Roger Penske: o habilidoso piloto que se tornou líder de um império

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Não existe muita dúvida de que quando falamos de Roger Penske mencionamos um personagem de sucesso absoluto. Um ótimo piloto entre o final dos anos 50 e começo dos 60, empresário que se tornou líder de um conglomerado de bilhões de dólares e uns dos donos de equipe mais vitoriosos da história do automobilismo americano.

“O Capitão” completou 80 anos de idade no último dia 20 de fevereiro. E não dá mostras de que estaria desacelerando. De jeito nenhum. Se o seu histórico já é enorme, o futuro de seus negócios e times de corrida parecem continuar promissores. E não é para menos. A união de seu tino empresarial com sua paixão por carros – e corridas – seguem intactos e cheios de novos frutos surgindo ano após ano.

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Filho de um executivo de uma indústria metais, Penske nasceu em Shaker Heights, Ohio, em 1937. Ainda adolescente, no começo dos anos 50, ele começou a ganhar dinheiro comprando carros velhos e revendendo após reforma-los (sem perder a chance de correr com alguns deles antes) com um bom lucro. O clique foi imediato, e ele percebeu que sua vida estaria para sempre ligada ao setor automotivo.

Sua carreira como piloto profissional começou em 1958, aos 21 anos, quando ele entrou em sua primeira corrida oficial, da SCCA, no Marlboro Motor Raceway, em Maryland. E logo de cara ele mostrou ao mundo do automobilismo que viria para fazer história. Ele permaneceu em segundo durante 13 das 20 voltas da prova, perseguindo o líder de perto o tempo todo, até ser obrigado a abandonar por conta de um superaquecimento no motor.

Roger Penske no comando de seu Porsche
Roger Penske no comando de seu Porsche

Nos anos a seguir, ele se tornou um dos grandes nomes das pistas, com três títulos nacionais e diversas vitórias em corridas importantes, sempre reformando e modificando carros que ele comprava para conseguir vender mais caro após os triunfos. Passaram por suas mãos modelos como Corvette, MG, Jaguar, Maserati, Porsche, entre outros. Assim, ele se tornou um dos grandes pilotos dos Estados Unidos, batendo ícones locais.

Com um Cooper, ele chegou até mesmo a participar do GP dos EUA de F1 de 61, terminando em bom oitavo lugar em Watkins Glen. No ano seguinte, com um desempenho parecido, ele chegou em nono, desta vez de Lotus 24. Algumas publicações americanas da época chegaram a eleger Penske como o nome que poderia vir a ser o grande piloto do país no Mundial durante a década de 60, pelos resultados que já vinha mostrando nos nacionais e sua juventude.

O mais impressionante deste período é que, paralelamente ao sucesso nas pistas, ele ainda encontrou tempo para formar na Universidade de Lehigh em Administração Industrial e manter um emprego de vendedor engenheiro na Alcoa, uma das maiores empresas de alumínio do mundo.

roger Penske mark donahueEm 1965, porém, ele chocou a muitos ao anunciar que estava se aposentando. Ele assumiria de vez o posto de executivo, nas pistas e fora delas. Nos negócios pessoais, ele tinha recém adquirido uma concessionária Chevrolet, na Pennsylvania, onde já vinha trabalhando como gerente geral desde 63. O automobilismo não ficaria de fora de sua vida. A ideia de pendurar as luvas de piloto tinha como objetivo, na verdade, manter o foco em sua nova empreitada: a equipe de corridas, que seria fundada em parceria com o engenheiro e piloto Mark Donohue.

A estreia aconteceu nas 24 Horas de Daytona de 66. O começo foi difícil, com uma temporada inicial complicada, mas um triunfo no final do ano, empolgou a todos. Não deu outra. No segundo campeonato, com um Lola T70 MKIII equipado com motor Chevrolet, Donahue venceu o Campeonato da SCCA.

