Rivalidade explosiva, brigas e novo campeão: a retrospectiva da F1 em 2016

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O ano de 2016 está chegando ao fim e ficará marcado como um período intrigante para o fã da F1. A temporada da categoria foi recheada de emoção, com corridas repletas de disputa, brigas na pista e a coroação de um novo campeão, Nico Rosberg.

Mais que isso, 2016 foi marcado por diversos acontecimentos de destaque não só dentro, mas também fora da pista. O ano viu a rixa interna da Mercedes explodir, o surgimento da estrela Max Verstappen, as despedidas de Jenson Button e Felipe Massa e o surpreendente adeus de Rosberg – que, no fim, poderá adiar a aposentadoria de Massa por enquanto.

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Para homenagear o interessante ano de 2016 nas pistas da F1, o Projeto Motor irá relembrar os principais acontecimentos dos últimos 12 meses, com, claro, todas as nossas análises sobre o que ocorreu. Vamos nessa!

INDÍCIOS DE UM NOVO MASSACRE

mercedes

Com poucas mudanças no regulamento técnico de 2015 para 2016, a expectativa da temporada da F1 era de um novo massacre da Mercedes. E isso foi visto logo nos testes de pré-temporada, em Barcelona. Os carros de Lewis Hamilton e Nico Rosberg mostraram velocidade e resistência impressionantes, enquanto que a Ferrari buscava mostrar evolução para encostar. Já Red Bull e Williams tentavam se recuperar e colar no pelotão da frente.

Porém, uma outra novidade dividiu opiniões ainda durante os testes da F1: um novo formato de treino classificatório havia sido aprovado, com a intenção de “apimentar” as ações no sábado. Alguns gostaram da ideia; outros, no entanto, questionaram se a mudança era necessária.

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MERCEDES DOMINA E ROSBERG DISPARA NA FRENTE

Rosberg comemora vitória em Xangai (Divulgação)
Rosberg comemora vitória em Xangai (Divulgação)

A primeira etapa da temporada contou com alguns fatos impressionantes, como a pontuação da estreante Haas e o assustador acidente de Fernando Alonso. Uma coisa, porém, não surpreendeu: a Mercedes seguia na frente, com a Ferrari logo atrás.

Aliás, a novidade estava na disputa interna do time alemão. Rosberg emendou quatro vitórias nas quatro primeiras provas e disparou na frente, enquanto que Hamilton, atrapalhado por erros e azares, ficou no prejuízo.

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SURGE UMA NOVA ESTRELA

Verstappen venceu uma das provas mais emocionantes de 2016 (Red Bull)
Verstappen venceu uma das provas mais emocionantes de 2016 (Red Bull)

Um acontecimento no GP da Rússia, no início de maio, teve consequências sérias na Red Bull. Daniil Kvyat, que cometeu erros nas voltas de abertura de sua corrida natal, foi rebaixado para a Toro Rosso, enquanto que Max Verstappen assumiu seu posto no time principal da marca de bebidas energéticas.

A mudança provocou reações de todo tipo, desde aqueles que criticaram a Red Bull por supostamente ser cruel demais com Kvyat, quanto aqueles que defendiam que a substituição era questão de tempo.

E o garoto holandês mostrou logo de cara que tem muita estrela. Após o acidente de Hamilton e Rosberg nos metros iniciais do GP da Espanha, Verstappen fez corrida impecavelmente cerebral e obteve sua primeira vitória na F1.

A Mercedes, em compensação, vivia períodos turbulentos. O choque entre Rosberg e Hamilton, que resultou em um abandono duplo, sacudiu o ambiente interno e provocou a ira de Toto Wolff e Niki Lauda. Os fãs, no entanto, ficaram na expectativa de uma briga repleta de drama dali em diante.

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HAMILTON REAGE E CLIMA VOLTA A ESQUENTAR NA MERCEDES

Hamilton

O acidente em Barcelona pareceu ter virado a maré na disputa interna da Mercedes. Dali em diante, Hamilton anotou cinco vitórias nas seis corridas seguintes, o que o fez assumir a liderança da tabela com certa folga para Rosberg.

