Promessas que confirmaram ou decepcionaram em equipes grandes da F1

9

Entre os vários atrativos da temporada 2019 da F1, a chegada de dois jovens a equipes de ponta é um dos destaques e possivelmente renderá durante o ano histórias interessantes para serem acompanhadas. Afinal, todo mundo está de olho no que Charles Leclerc e Pierre Gasly conseguirão fazer em Ferrari e Red Bull, respectivamente.

Fique ligado em nossas redes sociais: 
Twitter – @projetomotor
Facebook – Projeto Motor
Youtube – Projeto Motor
Instagram – @projetomotor

Já aconteceram muitos casos na F1 de promessas que alcançaram rápido como estes dois lugares em times grandes. E a história mostra que existem casos positivos, de pilotos que logo se destacaram, como Lewis Hamilton e Sebastian Vettel, que se tornaram vencedores de corridas e campeões por McLaren e Red Bull, respectivamente, mas também de negativos, e que nunca cumpriram o que se esperava deles.

Entre diversos exemplos, escolhemos três de pilotos que se deram bem (já excluindo os recentes e óbvios casos de Hamilton e Vettel) e três que se deram mal na passagem por escuderias grandes da F1. Aproveite a oportunidade e aponte outros casos nos comentários.

Vamos começar pelos jovens que se deram bem:

Emerson Fittipaldi na Lotus

Caso emblemático. O brasileiro estreou em um dos principais times da época, a Lotus, e rapidamente se tornou uma estrela da F1. Fittipaldi chegou à categoria na metade de 1970, aos 23 anos, para ser o terceiro piloto da equipe de Colin Chapman, após Jochen Rindt, o grande nome, e John Miles.

Emerson Fittipaldi e seu chefe na Lotus, o lendário Colin Chapman

Com a morte do austríaco nos treinos livres do GP da Itália, em Monza, Miles também desistiu de seguir correndo e Fittipaldi foi promovido a piloto número um da Lotus. E não fez feio: em sua primeira corrida no posto, venceu o GP dos EUA, em Watkins Glen, conquistando o primeiro triunfo de um brasileiro na F1 e garantindo o título póstumo a Rindt.

Depois disso, Fittipaldi seguiu sua escalada, levando o título mundial pela mesma Lotus em 72 e depois vencendo o primeiro campeonato da história da McLaren, em 74. Uma carreira meteórica e sem vacilos em equipes grandes logo de cara.

James Hunt na McLaren

Considerado um talento da base britânica no começo dos anos 70, Hunt chegou à F1 pela pequena e atrevida Hesketh, time que defendia nas categorias menores.

Mesmo bastante jovem, ele cresceu junto com o time, conquistando dois pódios em sua temporada de estreia, em 73, três em 74, e outros quatro em 75, incluindo sua primeira vitória.

Em sua primeira chance em uma equipe de ponta, James Hunt conquistou o título de 1976 pela McLaren

Com o fim da equipe, ele conseguiu uma vaga para correr pela McLaren, que vinha de um título e um vice-campeonato com Emerson Fittipaldi. O brasileiro deixou o a escuderia para seguir no projeto de seu irmão de uma equipe própria.

Hunt não decepcionou e conquistou o título mundial logo em seu primeiro ano em uma equipe de ponta, em 1976, batendo Niki Lauda em uma das temporadas mais dramáticas da história. É verdade que depois disso sua carreira passou a entrar em baixa aos poucos, muito pela própria personalidade do inglês, mas nada tira os méritos de sua ascensão meteórica na F1.

Nelson Piquet na Brabham

Ok, outro brasileiro. Mas Piquet realmente foi mais um jovem que não fez feio quando lhe deram a oportunidade de guiar um carro de ponta na F1. O carioca estreou no certame aos 26 anos em 1978 pela Ensign. No final daquela mesma temporada, conseguiu uma vaga na Brabham, que não passava pelos seus melhores momentos.

Piquet não deixou a oportunidade passar na Brabham e rapidamente assumiu o posto de líder do time

Em seu primeiro campeonato completo pela equipe, ele marcou apenas três pontos, o que parece pouco, mas se torna mais representativo quando vemos que seu companheiro, o então bicampeão Niki Lauda, conseguiu apenas quatro.

Em 80, porém, com um carro mais competitivo, ele conquistou logo de cara três vitórias, seis pódios e terminou o ano com o vice-campeonato mundial. Era apenas a sua segunda temporada completa na F1.

E aquele desempenho era só o começo. No ano seguinte, ele se sagrou campeão, o que ele faria mais duas vezes durante a década de 80, mostrando que realmente tinha chegado à F1 e aos times grandes para ficar.

Menção honrosa: Kimi Raikkonen na McLaren

Não podemos deixar de citar a ascensão de Raikkonen, que com apenas duas temporadas em categorias de base e uma na F1, pela Sauber, assumiu em 2002 uma vaga na McLaren no lugar do bicampeão Mika Hakkinen.

Logo na primeira temporada, ele conquistou quatro pódios, e na segunda, mostrou uma impressionante regularidade para um garoto de apenas 24 anos, terminando entre os três primeiros em 10 oportunidades, vencendo uma corrida e terminando o campeonato com o vice do Mundial, apenas dois pontos atrás de Michael Schumacher.

