Questões para ficar de olho no automobilismo em 2018

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Assim como acontece em todos os anos, 2018 começa com muitos pontos que valem a pena serem observados com atenção no automobilismo. No caso da F1, há as questões habituais: qual equipe construirá o carro mais forte, quais pilotos irão se destacar, e as demais dúvidas que surgem antes de cada temporada.

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Até aí, nenhuma novidade. No entanto, 2018 trará algumas questões específicas, pois trata-se de um ano de mudanças na F1, representando ocasiões especiais para personagens importantes. Além disso, o ano também traz momentos decisivos em demais categorias, o que também envolve brasileiros.

Portanto, indicamos alguns pontos para ficarmos de olho nas pistas em 2018. Existe algo curioso que não mencionamos? Então deixe no espaço de comentários abaixo!

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O HALO E SUAS IMPLICAÇÕES ESTÉTICAS E TÉCNICAS
Halo
Salvo alguma surpresa, este será o assunto mais quente do início deste ano. O polêmico utensílio entrará de vez na F1 em 2018 e promete provocar consequências nos mais diversos aspectos.

A começar pelo visual. É verdade que já vimos o halo instalado em carros de 2016 e 2017 para testes, mas é só agora que constataremos de fato qual será seu impacto estético. Os novos modelos foram projetados já contando com a presença da peça, sendo que cada equipe poderá fazer ajustes particulares, tanto na superfície para beneficiar a aerodinâmica quanto na pintura da parte externa.

Ou seja, a tendência é que o halo de fato pareça uma peça pertencente ao conjunto, em vez de um “corpo estranho” encaixado no carro como vimos até então. Mas, exatamente, qual será o seu impacto? Será mais agradável do que já foi visto?

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E também há o impacto técnico propriamente dito. Além do fator aerodinâmico já citado, o halo tem causado grandes dores de cabeça às equipes pelo fato de sua introdução afetar a estrutura do carro em diversas áreas.

Como o halo deverá se transformar na parte mais resistente do carro, é preciso que toda a área ao seu redor seja reforçada para aguentar a energia transferida em um possível impacto. Assim, o projeto como um todo terá de ser mais robusto, o que poderá causar problemas de sobrepeso no conjunto e limitar o uso do lastro. Alguma equipe conseguirá extrair vantagem clara neste quesito?

ALONSO E A TEMPORADA CRUCIAL PARA SEU FUTURO
ALonso 3Prestes a completar 37 anos de idade (e os últimos cinco deles sem vitórias), Alonso se aproxima de um momento crítico na carreira. Por isso, a sua jornada será um dos pontos importantes do ano, pois trata-se de uma temporada “ou vai, ou racha” para o bicampeão.

Ao trocar os motores Honda pelos Renault, a McLaren se livra daquela que considera a causadora de seu sofrimento de 2015 para cá. Em contrapartida, a equipe também fica mais exposta com a mudança, já que agora há a comparação direta com a Red Bull e a própria Renault. Não há mais como se esconder.

Nessa história toda, Alonso precisa urgentemente de uma temporada mais animadora. Os fãs que sonham em vê-lo de volta à briga pelo título talvez estejam otimistas demais, mas também é verdade que uma nova campanha apagada, ofuscada por outros pilotos que também usam motor Renault, seria um golpe duro ao espanhol nesta altura da carreira.

E não deve ficar só nisso. Assim como fez em 2017 com a participação nas 500 Milhas de Indianápolis, Alonso deverá desbravar outros mares – a começar pelas 24 Horas de Daytona, ainda em janeiro. Uma participação pela Toyota nas 24 Horas de Le Mans também é esperada, o que seria uma grande história do automobilismo no ano. Portanto, Alonso será um personagem a se observar em 2018.

