Revolução do WRC em 2017 busca reviver nostálgico Grupo B

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A temporada de 2017 do Mundial de Rali, que começa neste 19 de janeiro em Mônaco, é certamente uma das mais aguardadas pelos fãs da modalidade em muito tempo. Se na F1 teremos uma grande mudança no regulamento este ano, a mudança no campeonato off-road também é gigantesca, e mexe com a expectativa e cabeça de todos.

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Com a queda de público, principalmente nos anos 2000, os organizadores do campeonato chegaram à conclusão que precisavam retomar na competição uma sensação que existiu principalmente nos anos 80, com o Grupo B, época em que competiram os carros mais impressionantes e espetaculares da história. Se você não conhece a passagem, leia aqui no Projeto Motor.

Audi Sport Quattro, do Grupo B, em salto
Audi Sport Quattro, do Grupo B, em salto

O caminho encontrado para esta nova fase do WRC foi de deixar os carros mais potentes, aumentar a eficiência aerodinâmica e aumentar a liberdade para que fabricantes pudessem trabalhar na carenagem dos veículos, acreditando na criação de um visual mais excitante. A partir deste momento, foram dois anos de discussão em um Grupo de Trabalho, costura política com montadoras e fornecedores, até que se chegou em um novo formato técnico.

É todo um novo momento para o campeonato, que espera voltar aos seus áureos tempos. Vindo de um período de 13 anos em que apenas Citroen (2004-12) e Volkswagen (2013-16) conquistaram o título de pilotos de forma consecutiva (Ford levou entre os construtores em 2006 e 07), a chegada de novas marcas, apesar da desistência dos atuais campeões, também faz todos acreditarem em uma era de mais equilíbrio.

A Citroen, que escolheu ficar de fora da última temporada com seu time oficial para se preparar melhor para o novo regulamento, está de volta. A M-Sport segue representando a Ford e terá agora ao volante o atual tetracampeão Sebastien Ogier, enquanto a Hyundai, que vem de duas vitórias em 2016, segue com o desenvolvimento de sua equipe própria em seu quarto ano consecutivo.

E para apimentar ainda mais as coisas, a Toyota retorna à modalidade após um hiato de 18 anos, em uma operação de desenvolvimento supervisionada pelo tetracampeão dos anos 90, Tommi Mäkinen, e que contará com Jari-Matti Latvala como principal piloto.

A própria Volks pode aparecer de surpresa durante o ano, não com um time oficial, mas como fornecedora, já que a decisão de não participar com sua equipe em 2017 saiu depois do desenvolvimento de seu Polo R pela equipe de competição da marca. A utilização do modelo alemão por equipes independentes, no entanto, depende de uma negociação com a FIA por uma nova data para homologação do carro, pois o projeto não passou pela inspeção na data limite prevista pelo regulamento. .

O novo regulamento

De qualquer forma, o fator que mais cria espera para essa temporada é certamente o novo carro. E é fácil entender isso. Uma rápida lida no novo regulamento já nos dá uma bela amostra do salto de desempenho que veremos.

O motor seguirá do mesmo tamanho, de 1,6 litro, porém, com um o aumento do diâmetro do restritor de ar do turbo de 33 para 36mm. Mesmo com a pressão do turbo mantida em 2,5 bar, a potência do motor deve crescer com esta pequena mudança dos 300 para os 380 cavalos, algo equivalente à principal especificação do Mundial de Turismo. A capacidade de torque será de 450 Nm.

O novo Toyota Yaris WRC de 2017
O novo Toyota Yaris WRC de 2017

Além disso, o peso mínimo dos veículos baixará em 25kg, de 1.200kg para 1.175kg, o que irá melhorar ainda mais a relação peso x potência desses carros. Sim, faça as contas e você verá que a diferença é enorme.

Só mais potência, porém, não era o bastante. Os carros também serão [muito]mais eficientes na aerodinâmica. A asa traseira será mais larga e o regulamento dará mais liberdade às equipes no desenvolvimento. O novo regulamento também aumenta o tamanho dos paralamas dianteiros e traseiros, o que, além de ganho aerodinâmico, deve fazer com que o visual lembre os modelos dos anos 80.

