Raikkonen e a longevidade de pilotos em equipes da F1

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Alguns pilotos ficam tanto tempo em certas equipes da F1 que fica quase impossível dissociar a imagem deles da do time. Kimi Raikkonen faz em Abu Dhabi sua última prova pela Ferrari antes de se transferir para a Sauber, alcançando a marca de 151 GPs pela escuderia italiana.

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Com este número, Raikkonen se torna o segundo piloto da história da Ferrari com mais participações em corridas da F1, atrás somente de Michael Schumacher, que bateu nas 180 provas entre 1996 e 2006. Não deixa de ser interessante que Raikkonen alcance esta marca entre diversos altos e baixos na Ferrari, incluindo uma demissão do time em 2009, apenas duas temporadas depois de ter conquistado o título mundial.

Curiosamente, aquele é até o hoje o único campeonato vencido por um piloto com um dos carros vermelhos de Maranello depois da era Schumacher. Na história da Ferrari, além do finlandês e do alemão, apenas outros dois pilotos passaram das 100 corridas pelo time: os brasileiros Felipe Massa, 139 GPs, e Rubens Barrichello, 102.

O problema de Raikkonen, mesmo com um título no currículo, é que o número de vitórias pela Ferrari não é muito impressionante. Com apenas 10 triunfos, ele é o sétimo da história atrás de Schumacher, 72, Niki Lauda, 15, Alberto Ascari e Sebastian Vettel, ambos com 13, Fernando Alonso e Felipe Massa, 11. Barrichello vem em oitavo com nove.

Separamos alguns outros casos de pilotos que passaram da casa dos 100 GPs pela mesma equipe. São apenas 17 na história.

McLAREN

O piloto com mais participações pela equipe de Woking, uma das mais vitoriosas e importantes da história da F1, é David Coulthard. Convenhamos que um time com cinco campeões mundiais diferentes e fundado pelo grande Bruce McLaren, talvez não fosse o piloto mais esperado a alcançar tal marca.

Mesmo assim, o escocês teve seus méritos ao conduzir os carros da McLaren a 12 vitórias e sete pole positions. No total, foram nove temporadas, entre 1996 e 2004, que teve como melhor resultado o vice-campeonato mundial de 2001. Só que no final das contas, ele acabou marcado o eterno segundo piloto de Mika Hakkinen, outro que está na lista com 118 GPs.

O finlandês, do outro lado, pode se orgulhar mais de sua trajetória com o time. Ele conquistou um bicampeonato, em 1998 e 99, somando 20 vitórias (quarto melhor da história da equipe) e 26 pole positions (segundo).

Entre os dois, está Jenson Button, com 136 largadas pela McLaren. O inglês chegou à equipe em uma segunda fase de sua carreira, em 2010, após o surpreendente título pela Brawn GP. Ele não voltou a vencer o campeonato, mas construiu uma relação bastante saudável com a nova equipe, chegando a superar o então companheiro Lewis Hamilton em 2011.

Jenson Button celebra vitória no GP da Hungria de 2011

Ele seguiu com a McLaren até o final de 2016 como piloto regular. Em 2017, ele ainda chegou a fazer uma última apresentação, em Mônaco, substituindo Fernando Alonso, que estava competindo no mesmo domingo nas 500 Milhas de Indianápolis. Foi a despedida definitiva de Button da equipe e da F1.

Junta-se à lista ainda Lewis Hamilton, com 110 GPs, entre 2007 e 2012, em uma história digna de conto de fadas, com uma temporada incrível na estreia na F1 e o título mundial de 2008 graças à uma ultrapassagem na última curva do circuito de Interlagos.

E para completar, o professor Alain Prost, que largou por 107 vezes com os carros da equipe em uma passagem marcante durante a década de 80. O francês venceu por lá três títulos mundiais e protagonizou uma explosiva história de parceria com o brasileiro Ayrton Senna, que ficará marcada para sempre como uma das maiores rivalidades da história da F1.

LIGIER

É quase impossível pensar em Ligier ou Jacques Laffite sem associar um ao outro. O francês competiu pela equipe de seu país durante nove temporadas, entre 1976 e 86, com um hiato de dois campeonatos entre elas, quando ele correu pela Williams. Um total de 132 corridas.

Laffite venceu duas provas em 1979 com o modelo JS11 da Ligier

Com ele, a Ligier viveu seus melhores momentos. Laffite conquistou seis vitórias, sete pole positions e 31 pódios. Em 1980, o time chegou a ficar em segundo no campeonato de construtores.

O próprio Laffite não viveu nada parecido em outra equipe, com todas as suas vitórias conquistadas pela Ligier e seus melhores resultados no Mundial, quarto em 1979, 80 e 81, pela equipe.

BRABHAM

A Brabham teve vários grandes pilotos e campeões em seus cockpits, incluindo seu fundador, Jack, mas Nelson Piquet realmente é o grande destaque. E não é para menos. Além das 106 largadas pelo time, foram dois títulos mundiais, 13 vitórias, 18 pole positions, 12 voltas mais rápidas e 29 pódios. Todos esses números são recordes históricos da equipe.

Piquet lidera Prost em Brands Hatch, em 1983

Piquet foi o responsável por liderar os grandes projetos do time em sua era sob comando de Bernie Ecclestone, e sua imagem com os carros em azul e branco da Brabham são inesquecíveis para os fãs da F1.

MINARDI

Tem como pensar em Minardi sem logo lembrar de Pierluigi Martini? O italiano competiu em oito temporadas diferentes pela equipe, somando um total de 102 participações. Em sua carreira na F1, ele correu em apenas um outro time, a Scuderia Italia, por um campeonato, em 1992.

