Red Bull chega ao seu GP de casa em meio à maior crise de sua história

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Quando decidiu investir pesado na F1, a Red Bull tinha em mente um plano ambicioso. A ideia partia da compra de um time próprio, a contratação do projetista mais cobiçado do paddock, a formação de um piloto campeão, até a conquista do título. A cereja do bolo foi recolocar do GP da Áustria no calendário, em um circuito que havia acabado de adquirir. Ironicamente, a equipe chega à corrida deste ano no Red Bull Ring em meio à sua maior crise desde que passou a fazer parte do pelotão da frente.

Muito vem sendo falado da insatisfação do time com sua fornecedora de motores, a Renault, com críticas sendo disparadas abertamente, sem grande diplomacia, desde o início da temporada. Mesmo assim, o desentendimento entre as duas partes ganhou um novo capítulo após o GP do Canadá, que foi considerada uma das piores corridas da Red Bull em um longo tempo.

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Desentendimento de Renault com Red Bull fica cada vez mais grave (Divulgação)
Desentendimento de Renault com Red Bull fica cada vez mais grave (Divulgação)

As reclamações públicas dos austríacos quanto à falta de potência e confiabilidade chegaram a tal ponto que a Renault praticamente implorou por uma trégua, alegando que a postura do time está ferindo a confiança da fornecedora.

A Red Bull, aparentemente, não deu muita bola ao pedido. Uma informação recente do jornal alemão “Sport Bild” indica que o time considera romper a parceria para voltar a ser cliente da Ferrari. A matéria inclusive conta com uma declaração nada polida de Helmut Marko, consultor da marca, que minimizou a possibilidade de não ser tratado como prioridade pelos italianos caso de fato a parceria se oficialize.

“Até mesmo uma versão B do motor Ferrari seria melhor que a versão A do motor Renault”, disparou Marko

Em um cenário atual, é difícil imaginar Red Bull e Ferrari firmando acordo técnico, e não seria absurdo duvidar que a notícia tenha sido “plantada” pela própria equipe austríaca para impor pressão ainda maior na Renault. Mas o fato é que a crise atingiu um patamar inédito.

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No entanto, com o progredir da temporada, pode-se concluir cada vez mais que os problemas da Red Bull vão muito além do fraco propulsor francês. O modelo RB11 não possui o mesmo equilíbrio de seus antecessores, o que fez Daniel Ricciardo, desolado, admitir que a situação do carro é pior do que “seus pesadelos mais loucos”.

Chances de reação na Áustria? Poucas. O carro deve encontrar dificuldades para render bem nas longas retas do Red Bull Ring, com desvantagem para os carros impulsionados por Mercedes e Ferrari. Para piorar, a equipe está à beira de utilizar, em seus dois carros, sua quinta unidade de potência, o que renderia a Ricciardo e Daniil Kvyat punições de dez posições no grid. A coisa está feia.

NA FRENTE, NADA DEVE MUDAR

Corrida de 2014 teve domínio da Mercedes (Divulgação
Corrida de 2014 teve domínio da Mercedes (Divulgação

A luta pelas primeiras posições do GP da Áustria não deverá sofrer grandes alterações em relação ao visto em Montreal, há duas semanas. O modelo W06 da Mercedes é completo e versátil o suficiente para apresentar bom rendimento em qualquer tipo de circuito, o que dá a Nico Rosberg e, principalmente, a Lewis Hamilton o posto de favoritos à vitória no Red Bull Ring.

Mas vale ficar de olho no rendimento da Ferrari. Na última corrida, a Scuderia contou com uma unidade de potência atualizada, que prometia deixá-la um pouco mais próxima da Mercedes. Entretanto, Sebastian Vettel e Kimi Raikkonen tiveram participações conturbadas no Canadá, e, apesar de o ritmo ter sido promissor nos treinos e em parte da corrida, não foi possível ver o ritmo real do SF15-T. Na Áustria as respostas deverão ser mais claras.

Quem também deverá ter corrida competitiva dentro de sua realidade é a Williams, cujo conjunto, via de regra, apresenta bom rendimento em circuitos de longas retas. No GP do Canadá, também com velocidades mais altas, Valtteri Bottas fez frente à Ferrari e se aproveitou do vacilo de Raikkonen para abocanhar o primeiro pódio do time em 2015.

Massa foi pole na Áustria em 2014 (Divulgação)
Massa foi pole na Áustria em 2014 (Divulgação)

Já Felipe Massa espera encontrar na Áustria a corrida limpa que não conseguiu ter na última etapa disputada. Como incentivo, o brasileiro ainda tem fresca na memória a pole position que conquistou por lá em 2014, sua primeira em mais de cinco anos e a única vez até então em que um grid de largada com os motores V6 turbo não contou com uma Mercedes na ponta.

Para Felipe Nasr, o prognóstico parece menos animador. O piloto e sua equipe, a Sauber, deverão permanecer na “zona da pasmaceira”, já que o motor atualizado da Ferrari provavelmente só ficará disponível para o time suíço a partir do GP da Bélgica, quando também implementará uma grande atualização em seu carro. Até lá, pontos devem ser raros.

GP DA ÁUSTRIA – CIRCUITO RED BULL RING

Mapa - Áustria

Data: 21/06/2015
Extensão do circuito: 4,326 km
Número de voltas:
71
Pneus:
supermacios e macios
Pole position em 2014:
F. Massa (Williams), 1:08.759
Vencedor em 2014: N. Rosberg (Mercedes)
Estratégia vencedora em 2014: duas paradas

HORÁRIOS

Sexta-feira
Treino livre 1:
5h – 6h30
Treino livre 2: 9h – 10h30

Sábado
Treino livre 3:
6h – 7h
Classificação: 9h – 10h

Domingo
Corrida:
9h

Horários de Brasília

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Bruno Ferreira

Sempre gostou de automobilismo e assiste às corridas desde que era criança. A paixão atingiu outro patamar quando viu – e ouviu – um carro de F1 ao vivo pela primeira vez. Depois disso, o gosto pelas corridas acabou se transformando em profissão. Iniciou sua trajetória como jornalista especializado em automobilismo em 2010, no mesmo ano em que se formou, quando publicou seu primeiro texto no site Tazio. De lá para cá, cobriu GPs de F1 no Brasil e no exterior, incluindo duas decisões de título (2011 e 2012), além de provas de categorias como Indy, WEC, WTCC e Stock Car.