Prost exerceu na França a vantagem de correr em casa como ninguém

0

Correr em seu próprio país sempre é um momento diferente para qualquer piloto de F1. Vencer a corrida de casa, então, sem dúvida nenhuma que é especial. E ninguém fez isso melhor do que Alain Prost no GP da França.

Em 13 participações em provas francesas, Prost levou a vitória em seis oportunidades. Um belíssimo aproveitamento. Outro fator que chama a atenção é que ele não foi bem assim porque se tornou um especialista em certo traçado porque o GP da França mudou diversas vezes de sede neste meio tempo e o tetracampeão ganhou nas três pistas em que competiu: Dijon, Paul Ricard (traçados diferentes) e Magny-Cours.

Outros pilotos estão na cola de Prost, é verdade. Em especial, Lewis Hamilton, que conquistou cinco vitórias no GP da Grã-Bretanha e terá a chance de ainda em 2019 igualar a estatística do francês e até ultrapassá-lo no futuro.

Fique ligado em nossas redes sociais: 
Twitter – @projetomotor
Facebook – Projeto Motor
Youtube – Projeto Motor
Instagram – @projetomotor

Percebeu que usamos o termo “GP da Grã-Bretanha” no lugar do mais usual “GP da Inglaterra”, né? Pois é, na verdade este é o nome oficial da corrida. É bom lembrar que a FIA reconhece o Reino Unido (que é diferente de Grã-Bretanha) como uma coisa só, e não Inglaterra, Escócia, Gales e Irlanda do Norte como países separados. É o mesmo critério do Comitê Olímpico Internacional, por exemplo, mas diferente da FIFA.

E o que isso tem a ver com o tema do texto? Bem, admitimos que é só para dizer que o escocês Jim Clark também tem cinco vitórias em sua corrida caseira, o GP da Grã-Bretanha, que nunca foi realizado na Escócia.

Voltando à história principal que queremos contar aqui, resolvemos relembrar as seis vitórias de Prost em sua corrida nacional, que fizeram a alegria dos fãs franceses da F1.

1981 – Dijon

A primeira vitória de Prost na França foi especial em dose tripla. Além de ser um triunfo em casa, ainda foi o primeiro dos 51 da carreira do francês na F1. Some isso ao fato de a conquista ter vindo pela equipe Renault e com pneus Michelin, marcas francesas. Dá para ser melhor?

Alain Prost em sua Renault no GP da França de 1981, em Dijon

A corrida não estava tranquila para o francês no começo. Piquet pulou na ponta com sua Brabham, com Prost em segundo. Os dois se mantiveram assim até que a prova teve que ser interrompida por conta de uma forte chuva. Na retomada, o francês pulou na frente e abriu na liderança enquanto o brasileiro perdeu posições e caiu para quinto.

Prost liderou da 59ª até a 80ª e última volta recebendo a bandeira quadriculada para a festa da torcida local.

Prost levanta o primeiro troféu de vencedor de sua carreira no GP da França de 1981

1983 – Paul Ricard (versão de 5.810 metros)

Mais uma festa francesa com vitória do piloto e da equipe Renault. Aliás, a marca chegaria neste dia ao seu quarto triunfo na França em cinco corridas. Isso que é aproveitar o fator casa!

Prost dominou completamente o final de semana. Primeiro, ele marcou a pole position com uma diferença de 2s3 para o segundo colocado, seu companheiro de equipe Eddie Cheever. Na corrida, pulou na ponta e não foi incomodado. O francês perdeu a liderança por apenas três voltas durante as trocas de pneus, mas no geral, controlou os 59 giros da prova.

Em 1983, Prost conquistou sua segunda vitória em casa, desta vez em Paul Ricard, novamente pela Renault

O francês assim acabava com uma seca de vitórias que durava mais de um ano e entrava na briga pelo título que perderia no final para Piquet por apenas dois pontos.

1988 – Paul Ricard (versão de 3.813 metros)

Passaram-se cinco anos entre a segunda e a terceira vitória de Prost na França. Em 88, o cenário era bem diferente de seu último triunfo. Agora ele era um bicampeão mundial, corria pela McLaren e estava numa temporada em que seu único adversário real era seu novo companheiro de equipe, Ayrton Senna.

Prost conquistou a pole position e pulou na frente, com o brasileiro em segundo. No pitstop para troca de pneus, a equipe McLaren teve problemas para remover um das rodas dianteiras do carro do francês, que perdeu tempo e a liderança.

Prost precisou bater o companheiro Senna para voltar a vencer em Paul Ricard em 1988

Para sorte dele, no entanto, Senna começou a sofrer problemas com sua caixa de câmbio e ele logo conseguiu se aproximar do adversário. Em um momento de tráfego intenso, Prost fez a ultrapassagem e voltou à ponta.

Com o companheiro sofrendo problemas mecânicos, foi uma questão de administrar a ponta para voltar a vencer em casa.

1989 – Paul Ricard (versão de 3.813 metros)

A temporada de 89 colocou fogo de vez na rivalidade entre Senna e Prost na McLaren. O francês aproveitou seu GP caseiro para anunciar que estava de mudança para a Ferrari no campeonato seguinte.