O título viria apenas alguns anos depois, em 2007, pela Ferrari.

Pilotos que decepcionaram:

Jean Alesi na Ferrari

Contratado como futura estrela da Ferrari, Alesi nunca conseguiu brilhar como se esperava

Calma, sabemos de todo o carisma de Alesi e que ele enfrentou um período complicado na Ferrari. Mas é impossível não levar em conta que quando a equipe de Maranello contratou o jovem francês de 26 anos, campeão da F3000 de 1989 e que levou a humilde Tyrrell a dois pódios em 90, se esperava muito mais dele.

Talentoso e com estilo agressivo, Alesi passou cinco anos na Ferrari e, se não foi horrível, passou longe da estrela que se esperava que ele poderia ser. Conquistou apenas uma vitória, no GP do Canadá de 1995. Depois ainda passou pela Benetton, sem muito brilho, antes de começar a frequentar os cockpits de times menores como Sauber, Prost e Jordan.

Certamente se esperava muito mais de Alesi

Heinz-Harald Frentzen na Williams

O grande rival de Schumacher. Era assim que muitos viam Frentzen. O alemão não chegou a um time grande exatamente jovem, aos 29 anos. Porém, sua carreira na F1 tinha começado apenas dois anos antes e se esperava muito dele.

Passagem de Frentzen pela Williams foi uma grande decepção para os dois lados

Todos conheciam sua rivalidade com o compatriota, com o qual dividiu espaço no programa de pilotos da Mercedes no começo dos anos 90. Alguns acreditavam que ele poderia tomar o lugar de ameaça a Schumacher, que vinha dos títulos de 94 e 95.

Após duas temporadas consistentes na Sauber, Frentzen foi contratado pela campeã de 96, a Williams, para ser o companheiro de Jacques Villeneuve em 97. E o resultado não poderia ser pior para ele.

Sete vitórias do canadense contra apenas uma do alemão, que ficou longe da briga pelo título. No final do ano Villeneuve terminou com 81 pontos contra apenas 42 de Frentzen, que oficialmente ainda terminou o campeonato com o vice do Mundial pelo fato de Schumacher ter sido eliminado da classificação geral pela FIA por conta de sua manobra de ter jogado o carro em cima de Jacques na decisiva corrida de Jerez.

Frentzen, porém, ainda teria chance de mostrar seu talento em um time médio que ele quase levou à briga pelo título, em 1999, na Jordan, quando conquistou duas vitórias e terminou o campeonato em terceiro. Mesmo assim, ele nunca mais teve oportunidades em outro time grande.

Heikki Kovalainen na McLaren

Kovalainen tinha sido campeão da World Series em 2004 e vice da GP2 em 2005. Após um ano como piloto de testes, ele entrou na Renault em 2007, em um momento em que a então bicampeã mundial entrava em decadência.

Com um bom currículo até chegar à McLaren, Kovalainen contribuiu muito pouco ao time em sua passagem pelo time inglês

Mesmo assim, vejam só, ele superou o companheiro e experiente Giancarlo Fisichella no campeonato e terminou o ano com um pódio no currículo logo em sua primeira temporada na F1.

O resultado lhe valeu a chance de ir para a McLaren no ano seguinte, aos 27 anos, na vaga deixada por Fernando Alonso. Com boas perspectivas, acreditava-se que ele poderia ser um componente importante na equipe inglesa na luta contra a Ferrari.

Só que no final das contas, Kovalainen foi completamente engolido pelo novo companheiro, Lewis Hamilton. Ele até conquistou uma vitória, no GP da Hungria de 2008, em um lance mais de sorte por ter herdado a liderança a poucas voltas do final com a quebra de motor de Felipe Massa, mas passou longe, mas muito longe mesmo do desempenho do parceiro.

Hamilton terminou o ano campeão do mundo com cinco vitórias e 98 pontos enquanto Kovalainen encerrou a época com apenas 53 tentos em um decepcionante sétimo lugar na classificação geral. Ele ainda seguiria na McLaren em 2009, ano em que o time não conseguiu brigar pela taça, mas que mesmo assim Hamilton conquistou duas vitórias e o finlandês sequer subiu ao pódio.

Com resultados tão ruins, Kovalainen passou os três anos seguintes da carreira no exílio da Lotus (que se tornaria depois Caterham) frequentando as últimas posições do grid.


 Comunicar Erro

Lucas Santochi

Mais um fanático da gangue que criou vínculo com automobilismo desde a infância. Acampou diversas vezes nas calçadas ao redor de Interlagos para assistir aos GPs e nunca esqueceu a primeira vez que, ainda do lado de fora do autódromo, ouviu o barulho de F1 acelerando pela reta. Jornalista formado em 2004, passou por redações na época da TV Band e Abril, teve experiência na área de assessoria de comunicação esportiva até chegar ao site especializado em esporte a motor Tazio, em 2010. Passou pelas funções de redator, repórter (cobrindo diversas corridas no Brasil e exterior de F1, Indy, WEC, Stock Car, entre outras) e subeditor até o final de 2013, quando o veículo encerrou suas atividades. Trabalhou ainda como redator do UOL Esporte em 2014 até que decidiu se juntar com os outros três membros do Projeto Motor para investir na iniciativa.