Até o final da década de 60, o time também já estava também na Indy. No começo dos anos 70, a empresa participava com sucesso em diversas categorias, com triunfos nas 500 Milhas de Indianápolis de 72 e em corridas da Nascar, a partir de 73. Na F1, a equipe chegou a entrar em 40 GPs, entre 1974 e 77, com um cartel de uma vitória, três pódios e o quinto lugar entre os construtores em 76, entre 13 times que pontuaram.

Roger Penske em sua empreitada na F1, com seu piloto John Watson
Roger Penske em sua empreitada na F1, com seu piloto John Watson

Apesar da morte do companheiro Donohue, em 75, durante os treinos do GP da Áustria, Penske seguiu ganhando o mundo e criando um império. Nos negócios, o que começou com uma concessionária e cresceu para uma empresa de aluguel e leasing de caminhões, se tornou um grande conglomerado, que inclui uma enorme rede de vendas de carros presente em todo o território dos Estados Unidos, uma transportadora, e diversos outras empresas ligadas ao setor automotivo e logística. Segundo o revista Forbes, o faturamento do Grupo em 2015 chegou a U$ 26 bilhões [cerca de R$ 89 bilhões].

Roger Penske e Emerson Fittipaldi, em 1993
Roger Penske e Emerson Fittipaldi, em 1993

Nos últimos anos, seu nome já começou a ser bastante ventilado para cargos políticos. Ele já declinou a um convite de candidatura a prefeito de Detroit, mas setores ligados à indústria de Michigan agora tentam convencê-lo a concorrer no futuro ao senado.

Dentro das pistas, a equipe Penske se tornou um monstro. É o time com mais vitórias na história das 500 Milhas de Indianápolis, 16, e soma 14 títulos da Indy. Em 2016, não só se sagrou campeã, com Simon Pagenaud, como garantiu ainda as três primeiras posições da classificação geral, com Will Power e Hélio Castroneves. Na Nascar, possui dois triunfos nas 500 Milhas de Daytona e o título de 2012, com Brad Keselowski. Ela também está presente hoje na Supercars Australiana (ex-V8).

Aos 80 anos, Penske segue liderando seus negócios e suas equipes de corrida, com a mesma motivação de sempre. O seu legado, além da enorme fortuna construída fora das pistas, é também de ser um dos mais vitoriosos personagens do automobilismo americano, não só pelos troféus que erguei, mas pelo sucesso na difícil missão de construir uma equipe de competição, que em 2016 comemorou seus 50 anos e cada vez mais forte.

 

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Lucas Santochi

Mais um fanático da gangue que criou vínculo com automobilismo desde a infância. Acampou diversas vezes nas calçadas ao redor de Interlagos para assistir aos GPs e nunca esqueceu a primeira vez que, ainda do lado de fora do autódromo, ouviu o barulho de F1 acelerando pela reta. Jornalista formado em 2004, passou por redações na época da TV Band e Abril, teve experiência na área de assessoria de comunicação esportiva até chegar ao site especializado em esporte a motor Tazio, em 2010. Passou pelas funções de redator, repórter (cobrindo diversas corridas no Brasil e exterior de F1, Indy, WEC, Stock Car, entre outras) e subeditor até o final de 2013, quando o veículo encerrou suas atividades. Trabalhou ainda como redator do UOL Esporte em 2014 até que decidiu se juntar com os outros três membros do Projeto Motor para investir na iniciativa.

  • Dox

    Se a F1 não tivesse altos custos de desenvolvimento ao impor novas regras todos os anos, poderíamos ver Roger, e outros, participando do campeonato e enriquecendo o grid.
    Acho que estamos prestes a ver sua aposentadoria, pois controlar a adrenalina aos 80 anos não deve ser fácil.

    • Cassio Maffessoni

      Infelizmente com esses regulamentos mais recentes, é praticamente impossível atrair competidores dessa qualidade, creio que eles não entrariam na Fórmula 1 pra passar vergonha ou simplesmente fazer peso histórico para agradar a nós fãs. O máximo que podemos ter de “novo” é equipes de fundo de quintal, o que soaria como uma esmola bem fuleira pra aumentar o número do grid.