Acidente de Gugelmin marcou o GP da França de 1989

Na pista, Prost conquistou a pole position com uma vantagem de apenas 25 milésimos sobre Senna. Na largada, o brasileiro pulou na frente, mas a corrida teve que ser prontamente paralisada por conta de um forte acidente de Maurício Gulgemin, que errou a freada e saiu capotando com sua March Leyton House.

Na segunda largada, Senna logo sofreu um problema no câmbio e foi forçado a abandonar. Assim, Prost rumou tranquilo à vitória sem concorrência em casa, com 44 segundos de vantagem sobre o segundo colocado, Nigel Mansell, da Ferrari.

Prost contou com a quebra de Senna para vencer com facilidade em Paul Ricard-1989

1990 – Paul Ricard (versão de 3.813 metros)

Terceira vitória consecutiva! Só dava Prost na França no final dos anos oitenta. Desta vez, o francês chegou a Paul Ricard pela Ferrari, mas seu adversário principal seguia sendo Ayrton Senna.

A classificação foi complicada e para surpresa de muita gente, quem largou na primeira fila foram os outros dois pilotos de McLaren e Ferrari, com Mansell na pole e Gerhard Berger na segunda colocação. Senna saiu em terceiro, com Prost apenas em quarto. Mas as surpresas não parariam por aí.

Capelli e a Leyton House deram trabalho em 1990, mas Prost conseguiu a ultrapassagem no final em Paul Ricard

Na largada, Berger pulou na frente, seguido por Mansell e Senna. Prost caiu para sexto. Na segunda volta, o brasileiro deixou o inglês para trás e a dupla da McLaren passou a controlar a prova.

A janela de pitstops dos líderes começou na 27ª volta, e quando todos pararam perceberam que a dupla da Leyton House, Ivan Capelli e Maurício Gulgemin, seguiu em frente sem troca de pneus e assim pularam nas duas primeiras posições. Neste ponto da corrida, Prost já era terceiro após se dar bem nos pits.

Em 1990, Prost venceu pela quinta vez na França, a terceira consecutiva

O francês da Ferrari conseguiu superar Gugelmin apenas na 54ª volta, mas nada dava impressão de que ele poderia pegar Capelli. O motor Judd do brasileiro estourou pouco depois.

Nas últimas voltas, Capelli começou a ter problemas com sua Leyton House e Prost conseguiu a ultrapassagem a três giros do final para conquistar mais uma vitória em casa, dessa vez de forma dramática. O italiano ainda terminou em segundo, com Senna em terceiro.

1993 – Magny-Cours

Mais uma vez, uma mudança completa de cenário na carreira de Prost. Depois de ser demitido da Ferrari ao final de 1991, ele passou por um ano sabático e voltou à F1 em 93 na poderosa Williams, que tinha o melhor carro disparado do grid. Para melhorar a situação, seu companheiro era o inexperiente Damon Hill, que pouco o ameaçava.

O GP da França também tinha uma nova casa: o seletivo circuito de Magny-Cours, construído especialmente para receber a categoria a partir de 91. Traçado que se adequaria perfeitamente ao modelo FW15 da Williams.

A Williams de Prost e Hill sobrou em Magny-Cours em 1993

Hill surpreendeu na classificação e conquistou a primeira pole position de sua carreira, com Prost em segundo. A Ligier, que tinha sua fábrica ao lado da nova pista e ainda contava com motor Renault, colocou seus dois carros (Martin Brundle e Mark Blundell) da segunda fila, a quase 2 segundos das Williams, com Senna, de McLaren-Ford apenas em quinto.

Na corrida, Hill manteve a ponta, com Prost em segundo. Os dois logo fugiram à frente abrindo grande vantagem. No pitstop na volta 27, o inglês da Williams perdeu tempo na entrada dos boxes ao pegar tráfego e perdeu a liderança para o companheiro.

Prost precisou então apenas administrar a corrida durante as 40 voltas seguintes para vencer pela última vez em casa, com Hill em segundo. Naquela temporada, o francês conquistaria ainda o seu quarto título mundial e se aposentaria de vez da F1.


 Comunicar Erro

Lucas Santochi

Mais um fanático da gangue que criou vínculo com automobilismo desde a infância. Acampou diversas vezes nas calçadas ao redor de Interlagos para assistir aos GPs e nunca esqueceu a primeira vez que, ainda do lado de fora do autódromo, ouviu o barulho de F1 acelerando pela reta. Jornalista formado em 2004, passou por redações na época da TV Band e Abril, teve experiência na área de assessoria de comunicação esportiva até chegar ao site especializado em esporte a motor Tazio, em 2010. Passou pelas funções de redator, repórter (cobrindo diversas corridas no Brasil e exterior de F1, Indy, WEC, Stock Car, entre outras) e subeditor até o final de 2013, quando o veículo encerrou suas atividades. Trabalhou ainda como redator do UOL Esporte em 2014 até que decidiu se juntar com os outros três membros do Projeto Motor para investir na iniciativa.