Saiba quem são os brasileiros em programas de pilotos e na base da F1

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O Brasil já está desde 2018 sem representantes na F1. Mesmo na época em que Felipe Massa era o último piloto do país na categoria, já se imaginavao um futuro difícil pela falta de novos brasileiros em programas de formação das equipes e nas categorias de base que orbitam o Mundial. Isso parece que está mudando.

Apesar de ainda não ter ninguém na F1, algumas notícias importantes para o automobilismo brasileiro podem animar os torcedores. Na última semana, dois pilotos entraram no programa da Red Bull, time que se parece muita vez cruel com seus jovens, por outro, tem a tradição de levar todos que se destacam à F1.

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Sérgio Sette Câmara já tinha participado em 2016, mas tinha perdido a vaga por falta de resultados. Depois de três campanhas em que somou 18 pódios e três vitórias na F2, se tornando um dos destaques entre brasileiros no exterior, ele recebeu uma nova chance para 20 e será piloto de testes da Red Bull e da equipe B da empresa, a Alpha Tauri.

A grande novidade da semana, no entanto, foi o anúncio da contratação de Igor Fraga pela companhia austríaca. O brasileiro nascido no Japão tem uma carreira bem interessante. Campeão da F3 Brasil em 2017, ele chegou a ir para os Estados Unidos no ano seguinte para competir na USF2000, campeonato da base da Indy, indicando que a F1 poderia ficar fora dos planos. Ele terminou a competição em quarto, mas um outro desempenho chamou mais a atenção.

Fraga participou naquela temporada do Gran Turismo Championships, primeiro torneio homologado pela FIA de eSports. E venceu a competição, que teve a final disputada em Mônaco. Mais tarde naquele ano, ele conquistou o título de outra competição de automobilismo virtual, promovida pela McLaren.

Esse sucesso chamou a atenção de muita gente, inclusive patrocinadores ligados a games. Fraga então recebeu a chance de competir em 19 na F-Regional Europeia, a antiga F3 Europeia, conquistando quatro vitórias e terminando na terceira posição da classificação geral, atrás apenas da dupla da dominante equipe Prema, Frederik Vesti e Enzo Fittipaldi.

Igor Fraga, em sua campanha vitoriosa na Toyota Racing Series de 2020 (Foto: Toyota Racing/Divulgação)

A temporada de 2020 começou bastante promissora para Fraga. Primeiro, ele foi confirmado pela equipe Charouz para competir na F3, campeonato que segue a programação dos GPs da F1. Depois, ele participou com sucesso da Toyota Racing Series, uma espécie de competição de pré-temporada na Nova Zelândia, em que levou o título.

Nesta semana, o brasileiro de 21 anos foi finalmente anunciado como integrante do programa de formação da Red Bull, se juntando a outros oito jovens pilotos que lutam por uma vaga na F1. Entre as vantagens de estar na estrutura, ele terá acesso à estrutura do time austríaco de preparação e terá parte de seus custos para correr pagos pela empresa austríaca.

Brasileiros na F2

O Brasil terá em 2020, quando a temporada do automobilismo for reiniciada, três representantes na F2, categoria de base mais próxima da F1.

Pedro Piquet chega com a força do sobrenome e uma boa experiência para quem tem apenas 21 anos. Bicampeão da F3 Brasil em 2014 e 15, ele passou por duas temporadas na F3 Europeia e nos últimos dois anos competiu na GP3/F3 (categoria rebatizada com o segundo nome em 19).

Neste tempo, ele somou três vitórias e sete pódios no total, terminando em 2019 na quinta posição na geral. Ele irá correr pela Charouz Racing em 2020.

O segundo brasileiro na F2 nesta temporada será Felipe Drugovich. O paranaense já tem uma carreira de bons resultados na Europa, mesmo não recebendo apoio de nenhum programa de equipes. Campeão da MRF Challenge 2017-18, competição de pré-temporada na Índia, ele ainda conquistou o título da Euroformula Open mais tarde naquele ano de forma incrivelmente dominante, com 14 vitórias e 16 pódios em 16 provas.

