Raikkonen renovou com a Ferrari para 2016. O que acontece depois?

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Mais uma vez a F1 volta de suas férias de agosto com uma importante notícia para sacudir o mercado de pilotos. Se em 2014 o paddock chegou a Spa-Francorchamps ainda tentando digerir a contratação do adolescente Max Verstappen pela Toro Rosso, desta vez a surpresa para muitos foi a permanência de Kimi Raikkonen na Ferrari para a temporada de 2016.

A notícia parecia algo inimaginável de se concretizar há poucos meses, sobretudo com os crescentes rumores de que o finlandês seria substituído por seu compatriota mais jovem na categoria, Valtteri Bottas. Porém, mais recentemente, relatos da Itália já indicavam que a permanência de Kimi se tornava algo cada vez mais provável, até que veio a confirmação oficial.

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O campeão mundial de 2007 era considerado uma das peças mais importantes para o mercado de pilotos do ano que vem. Justamente por isso, o Projeto Motor analisa os fatos que cercaram a renovação do finlandês e o que isso poderá acarretar para 2016 – e também, por que não, para os anos posteriores.

RAIKKONEN MERECIA RENOVAR?

Mesmo que Raikkonen venha apresentando um desempenho bem mais competitivo do que teve em sua horrorosa campanha em 2014, é inegável que o piloto ainda se encontra muito longe de seu auge. Sua primeira metade de temporada em 2015 foi marcada por uma série de contratempos, sejam eles pequenos deslizes em classificação, erros bobos em corrida ou até mesmo quebras infelizes – como o que aconteceu na Hungria.

Em 10 GPs corridas, marcou menos da metade dos pontos de seu companheiro, Sebastian Vettel, com apenas um pódio – contra sete do alemão.
Em 10 GPs corridas, marcou menos da metade dos pontos de Vettel, com apenas um pódio – contra sete do alemão.

À primeira vista, não é difícil concluir que o desempenho de Raikkonen em seu retorno à Ferrari é, no mínimo, incompatível com os padrões da equipe italiana. A própria chefia da Scuderiacobrou o finlandês publicamente, e mesmo assim houve pouca melhora prática. Por isso, a renovação de Kimi já é interpretada como o indício de que a Ferrari pensa em longo termo, deixando suas portas abertas para um nome mais cobiçado por ela para 2017.

Segundo reportagem da plataforma online da renomada revista inglesa “Autosport”, essa figura misteriosa pode ser Max Verstappen. A matéria, publicada em 12 de agosto e assinada por Dieter Rencken, afirma que o holandês de 17 anos de idade está na mira dos italianos para o futuro.

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Mas tem um problema: Verstappen está sob contrato de longa duração com o programa de pilotos da Red Bull, com o qual se aliou para chegar à Toro Rosso. Assim, o estafe do holandês acredita que o ano de 2016 será suficiente para romper qualquer tipo de laço e deixar as duas partes livres para um acordo – e, segundo o texto, a Ferrari aceitou esperar.

Raikkonen poderia servir como "tampão" para a Ferrari em 2016 (Divulgação)
Raikkonen poderia servir como “tampão” para a Ferrari em 2016 (Divulgação)

E O QUE ACONTECE COM O RESTO DO GRID?

Como sempre acontece no mercado de pilotos, um movimento específico (ou, no caso, a falta de um) pode ter consequências que se espalham por todo o grid. Com Kimi, supostamente a primeira peça do dominó, não podia ser diferente.

Indicado como substituto de Raikkonen, Bottas acaba sendo um dos afetados mais evidentes. Agora, o piloto se vê em posição em que fica praticamente forçado a permanecer na Williams por pelo menos mais uma temporada. No entanto, há um ponto positivo para ele: fica em aberto a possibilidade de uma transferência para a Mercedes, algo supostamente pensado por Toto Wolff, padrinho de longa data de sua carreira e chefe do time alemão.