Os resultados da parceria não são exatamente impressionantes, mas certamente estão entre os melhores da história da carismática escuderia na F1. No total, Martini conquistou 16 pontos. O segundo piloto desta estatística pelo time é o brasileiro Christian Fittipaldi, com seis. Martini ainda conseguiu a melhor posição de grid da Minardi, segundo no GP dos EUA de 1990, e em corrida, quarto lugar nos GPs de San Marino e Portugal de 1991, resultados que foram igualados por Fittipaldi no GP da África do Sul de 93.

MERCEDES

Com apenas 188 GPs na F1, a Mercedes teoricamente não teria muito tempo de categoria nem para celebrar muitas vitórias, muito menos para ter pilotos com muita história em sua equipe oficial. Só que os números do time alemão mostram que a situação é justamente o contrário. Em suas duas breves passagens pela categoria como equipe, ela não só soma cinco títulos de construtores e sete de pilotos, como já tem dois ases com história íntima pela marca.

Nico Rosberg e Lewis Hamilton possuem 136 e 118 GPs, respectivamente, pela Mercedes. O inglês segue aumentando seu cartel. Ambos conquistaram títulos mundiais, sendo que Hamilton já tem quatro pela empresa de Stuttgart. Eles ainda formaram uma parceria explosiva entre 2013 e 2016, com muitas vitórias, mas também alguns acidentes.

Rosberg e Hamilton: a dupla responsável pelo domínio da Mercedes na F1

De qualquer maneira, mesmo com os dois títulos de Juan Manuel Fangio na década de 50, eles são, até esta data, os dois pilotos mais ligados à Mercedes na F1, sem sombra de dúvida.

RENAULT

A Renault tem uma longa história na F1 como fabricante de motores e uma equipe oficial que já teve diversas idas e vindas. A marca francesa teve muitos grandes pilotos, mas o que mais se destacou e único a chegar a marca dos 100 GPs pela marca é Fernando Alonso.

O espanhol competiu pelo time entre as temporadas de 2003 e 2009 (com um breve intervalo em 2007, quando correu pela McLaren), somando 103 participações, que resultaram ainda em todos os recordes históricos da marca na categoria: 17 vitórias, 16 poles, 10 voltas mais rápidas, 41 pódios e os dois únicos títulos mundiais de pilotos, que também impulsionaram, nas mesmas temporadas, os dois únicos campeonatos de construtores.

A parceria é de grande sucesso, com algumas polêmicas no meio do caminho, principalmente como a forma que o piloto deixou o time ao final de 2006, voltou por baixo em 2008 e saiu de novo ao final de 2009. Além disso, o inesquecível caso do GP de Singapura de 2008, com uma vitória resultado de armação que resultou em suspensão de alguns dos principais dirigentes.

RED BULL

Para completar a nossa lista, a equipe que vem montando sua tradição dentro da F1 desde os anos 2000, e já conquistou muitos canecos. E os dois pilotos que formaram a dupla da Red Bull em seu auge são justamente os primeiros que ultrapassaram os 100 GPs com seus carros na categoria: Sebastian Vettel e Mark Webber.

O australiano chegou um pouco antes e soma 129 corridas pela equipe, com um total de nove vitórias e 13 pole positions. Ele até tentou, mas nunca foi páreo, no entanto, para seu parceiro, Vettel, que em suas 113 participações, conquistou 38 vitórias, 44 poles e incríveis quatro títulos mundiais em sequência.

Vettel passa Webber no GP da Malásia de 2013

Vale lembrar que aos 48 do segundo tempo, estes dois terão um companheiro na estatística. No GP de Abu Dhabi de 2018, Daniel Ricciardo irá competir pela 100ª vez pela Red Bull. O ranking do “novo” australiano do time também não é ruim, levando-se em conta a fase mais humilde em geral da equipe, com sete vitórias e três pole positions. Coincidentemente, será a última prova de Ricciardo pela equipe, já em que 2019 ele parte para a Renault.

MENÇÃO HONROSA:

A parceria entre Sergio Pérez e a Force India também é digna de menção na lista. O mexicano tem 98 provas pela equipe e chegará à 99 ao final da temporada de 2018. A contagem segue mesmo após a mudança de nome porque o chassi é o mesmo, fabricado no começo do ano pelo time.

Em 2019, porém, o time, vendido durante a temporada e que deve mudar de vez de nome, provavelmente também passará a adotar uma nova nomenclatura para seus carros, o que impedirá Pérez de fazer oficialmente seu 100º GP pela Force India. Mesmo assim, a parceria entre equipe e piloto estará marcada como a mais longeva da história desta escuderia que marcou presença de forma competitiva na categoria, mesmo com um nome estranho e não contando com o melhor dos orçamentos.

 

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Lucas Santochi

Mais um fanático da gangue que criou vínculo com automobilismo desde a infância. Acampou diversas vezes nas calçadas ao redor de Interlagos para assistir aos GPs e nunca esqueceu a primeira vez que, ainda do lado de fora do autódromo, ouviu o barulho de F1 acelerando pela reta. Jornalista formado em 2004, passou por redações na época da TV Band e Abril, teve experiência na área de assessoria de comunicação esportiva até chegar ao site especializado em esporte a motor Tazio, em 2010. Passou pelas funções de redator, repórter (cobrindo diversas corridas no Brasil e exterior de F1, Indy, WEC, Stock Car, entre outras) e subeditor até o final de 2013, quando o veículo encerrou suas atividades. Trabalhou ainda como redator do UOL Esporte em 2014 até que decidiu se juntar com os outros três membros do Projeto Motor para investir na iniciativa.