ANO CRÍTICO PARA O MERCADO EM EQUIPES IMPORTANTES

Ricciardo vive seu último ano de contrato com a Red Bull (Clive Mason/Getty Images)
Ricciardo vive seu último ano de contrato com a Red Bull (Clive Mason/Getty Images)

Toda temporada da F1 conta com “novelas” no mercado de pilotos. Entretanto, 2018 terá questões importantes pendentes, pois há potenciais vagas em aberto nas três principais equipes da temporada passada.

Os dois pilotos da Mercedes possuem contrato válido somente até o fim do ano. Há indícios de que Lewis Hamilton já esteja preparando a renovação até o fim de 2020, mas nada está garantido até o papel estar assinado. Com Valtteri Bottas há ainda menos certezas, sobretudo após um fim apagado de campeonato e um mercado aberto para 2019.

Na Ferrari, Kimi Raikkonen obteve sobrevida para mais uma temporada decisiva, pois a paciência da equipe parece estar perto de acabar. Já Daniel Ricciardo, que também vive seu ano final de contrato com a Red Bull, deixou clara sua intenção de pensar bem antes de se comprometer a um novo acordo.

Negociações e rumores devem ser história constante ao longo da temporada. Pode mudar tudo, pode ficar como está… 2018 nos dará as respostas.

A SITUAÇÃO DE MASSA E DOS JOVENS NAS PISTAS
Massa

Como já mencionamos em outras oportunidades no Projeto Motor, 2018 será uma situação estranha para os fãs brasileiros na F1, pois não haverá um compatriota regular no grid pela primeira vez desde o início de 1970, antes da estreia de Emerson Fittipaldi.

Mas a vida continua. Felipe Massa já indicou que deverá tirar os primeiros meses de 2018 para descansar, ao mesmo tempo em que fará participação especial na Stock Car, na rodada em duplas que abrirá a nova temporada. Mas, quando recarregar as baterias e estiver pronto para retomar sua carreira, qual caminho ele irá seguir?

O próprio deixou claro que a Fórmula E é uma categoria que está em seu radar, o que provavelmente envolveria a temporada de 2018/2019. Será esse o caminho? Qual será a equipe escolhida? E veremos Felipe se aventurando paralelamente em outras provas e categorias?

2018 também é um ano fundamental para outros brasileiros da base. Sérgio Sette Câmara, que faz sua segunda temporada na F2 de olho em “explodir”, será colocado à prova ao lado de Lando Norris na Carlin. Caso o saldo não seja bom, o sonho em ser promovido à F1 ficará mais distante, para não dizer inviável.

O mesmo se aplica a Pietro Fittipaldi. O neto de Emerson precisa definir seu caminho (se será a F2 ou outra categoria) e, inevitavelmente, ter uma performance contundente para continuar a subir as escadas rumo ao topo.

CONVERSAS DE BASTIDORES PARA A DEFINIÇÃO DO FUTURO DA F1
largada 2 A guerra nos bastidores também valerá uma atenção especial ao longo do ano. Primeiro, será preciso bater o martelo em definitivo acerca das regras de motores para 2021 – a proposta inicial feita pela FIA desagradou as fabricantes e iniciou uma queda de braço a portas fechadas.

Como já se trata de uma corrida contra o tempo, 2018 precisará de uma definição total: ou a FIA recua e acata pedidos das fabricantes, ou serão as construtoras que terão de ceder.

Além disso, a tendência é que as equipes fiquem ainda mais em cima dos proprietários da F1, o grupo Liberty Media, para tomar medidas contundentes para o futuro. Ferrari e Mercedes já fizeram ameaças de deixar a categoria, e a forma como as conversas se desenrolarem será um ponto a ser visto ao longo do ano.

O CENÁRIO EM OUTRAS CATEGORIAS DE DESTAQUE

(Dean Treml/Red Bull Content Pool)
(Dean Treml/Red Bull Content Pool)

Vale a pena ficar de olhos bem abertos para o que irá acontecer em outras categorias. O WEC, por exemplo, vive momento importante de transição, já que contará apenas com a Toyota de construtora oficial na LMP1. Como será o interesse do público na “supertemporada” de 2018/2019?