Holandês pode estar na mira da Ferrari para o futuro (Divulgação)
Holandês pode estar na mira da Ferrari para o futuro (Divulgação)

Nico Hulkenberg, indiretamente, também será afetado. Segundo o texto supracitado da “Autosport”, o piloto tinha de qualquer forma poucas chances na Ferrari. Primeiro por ser alemão, já que Maranello dificilmente abrigaria dois pilotos de uma mesma nacionalidade; segundo, seus dados de telemetria na Sauber em 2013 não foram convincentes para os italianos.

Mas Hulkenberg era apontado como possível candidato a substituir Bottas na Williams, em movimento que beneficiaria ambas as partes: o piloto, por enfim ter um carro que lhe pudesse sonhar mais alto, e a equipe, que contaria com alguém de alto nível e ainda relativamente jovem. No momento, porém, todos os indícios apontam que Felipe Massa também deverá permanecer, o que fecharia mais uma porta para o alemão.

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A questão que surge é: com um mercado pouco atrativo, Hulkenberg teria a motivação de ficar um outro ano com possibilidades reais de ficar mais uma vez no pelotão intermediário? O questionamento poderá ficar ainda mais forte em sua cabeça depois de sua vitória em Le Mans, que lhe mostrou, na prática, que é possível ter uma vida vitoriosa fora da F1.

Mas é sempre bom lembrar: o anúncio de Raikkonen foi apenas a primeira peça concreta que começa a se encaixar para a temporada de 2016. Como a própria novela Bottas-Ferrari mostrou, o que parece certo agora pode não ser confirmado pouco tempo depois. Por isso, todos fiquem atentos: o jogo está só começando.

O que você acha que irá acontecer a seguir no mercado de pilotos para 2016? Deixe seu comentário no espaço abaixo! 

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Bruno Ferreira

Sempre gostou de automobilismo e assiste às corridas desde que era criança. A paixão atingiu outro patamar quando viu – e ouviu – um carro de F1 ao vivo pela primeira vez. Depois disso, o gosto pelas corridas acabou se transformando em profissão. Iniciou sua trajetória como jornalista especializado em automobilismo em 2010, no mesmo ano em que se formou, quando publicou seu primeiro texto no site Tazio. De lá para cá, cobriu GPs de F1 no Brasil e no exterior, incluindo duas decisões de título (2011 e 2012), além de provas de categorias como Indy, WEC, WTCC e Stock Car.

  • Gustavo e Vicente,

    Realmente, a Mercedes parece que está fazendo de tudo para colocar o Wehrlein na F1. Eles estão dando tratamento de estrela para o garoto no DTM, além de colocá-lo para testar na F1 tanto com os carros da Mercedes quanto na Force India.

    Mas, sinceramente, tenho minhas dúvidas se veremos a estreia do Wehrlein na Force India. Há pouco tempo, o chefe da Force India falou que não é muito chegado a pegar pilotos que já tenham contrato de longa duração com alguma outra marca/equipe. “Queremos ficar de olho no futuro a longo prazo, e não em somente preparar alguém para outra equipe”, disseram em 2013 (http://www.autosport.com/news/report.php/id/110484).

    A Sauber parece ser uma equipe mais aberta nesse sentido, já tendo abrigado pilotos da mesma Mercedes (Karl Wendlinger e Heinz-Harald Frentzen) e da Ferrari (Nicola Larini, Felipe Massa) no passado. Mas um acerto entre Sauber-Mercedes parece improvável por enquanto. Vamos ver o que acontece.

  • Vicente Camara

    Acho que a definição dos pilotos da Haas também pode ajudar a dar uma sacudida. Pilotos vinculados a Ferrari (“Gutierrros” e o Vergne) tem boa chance de assumirem, mas acho que uma das vagas pode sobrar para algum piloto de outra equipe (Hulkenberg, por exemplo, pois há indícios de que a Force India pode colocar o Pascal Werlhein no lugar dele)… quem viver verá

  • Gustavo Segamarchi

    “Raikkonen poderia servir como “tampão” para a Ferrari em 2016″!