Os organizadores também deixaram os carros 55mm mais largos e desregulamentaram os difusores traseiros e as caixas de roda, deixando o desenvolvimento livre. Assim, além de novas áreas para as equipes trabalharem, acredita-se que o visual também ficará mais agressivo.

Ford Fiesta WRC desenvolvido pela M-Sport
Ford Fiesta WRC desenvolvido pela M-Sport

Para completar o pacote, o diferencial central ativo, banido em 2010, volta a ser aceito, e, pela primeira vez na história, sistemas eletrônicos de controle do diferencial serão permitidos.

Claro que você deve estar se perguntando: se tínhamos o Grupo B nos anos 80, por que estamos voltando à fórmula apenas agora? Na época, a rotina de acidentes, que incluíram mortes, se tornou um problema. Só que FIA e promotores do WRC estão confiantes que a evolução da tecnologia deixou os carros naturalmente bem mais seguros durante os anos.

Precaução contra este tipo de situação, no entanto, nunca é demais. A nova largura dos carros deixa pilotos e navegadores mais “centralizados” e protegidos. Eles também contarão com a instalação de uma nova geração de espumas de absolvição de impacto nos bancos, que deve diminuir o número de lesões em casos de batidas.

Consequências

Não foram poucos entre os que mostraram alguma preocupação que com o aumento da pressão aerodinâmica, os carros ficassem menos espetaculares para o espectador durante as etapas.

Mesmo com um visual mais agressivo, as saídas de traseira e forma de pilotagem tão característica do rali de velocidade poderiam mudar de uma forma que chamasse menos a atenção do público. Pilotos, no entanto, têm dito que o aumento da velocidade é tanto que as pessoas podem ficar despreocupadas em relação a este quesito. Bem pelo contrário, a tendência é de vermos ainda mais imagens destes modelos explorando os limites dos traçados off-road.

Para se ter ideia do resultado das modificações, algumas simulações apontam para que em alguns estágios os tempos sejam batidos em torno de 30 segundos. Sim, é muita coisa. Será uma chuva de recordes durante todo o ano.

Por isso tudo que dizemos que se você gostava de WRC e deixou de seguir, ou não acompanhou nos últimos anos por que nunca teve muito interesse, tente dar uma olhadinha na temporada que começa nesta semana, pois se você curte carro de corrida para valer, este ano promete.

 

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Lucas Santochi

Mais um fanático da gangue que criou vínculo com automobilismo desde a infância. Acampou diversas vezes nas calçadas ao redor de Interlagos para assistir aos GPs e nunca esqueceu a primeira vez que, ainda do lado de fora do autódromo, ouviu o barulho de F1 acelerando pela reta. Jornalista formado em 2004, passou por redações na época da TV Band e Abril, teve experiência na área de assessoria de comunicação esportiva até chegar ao site especializado em esporte a motor Tazio, em 2010. Passou pelas funções de redator, repórter (cobrindo diversas corridas no Brasil e exterior de F1, Indy, WEC, Stock Car, entre outras) e subeditor até o final de 2013, quando o veículo encerrou suas atividades. Trabalhou ainda como redator do UOL Esporte em 2014 até que decidiu se juntar com os outros três membros do Projeto Motor para investir na iniciativa.

  • Felipe Vasconcelos

    Até fiquei empolgado e fui olhar o preço do WRCplus, mas fica caro demais. Até fui procurar uns brothers para dividir haha mas não deu certo.

  • Guilherme Laporti

    Poderia voltar a exigência de um certo número de carros baseados no modelo de competição para homologação, poucas unidades, apenas para termos um carro competindo que é tangível de certa forma. Posso estar falando merda, mas eu pirava nos RS200 de rua dos anos 80 haahaha

  • Guilherme Reischl

    parabéns pela diversificação!

    • Lucas Santochi

      Valeu, Guilherme. Obrigado pela audiência também!