E como será o crescimento da Fórmula E? A categoria, que atraiu grande número de montadoras para o futuro em 2017, continuará com a tendência neste ano? E em termos de pilotos – o grid ficará mais preenchido por nomes de destaque em suas provas?

Por fim, também será um ano importante para o DTM. Será a última temporada da Mercedes na categoria, sendo que alguns nomes já deixaram o campeonato temendo uma perda de relevância para o futuro. O certame alemão conseguirá lidar com o baque e permanecer forte com BMW e Audi?

E esses são apenas alguns tópicos. 2018 mal começou, mas o ano já deixa muita gente intrigada.

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Bruno Ferreira

Sempre gostou de automobilismo e assiste às corridas desde que era criança. A paixão atingiu outro patamar quando viu – e ouviu – um carro de F1 ao vivo pela primeira vez. Depois disso, o gosto pelas corridas acabou se transformando em profissão. Iniciou sua trajetória como jornalista especializado em automobilismo em 2010, no mesmo ano em que se formou, quando publicou seu primeiro texto no site Tazio. De lá para cá, cobriu GPs de F1 no Brasil e no exterior, incluindo duas decisões de título (2011 e 2012), além de provas de categorias como Indy, WEC, WTCC e Stock Car.

  • Ravenno

    Faltou falar da Indycar que tem novos aerokits, do WRC onde a Ford voltou como equipe de fábrica e entre outras.

  • Antonio Manoel

    Por estar no início de Janeiro (nas primeira semana, pra ser mais exato), obviamente ainda a situação é de incertezas e dúvidas, o que traz muita curiosidade e ansiedade. Na verdade, não seria algo exclusivo de 2018, mas as situações listadas merecem atenção por serem fatores que podem ser determinantes não só para as próprias categorias, mas até mesmo para a história do automobilismo mundial, afinal o que a saída da Mercedes da DTM poderia resultar futuramente?
    Um certo desinteresse das outras duas montadoras pela categoria talvez, e assim uma possível queda?

    Já na F1, 2018 é não só o primeiro ano em algumas décadas sem brasileiros, mas também o primeiro com o Halo presente, ambas questões que são de grande importância, afinal qual seria o impacto dos dois fatores em conjunto para a F1 no Brasil, considerando a falta de apoio do público geral sobre os planos com o Halo e a ausência de um brasileiro na principal categoria do automobilismo mundial, que já não tem grande popularidade assim no nosso país?

    Enquanto à Formula E, creio que a tendência seja o constante crescimento. Não creio que seja uma categoria que vá superar a Formula 1 futuramente, como tem sido dito por algumas pessoas ligadas à categoria elétrica, mas talvez fique um pouco mais próxima e até quem sabe, seja uma categoria que sirva de caminho para a Formula 1 talvez, caso as duas não se tornem muito distantes uma da outra em similaridades, assim como tem sido na DTM em casos como o de Esteban Ocon e de Pascal Wehrlein (que infelizmente ficou sem carro para 2018 na F1).

    Já no WEC, estou curioso para ver o que acontece com a Toyota, sendo a única montadora dentro da LMP1, será que enfim a japonesa vence em Le Mans? Porém, se vencer, será que o destaque de sua vitória não ficaria reduzido?
    E estou curioso com essa tal “supertemporada” prometida para 2018/19, e ainda mais para o que vem mais à frente, depois de 2018 no caso… as mudanças na LMP1 que serão mais atrativas para as montadoras, com carros de design mais similar aos modelos de rua…

    Bom, agora é esperar e acompanhar o que vem pela frente, mas desejo à todos (leitores e redatores) do Projeto Motor um excelente ano novo, com muitas alegrias, felicidades e saúde à todos e que o nosso amado automobilismo nos traga muitas emoções!