    Eu não acho que poderia, eu acredito que SEJA. Essa renovação foi tipicamente uma manobra da Ferrari para não ter que pagar a rescisão de contrato do Bottas para a Williams.

    Está na cara que o Bottas é o cara mais cotado para 2017, só que a grana fala mais alto. Se Não tem que pagar nada, que venha. Se tem que pagar muito, espera o contrato vencer.

    Na minha opinião, acho que contratar o Ricciardo seria mais interessante, pois o cara é bom e deu um sufoco no IVettel o ano passado, mas acredito que enquanto o IVettel estiver na Ferrari, o Ricciardo não teria chances, pois o Baby Schumy iria vetá-lo.

    Tem uma notícia no Autoracing, onde o ex-piloto Mika Salo dá a sua opinião, e a ideia central desse desdobramento do mercado de pilotos está caindo, sabe em cima de quem:

    Da Renault. Vejam a declaração do Mika Salo:

    “Os outros pilotos terão seus futuros definidos quando a Renault decidir se terá uma equipe de fábrica ou não”

    Está aqui o link da notícia:

    http://www.autoracing.com.br/f1-ferrari-foi-sensata-ao-renovar-com-raikkonen-diz-salo/

    Um abraço.

    • Pois é, existem várias outras peças bastante interessantes nesse quebra-cabeças. Se a Lotus voltar para as mãos da Renault, pode haver mudanças por lá – e acredito que o Maldonado acabaria sobrando. Até acho que ele é bom piloto, apesar de errar demais, mas seu desempenho está sendo bem mediano desde que saiu da Williams.

      Mas isso é algo que deve ser definindo em breve. Se a Lotus (ou qualquer outra equipe) ser adquirida pela Renault, isso dificilmente vai ser anunciado em cima da hora. A Renault precisaria de um tempo considerável pra fazer seus preparativos, até mesmo na adaptação do projeto do chassi do ano que vem, que teria de ser adaptado para abrigar o motor Renault.

      Enfim, mesmo que as principais peças do mercado se mantenham, ainda tem muita coisa interessante que pode acontecer pra 2016…

      • Gustavo Segamarchi

        Obrigado pela resposta, Bruno!

        Hoje eu estava assistindo ao 2º treino livre no Sportv, e o Sérgio Maurício falou que a Sauber pode vir com o motor da Renault o ano que vem, Bruno.

        Minhas dúvidas são:

        Você tem ideia de quanto mais barato é o motor da Renault em relação ao da Ferrari?

        Seria vantagem para a Sauber se ela se tornasse a equipe principal da Renault(Como é a RBR hoje), ao invés de a Renault comprar a Lotus?

        Grato.

        • Até onde se fala na Europa, o custo pelo motor Renault é ligeiramente mais baixo do que o da Ferrari (€ 16 milhões, contra € 18 milhões dos italianos). Isso, claro, são valores estimados. Mas varia de caso pra caso.

          Por exemplo, a Sauber tem historicamente boa relação com a Ferrari, sendo que eles são parceiros há quase 20 anos (exceto a fase em que o time virou BMW). Além disso, há alguns outros fatores que influenciam: em 2015, a Sauber acolheu como reserva o Raffaele Marciello, que é piloto de desenvolvimento da Ferrari. Então, dificilmente a Sauber não deve receber um bom desconto nesse pagamento.

          Já a Toro Rosso paga “na íntegra” os motores Renault, ao contrário da Red Bull – que, por ser a equipe oficial, os recebe praticamente de graça.

          Então, é difícil dizer se pra Sauber seria bom negócio perder a boa relação com a Ferrari e mergulhar numa negociação arriscada com a Renault, correndo o risco de pagar mais para receber um produto inferior. Como disse recentemente o Helmut Marko, pode ser mais vantajoso receber um motor Ferrari de segunda linha do que o melhor motor da Renault…

          • Gustavo Segamarchi

            Bruno,

            A Sauber teve uma parceria com a Mercedes no passado. Não seria interessante retornarem com o motor da Mercedes e darem uma chance como titular ao Pascal Wehrlein?

            Grato.