Rodas aro 18, mais potência e brasileiros: F2 também volta na Áustria

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Não é só a F1 que retoma suas atividades no GP da Áustria do próximo final de semana (03-05/07). As categorias de base do Mundial, a F2 e a F3, também vão para a pista no Red Bull Ring. E vale muito ficar de olho em ambas.

Para começar, porque teremos brasileiros nas duas. E nomes que valem bastante a pena acompanhar. Na F2, o campeonato mais próximo da F1, os concorrentes serão Felipe Drugovich, pela MP Motorsport, Pedro Piquet, pela Charouz Racing, e Guilherme Samaia, pela Campos. Na F3, teremos dois pilotos que trazem bom resultados nas últimas temporadas em competições menores: Enzo Fittipaldi, pela HWA, e Igor Fraga, pela Charouz. Para saber mais sobre cada um deles, leia este material que produzimos aqui no Projeto Motor.

A F2 ainda traz algumas novidades interessantes sobre o carro, o que pode embaralhar um pouco a competição. A Pirelli está introduzindo na categoria já nesta temporada as novas rodas de aro 18 polegadas, maiores. O equipamento também vai estrear na F1 em 2022, junto com o novo regulamento técnico.

A novidade, porém, trouxe a necessidade de alguns ajustes no chassi e motor. Com tudo isso, a expectativa é de que como as equipes também terão que se virar quanto ao acerto dos carros, que deve mudar consideravelmente.

A novas rodas da F2

O objetivo das novas rodas de aro 18 polegadas é de que a F1 e sua principal categoria de acesso, a F2, usem peças mais próximas esteticamente do que se tem hoje no mercado automotivo. Os pneus com perfil mais baixo também lembrarão mais os esportivos que vemos nas ruas.

Como a Pirelli é fornecedora dos dois campeonatos, a ideia de se utilizar as novas rodas primeiro na F2 é de se coletar dados sobre o novo equipamento antes que ele também seja adotado na F1. O campeonato de formação, por ter chassis monomarca, propicia uma boa base de testes para a empresa italiana que depois irá levar a novidade para o Mundial. A estreia na F1 anteriormente estava prevista para 2021, mas, com o adiamento da introdução do novo regulamento técnico para 22, as novas rodas também ficaram para o ano seguinte.

Novas rodas da F2 mudam visual do carro
Novas rodas da F2 mudam visual do carro (Foto: Dutch Photo Agency/Red Bull Content)

E o que muda além da estética? Bastante coisa. Logo de cara, podemos apontar o acerto de suspensão, já que com menos parede lateral, os pneus irão absorver menos forças, tanto laterais como horizontais. A suspensão terá que receber esta força extra. A resposta do carro no volante também será mais rápida, o que também exigirá um pouco mais dos pilotos.

O segundo ponto importante é que as novas rodas adicionam um peso de 30 kg ao carro. Isso é bastante. Além de alterar a distribuição do peso, tem uma questão de desempenho também. Desta forma, os engenheiros da F2, em parceria com a fabricante do chassi, a Dallara, resolveram melhorar o desempenho do modelo para tentar neutralizar a perda que alteração poderia trazer. Isso em um ambiente em que não se pode gastar muito dinheiro nem onerar as equipes com algum investimento em carros novos.

“Como sempre, controle de custos continua um aspecto chave deste campeonato, então, uma das grandes mudanças do projeto foi de fazer as alterações necessárias com um orçamento razoável, e isso pudemos fornecer às equipes com uma atualização de kit mais barata possível”, explicou Didier Perrin, diretor técnico da F2, em comunicado da categoria.

O primeiro ajuste foi na aerodinâmica. Uma mudança nas asas ou no assoalho seria algo muito caro. Então, F2 e Dallara criaram uma extensão do assoalho que gera uma pressão extra por baixo do carro. A segunda mudança foi feita quase que a custo zero, já que exigiu apenas tempo de trabalho de engenheiros para desenvolver um novo mapeamento do motor, sem alterações físicas no equipamento. A equipe conseguiu assim adicionar mais 20 cavalos de potência, deixando os modelos mais fortes.

Pedro Piquet, durante os testes da F2 no Bahrein
Pedro Piquet, durante os testes da F2 no Bahrein (Divulgação/Charouz)

Com mais pressão aerodinâmica e alguns cavalos a mais no motor, a F2 acredita que deve compensar o peso extra das rodas no desempenho geral do carro. Após os testes de pré-temporada realizados no Bahrein, antes da paralisação por conta da pandemia, os carros se mostraram até um pouco mais rápidos do que os do ano passado.

“O nível de programação e de pressão aerodinâmica são um pouco diferentes, então, no geral, o carro talvez seja um pouco mais rápido, mas vai depender da pista. Acho que nas pistas de alta velocidade deveremos ver melhor o aumento de desempenho”, apontou Perrin.

Existe, porém, uma notícia ruim para o fã brasileiro. Em 2020, não teremos transmissão da F2 para o país. Ou pelo menos até o momento, nenhum canal ou serviço de streaming fechou acordo para isso. Assim, quem quiser acompanhar a categoria terá que contentar com vídeos de melhores momentos no canal no Youtube da F1.

Ficha técnica do F2 2020

Dimensões
Comprimento: 5.224mm
Largura: 1.900mm
Altura: 1.097mm (incluindo câmera de TV)
Entreeixos: 3.135mm
Peso: 755 kg (incluindo câmera de TV)
Monocoque em carbono com estruturas da carenagem em colmeias de Kevlar

Motor Mecachrome
V6 de 3,4 litros turbo
Potência: 620 cv a 8.750 RPM
Torque: 570 Nm a 6.000 RPM
Acelerador com sistema Fly by Wire

Caixa de Câmbio
6 velocidades longitudinal sequencial Hewland
Comando eletro-hidráulico via paddles shift no volante
Embreagem em carbono

Desempenho
Aceleração 0-100 km/h: 2s9
Velocidade Máxima: 335 km/h (configuração aerodinâmica para Monza com DRS aberto)
Desaceleração máxima em frenagem: -3,5G
Aceleração máxima lateral: +/- 3,9G

Calendário 2020

Provas confirmadas até o momento da F2 e da F2

03-05/07 – Red Bull Ring
10-12/07 – Red Bull Ring
17-19/07 – Hungaroring
31/07-02/08 – Silverstone
07-09/08 – Silverstone
14-16/08 – Catalunha
28-30/08 – Spa-Francorchamps
04-06/09 – Monza


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Lucas Santochi

Mais um fanático da gangue que criou vínculo com automobilismo desde a infância. Acampou diversas vezes nas calçadas ao redor de Interlagos para assistir aos GPs e nunca esqueceu a primeira vez que, ainda do lado de fora do autódromo, ouviu o barulho de F1 acelerando pela reta. Jornalista formado em 2004, passou por redações na época da TV Band e Abril, teve experiência na área de assessoria de comunicação esportiva até chegar ao site especializado em esporte a motor Tazio, em 2010. Passou pelas funções de redator, repórter (cobrindo diversas corridas no Brasil e exterior de F1, Indy, WEC, Stock Car, entre outras) e subeditor até o final de 2013, quando o veículo encerrou suas atividades. Trabalhou ainda como redator do UOL Esporte em 2014 até que decidiu se juntar com os outros três membros do Projeto Motor para investir na iniciativa.