Mas, claro, a disputa seguiu tensa. Os dois voltaram a colidir no GP da Áustria, o que evidenciava que não haveria trégua de nenhuma parte na luta pelo título. Mesmo assim, Hamilton parecia que estava com o tetracampeonato mundial encaminhado, ao passo que Rosberg, abatido, lutava para recuperar a confiança.

O período também representou uma marca negativa para o Brasil na F1. O país alcançou o maior jejum de vitórias de sua história na categoria, superando os 6 anos e 266 dias que separaram o último triunfo de Ayrton Senna e o primeiro de Rubens Barrichello, entre 1993 e 2000.

Enquanto isso, Felipe Nasr, que havia deixado boa impressão na Sauber em 2015, continuava se apresentando de forma apática, inclusive na disputa interna contra Marcus Ericsson.

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ROSBERG DÁ A VOLTA POR CIMA; BUTTON E MASSA DÃO ADEUS

Hamilton sofreu quebra "doída" em Sepang (Mercedes)
Hamilton sofreu quebra “doída” em Sepang (Mercedes)

Quem achou que Rosberg “entregaria os pontos” se enganou. Na volta da F1 de suas férias de verão, o piloto do carro #6 venceu três seguidas (Bélgica, Itália e Cingapura) e retornou ao topo do campeonato.

Além disso, Hamilton sofreu um duro golpe no GP da Malásia: quando estava prestes a vencer e voltar à briga, seu motor quebrou e o fez zerar. Ali já se sabia que o inglês teria uma missão duríssima pela frente para levar o tetra.

Neste período, dois grandes nomes da F1 anunciaram seu adeus das pistas: Felipe Massa e Jenson Button revelaram que deixariam a categoria em 2017. Outra novidade de bastidor prometeu mudanças importantes, com o grupo americano Liberty Media se tornando o novo dono da F1.

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HAMILTON TENTA DE TUDO, MAS TÍTULO É DE ROSBERG

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Sem outras opções para tentar o título, Hamilton vai à reta final do campeonato em modo de ataque total: vence nos Estados Unidos, vence no México, vence no Brasil e vence em Abu Dhabi. No entanto, Rosberg faz a lição de casa, e, com quatro segundos lugares, conquista seu primeiro título mundial.

O feito coroou uma campanha sólida por parte de Rosberg, que soube ser constante e regular na temporada mais longa que a F1 já teve. Porém, de forma surpreendente, o alemão anunciou sua aposentadoria em efeito imediato, o que abriu uma inesperada vaga na Mercedes para 2017. Isso, em uma reação em cadeia de acontecimentos, culminar no retorno de Felipe Massa à F1.

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Bruno Ferreira

Sempre gostou de automobilismo e assiste às corridas desde que era criança. A paixão atingiu outro patamar quando viu – e ouviu – um carro de F1 ao vivo pela primeira vez. Depois disso, o gosto pelas corridas acabou se transformando em profissão. Iniciou sua trajetória como jornalista especializado em automobilismo em 2010, no mesmo ano em que se formou, quando publicou seu primeiro texto no site Tazio. De lá para cá, cobriu GPs de F1 no Brasil e no exterior, incluindo duas decisões de título (2011 e 2012), além de provas de categorias como Indy, WEC, WTCC e Stock Car.

  • Luigi G. Peceguini

    Não entendo como a aposentadoria do Rosberg´pode causar a permanência do Massa… Alguém poderia me explicar?

    • Fala, Luigi. Com a saída do Rosberg, o Bottas se tornou o favorito a assumir o cockpit na Mercedes. Isso abre uma vaga inesperada na Williams – que já disse publicamente que só liberaria o finlandês para a Mercedes caso possa contar com um piloto experiente como o Massa para 2017.

      Ou seja, esse é o cenário que está pintando por aí: Rosberg sai, Bottas assume o lugar do alemão e o Massa assume o lugar do finlandês na Williams. Mas, claro, isso ainda não foi oficialmente confirmado. Abraços!

      • Luigi G. Peceguini

        Ah, agora entendi. Obrigado pela atenção!

        • castilho17

          Ja foi até noticiado que existe até um acordo entre o massa e a willians para ele voltar a ser piloto caso o bottas assine com a mercedes..

      • Luigi G. Peceguini

        Vocês tinham razão…