Promessas brasileiras pós-Senna que não se concretizaram na F1 – Parte 6

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No texto desta quinta-feira da série sobre os talentos brasileiros dos últimos 20 anos que não conseguiram cumprir as expectativas na F1, vamos destacar dois pilotos que fizeram sucesso na F3, testaram por equipes tradicionais do Mundial, mas não conseguiram entrar na categoria.

E não se esqueça de conferir os textos já publicados da série:
Parte 1 – Ricardo Rosset e Ricardo Zonta
Parte 2 – Bruno Junqueira e Enrique Bernoldi
Parte 3 – Augusto Farfus e Antônio Pizzonia

Parte 4 – Nelsinho Piquet e Lucas di Grassi
Parte 5 – Bruno Senna e Sérgio Jimenez

JOÃO PAULO DE OLIVEIRA

Ao contrário do que acontece com a maioria dos pilotos que chegam longe na carreira, João Paulo de Oliveira teve uma passagem rápida pelo kart, de apenas um ano e logo subiu para competir na Fórmula Chevrolet brasileira, em 1998.

João Paulo de Oliveira, em sua temporada vitoriosa na F-Nippon, em 2010
João Paulo de Oliveira, em sua temporada vitoriosa na F-Nippon, em 2010

Na temporada seguinte, competiu na F3 Sul-Americana, se sagrando campeão da categoria Light. Em 2000, foi vice-campeão da divisão principal do certame, o que o credenciou para partir para a carreira europeia.

Ele competiu por três temporadas na F3 Alemã de forma regular, vencendo o título em 2003. Paralelamente, chegou a participar de algumas provas da F3 Inglesa, além do Masters e do GP de Macau da série, mas sem destaque.

Sem espaço para crescer na Europa, Oliveira partiu para uma carreira no Japão, onde ficou com o vice-campeonato na F3 em 2004, e levou o título em 2005, batendo o futuro F1 Kazuki Nakajima. Neste mesmo ano, fez uma boa apresentação no tradicional GP de Macau, terminando em quarto, atrás de Lucas di Grassi, Robert Kubica e Sebastian Vettel, primeiro a terceiro, respectivamente.

João Paulo de Oliveira, na Super GT japonesa
João Paulo de Oliveira, na Super GT japonesa

O bom desempenho, mesmo longe dos holofotes dos campeonatos europeus, lhe rendeu um teste pela equipe Williams de F1 no começo de 2006, além de ser promovido no Japão para a Fórmula Nippon, principal do país, e o conceituado Super GT.

Nestas categorias, onde permanece até hoje, Oliveira construiu uma carreira bastante sólida, conquistando, inclusive, o título da Fórmula Nippon em 2010. Além disso, chegou a participar pontualmente de duas provas do WTCC e uma da Indy, mas não conseguiu retornar ao radar da F1.

MARIO HABERFELD

Mário Haberfeld saiu do kart, após ser campeão paulista, em 1993, e começou sua carreira no automobilismo em 1994 ao participar da Fórmula Ford Brasil e da Inglesa.
Na temporada seguinte, com foco na Europa, levou o título da Fórmula Ford Inglesa, começando a chamar a atenção do meio. Em 96, ele foi contratado pela equipe Manor para participar da Fórmula Renault Europeia, terminando na quinta colocação no campeonato vencido pelo conterrâneo Enrique Bernoldi.

Em 1997, Haberfeld estreou na F3 Inglesa, na época, ainda o campeonato de base mais importante da Europa, e ficou na quinta colocação na geral, logo atrás de Bernoldi e Mark Webber.

Mário Haberfeld, campeão da F3 Inglesa de 1998 pela equipe Paul Stewart
Mário Haberfeld, campeão da F3 Inglesa de 1998 pela equipe Paul Stewart

Na temporada de 98, no entanto, ele voltou a brilhar. Agora correndo pela equipe Paul Stewart, do filho do escocês tricampeão, ele se sagrou campeão do tradicional certame, em um campeonato dominado por brasileiros, com Bernoldi ficando com o vice e Luciano Burti com o terceiro. A equipe lhe deu a oportunidade de fazer um teste no seu time de F1, onde na época corrida Rubens Barrichello.

O título na F3 deu uma boa notoriedade para o brasileiro, que entrou para o programa de formação de pilotos da McLaren para o ano seguinte. A equipe da F1 ainda financiou sua estreia na F3000, principal categoria de acesso ao Mundial na época, em sua equipe júnior. Dentro do pacote, ele ainda ganhou a possibilidade de testar por três dias, em Magny-Cours, o carro de F1 do time inglês.

Só que dentro da pista, as coisas não foram tão bem. A temporada na F3000 em 99 foi terrível. Ele não conseguiu se classificar em cinco provas, abandonou em três, e teve um 14º lugar como melhor resultado, enquanto seu companheiro de equipe, Nick Heidfeld, levou o título. Ao fim do ano, acabou perdendo o lugar no programa da McLaren.

Teste de Mário Haberfeld pela equipe McLaren de F1, em 1999
Teste de Mário Haberfeld pela equipe McLaren de F1, em 1999

Ele ainda correu por mais três anos na F3000 – conseguindo durante este período mais um teste na F1, em 2001, pela Jordan – tendo algum brilho apenas em 2002, com dois pódios. Mas não foi o bastante para voltar a ter força no mercado de pilotos para a F1.

Assim, Haberfeld seguiu para uma carreira nos EUA, para correr na ChampCar e depois na Grand-Am, categoria de endurance do país. Ele voltou à Europa em 2007 para participar da Le Mans Series, categoria que foi o embrião do atual Mundial de Endurance (WEC), na classe LMP2.

Sem resultados de destaque e um horizonte no automobilismo, Harberfeld resolveu encerrar sua carreira ao final de 2008, aos 32 anos. Ele passou a trabalhar como executivo nos EUA, onde mora, e hoje ainda atua como coordenador do Projeto Onçafari, que estimula o ecoturismo no Pantanal Sul-Matogrossense de forma sustentável e trabalha pela preservação da onça pintada na região.

 Comunicar Erro

Lucas Santochi

Mais um fanático da gangue que criou vínculo com automobilismo desde a infância. Acampou diversas vezes nas calçadas ao redor de Interlagos para assistir aos GPs e nunca esqueceu a primeira vez que, ainda do lado de fora do autódromo, ouviu o barulho de F1 acelerando pela reta. Jornalista formado em 2004, passou por redações na época da TV Band e Abril, teve experiência na área de assessoria de comunicação esportiva até chegar ao site especializado em esporte a motor Tazio, em 2010. Passou pelas funções de redator, repórter (cobrindo diversas corridas no Brasil e exterior de F1, Indy, WEC, Stock Car, entre outras) e subeditor até o final de 2013, quando o veículo encerrou suas atividades. Trabalhou ainda como redator do UOL Esporte em 2014 até que decidiu se juntar com os outros três membros do Projeto Motor para investir na iniciativa.