Felipe Drugovich destruiu a concorrência na Eurofomrula Open

Em 2019, ele teve uma jornada difícil na F3, terminando apenas na 16ª posição da classificação geral. Mesmo assim, conseguiu uma vaga para correr pela MP Motorsports na F2.

O último brasileiro confirmado na série para 2020 foi Guilherme Samaia. Campeão da F3 Brasil de 2017, ele ainda não tem resultados importantes na Europa, após duas temporadas na Euroformula Open. Ele conseguiu um acordo para competir pela Campos Racing.

Brasileiros fortes na F3

A expectativa para F3 em 2020 é alta para os brasileiros. Além de Igor Fraga, o país também verá Enzo Fittipaldi, neto de Emerson, competir na categoria.

Ao contrário do irmão Pietro, Enzo faz uma carreira voltada para a Europa desde o início. Logo em sua transição do kart para os carros, ele foi contratado pela Academia Ferrari, que o tem apoiado em seus passos desde então.

Enzo Fittipaldi segue a forte tradição de sua família (Foto: Divulgação)

Em 2018, o brasileiro nascido nos Estados Unidos venceu a F4 Italiana e terminou na terceira posição na versão alemã da competição. Ano passado, ele foi vice-campeão da F-Regional Europeia em uma campanha irregular pela Prema, o melhor time do campeonato. Enzo irá competir pela equipe HWA na F3.

F-Renault Eurocup

Uma das boas esperanças do automobilismo brasileiro, Caio Collet irá fazer seu segundo ano na F-Renault Eurocup em 2020. Em 2019, ele terminou na quinta posição na geral e o título simbólico de melhor estreante.

O paulista de 17 anos faz parte do programa de jovens da Renault desde o início de 2019, após ter conquistado o título da F4 francesa da temporada anterior. O início de 2020, porém, não foi dos melhores com um sexto lugar na Toyota Racing Series.

Por isso, Collet sabe que precisa buscar o título da Eurocup agora para se manter bem cotado dentro do programa da marca francesa. Ele seguirá na mesma equipe R-ace GP este ano.

F-Regional Europeia

Piloto com bons resultados internacionais no kart, Gianluca Petecof recebeu o apoio da Shell logo no início de sua carreira no automobilismo, o que também o levou para a Academia Ferrari.

Com o apoio da marca italiana, ele passou seus dois primeiros anos nas competições de carros nas F4 italiana e alemã, as duas mais fortes da série, sempre pela boa equipe Prema. Em 2018, ele já conquistou um quarto lugar na competição na Itália.

Em 2019, o piloto de 17 anos foi vice-campeão na F4 italiana e quinto na alemã. Com essas credenciais, ele foi promovido à F-Regional Europeia em 2020 para correr mais uma vez pela equipe Prema, parceira da Ferrari em categorias de base.

F4 Italiana e Alemã

A grande novidade entre os brasileiros para 2020 é Grabriel Bortoleto. Com uma carreira muito forte no kart, incluindo top três em campeonato mundial e europeu, ele faz sua estreia no automobilismo nesta temporada.

O primeiro passo já será na F4, onde competirá na Itália e na Alemanha ao mesmo tempo. O paulistano irá competir pela equipe Prema, uma das mais fortes das categorias de base europeias.


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Lucas Santochi

Mais um fanático da gangue que criou vínculo com automobilismo desde a infância. Acampou diversas vezes nas calçadas ao redor de Interlagos para assistir aos GPs e nunca esqueceu a primeira vez que, ainda do lado de fora do autódromo, ouviu o barulho de F1 acelerando pela reta. Jornalista formado em 2004, passou por redações na época da TV Band e Abril, teve experiência na área de assessoria de comunicação esportiva até chegar ao site especializado em esporte a motor Tazio, em 2010. Passou pelas funções de redator, repórter (cobrindo diversas corridas no Brasil e exterior de F1, Indy, WEC, Stock Car, entre outras) e subeditor até o final de 2013, quando o veículo encerrou suas atividades. Trabalhou ainda como redator do UOL Esporte em 2014 até que decidiu se juntar com os outros três membros do Projeto Motor para investir na iniciativa.