brasil (SKB), novo campeonato que tenta promover novas práticas de regulamento e organização para estimular o kartismo no país.

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Lucas Santochi

Mais um fanático da gangue que criou vínculo com automobilismo desde a infância. Acampou diversas vezes nas calçadas ao redor de Interlagos para assistir aos GPs e nunca esqueceu a primeira vez que, ainda do lado de fora do autódromo, ouviu o barulho de F1 acelerando pela reta. Jornalista formado em 2004, passou por redações na época da TV Band e Abril, teve experiência na área de assessoria de comunicação esportiva até chegar ao site especializado em esporte a motor Tazio, em 2010. Passou pelas funções de redator, repórter (cobrindo diversas corridas no Brasil e exterior de F1, Indy, WEC, Stock Car, entre outras) e subeditor até o final de 2013, quando o veículo encerrou suas atividades. Trabalhou ainda como redator do UOL Esporte em 2014 até que decidiu se juntar com os outros três membros do Projeto Motor para investir na iniciativa.